No último amistoso em data Fifa antes do Mundial do Brasil, os japoneses superaram em 4 a 2 a fraca Nova Zelândia, em Tóquio. Os 47.670 torcedores presentes no estádio Olímpico Nacional ficaram animados com o início promissor, com quatro gols do Japão em 17 minutos. Resultado da qualidade de três jogadores (Shinji Kagawa, Keisuke Honda e Shinji Okazaki), que tiveram facilidade para trocar passes e se infiltrar na área adversária. O principal problema nipônico é a defesa, que nem o técnico italiano Alberto Zaccheroni ainda foi capaz de resolver – o que é muito improvável de ocorrer até o Brasil 2014.

Um dos gols da Nova Zelândia foi pela via aérea, com cruzamento na área e falha da defesa, algo que o Japão sabe que precisará conviver nos jogos da primeira fase, contra Costa do Marfim, Grécia e Colômbia. O que os japoneses não esperavam era ver uma das principais estrelas em mau momento físico, o que influi na técnica… Shinji Kagawa até marcou o segundo gol do jogo, cobrando pênalti aos sete minutos, mas ele mesmo não se mostrou satisfeito com a performance geral. Substituído aos 34 minutos do segundo tempo, o próprio Kagawa disse à imprensa não estar bem fisicamente, em razão da falta de jogos no Manchester United.

De fato, o astro japonês participou de apenas 19 partidas na temporada (15 como titular), incluindo todos os torneios. O veterano Ryan Giggs, por exemplo, que já não pode ser utilizado em todo jogo, teve o mesmo número de participações. São apenas 1280 minutos em campo, com Kagawa sendo titular no Manchester United pela última vez em 22 de janeiro, nas semifinais da Copa da Liga Inglesa, contra o Sunderland. Ele não joga 90 minutos completos por seu time desde 11 de janeiro, na 21ª rodada da Premier League, contra o Swansea City.

Kagawa também não marcou nenhum gol na atual temporada inglesa, bem diferente das seis vezes de 2012/13, em 26 partidas com a camisa dos Red Devils, ou 17 nas bolas nas redes adversárias no último ano de Borussia Dortmund, em 43 jogos. É para Zaccheroni realmente ficar preocupado, pois David Moyes não deve dar muitas chances ao japonês até o fim da temporada.

Troca positiva

Os sul-coreanos acertaram em não renovar o contrato do técnico Choi Kang-Hee, que quase levou a seleção nacional à repescagem asiática, substituindo-o por Hong Myung-Bo. Apesar das seis derrotas e apenas quatro vitórias em 13 jogos, o novo treinador parece ter dado jeito no time, que teve seus piores resultados quando não tinha os estrangeiros.

Nas derrotas para México (4 a 0) e Estados Unidos (2 a 0), a Coreia do Sul não teve os jogadores que atuam na Europa, apenas alguns poucos no Japão e na China. Nos amistosos em data Fifa, em que pôde contar com todos os convocados, o time asiático venceu Suiça (2 a 1) e ontem a Grécia (2 a 0), que não é do primeiro escalão, mas vem se estabelecendo nas fases finais de Copa do Mundo e Eurocopa com certa frequência.

Boa notícia foi a volta do atacante Park Chu-Young, 28 anos, ex-promessa do Arsenal e atualmente emprestado ao Watford, da segunda divisão inglesa. Seu último jogo pela seleção havia sido há cerca de um ano, em 6 de fevereiro de 2013, na derrota de 4 a 0 a favor da Croácia. Talvez o gol anotado contra os gregos sirva de incentivo, já que Chu-Young não marcava com a camisa da seleção desde novembro de 2011.

Os sul-coreanos sabem que será difícil avançar às oitavas de final no Grupo H, principalmente com Rússia e Bélgica no camimho. Também não se sabe até que ponto o anúncio da saída do técnico português da Grécia, Fernando Santos, após o Mundial 2014, abalou o elenco, o que pode diminuir o feito sul-coreano. Fato é que o objetivo da Coreia do Sul é não dar vexame entre junho e julho deste ano.

Chance para Neill?

O técnico Ange Postecoglou resolveu enfrentar o Equador sem a maioria dos veteranos, deixando de fora Lucas Neill, que arrumou time para tentar jogar o Mundial, e Mark Bresciano, do Al Gharaffa. O único veterano titular foi Tim Cahill, que marcou dois gols contra os sul-americanos, se tornando o maior goleador da história da seleção, com 31 tentos em 67 jogos, dois a mais que Damian Mori – defendeu o time entre 1992/02.

Talvez Ange Postecoglou estivesse feliz com suas escolhas por volta dos 32 minutos da etapa inicial, quando a Austrália vencia por 3 a 0. Só que os equatorianos viraram o placar, levando vantagem na expulsão do goleiro Mitchell Langerak, do Borussia Dortmund. A derrota de 4 a 3 não chega a ser um vexame, mas todos perceberam que o time ainda precisa dos veteranos, conquanto que estejam aptos fisicamente. Será que dá para Lucas Neill?

Saco de pancadas

Todos os iranianos sabem que o objetivo na Copa do Mundo 2014 não é as oitavas de final, mas somar pontos. Mas o que se viu da seleção persa no amistoso diante de Guiné mostra que não será vexame se a equipe do português Carlos Queiroz, que deve acertar com a África do Sul após o Mundial, regressar à Teerã sem pontos na bagagem.

Os africanos até têm alguns jogadores na Europa, mas nunca em times de ponta – Kévin Constant é o mais famoso, tendo 11 jogos pelo Milan em 2013/14 –, o que aumenta ainda mais a desconfiança do torcedor e da própria equipe numa boa campanha no Brasil. E a derrota de 2 a 1 poderia ter sido pior, caso o atacante Reza Goochannejhad não tivesse marcado o gol de honra do Irã, no início do segundo tempo.

Outros resultados

Os indianos continuam mal das pernas, o que deve estar tirando o sono do técnico holandês Wim Koevermans. A equipe, atual 154ª colocada no Ranking da Fifa, recebeu a fraca seleção de Bangladesh, número 164. A Índia até abriu o placar, sempre com Sunil Chhetri, mas o adversário virou a partida e só não venceu graças a outro gol de Chhetri, aos 47 minutos da etapa final. Que fase!


4 respostas para “A falta de jogos de Kagawa é uma preocupação para o Japão que vai à Copa”

  1. Carlos Oberdanaon disse:

    Fazer o que se ele já demonstrou várias vezes que não tem bola pra jogar num clube como o Manchester United e flopou feio por lá…

    Só mudando de clube…

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