O Japão pretende usar o futebol como uma ferramenta diplomática na relação com a China neste ano, que marca os 40 anos do tratado de paz e amizade entre os dois países. A Japan Football Association (JFA) planeja enviar técnicos para o país vizinho, de forma a apoiar a medida. O governo japonês sabe das intenções da China de fortalecer o futebol do país e, por isso, sabe que este é um assunto que agrada ao governo chinês.

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O governo do Japão espera fazer um encontro com China e Coreia do Sul no próximo trimestre. Para isso, quer que a primeira visita do Premiê Chinês, Li Keqiang, seja um sucesso. A intenção é que as relações se estreitem e levem a essa reunião entre os três países asiáticos, com visitas dos líderes a cada um dos três. O Primeiro Ministro Shinzo Abe visitaria a China ainda em 2018, seguido de uma visita do presidente chinês Xi Jinping ao Japão.

O futebol se tornou a menina dos olhos do governo japonês para isso. Não por acaso. Xi Jinping é um apaixonado por futebol e promoveu diversas políticas de incentivo para melhorar o esporte no país. O objetivo é tornar a liga chinesa relevante e fazer a seleção do país voltar à Copa do Mundo, além de sediar um Mundial no futuro. Com a paixão do presidente chinês em mente, o governo japonês estuda promover um amistoso entre os dois países como forma de marcar a visita do presidente chinês. Mas esta é só a ação mais visível.

Segundo o Japan News, um dos exemplos usados pelo governo japonês é a “diplomacia ping pong” entre China e Estados Unidos, que aproximou os dois países. Os chineses têm expectativa também com isso. “Diplomacia do esporte pode ser um estímulo para melhorar as relações”, disse uma fonte do governo chinês ao Japan News.

A China ainda está longe de conseguir ser o que o governo de Xi espera. Apesar dos esforços, incentivos fiscais e políticas públicas com o futebol, a seleção chinesa não passou nem perto de se classificar à Copa do Mundo de 2018. Tentará, mais uma vez, chegar à próxima edição do Mundial, em 2022, no Catar. A China não chega a uma Copa do Mundo desde 2002, quando o torneio foi sediado por Japão e Coreia do Sul – o que facilitou o caminho chinês nas Eliminatórias, sem duas das principais potências do continente na disputa por vaga.

O sistema japonês de treinamento de jogadores, coordenado pela JFA, é muito apreciado na China. Então, a ideia é enviar bons técnicos japoneses para a China, em uma troca diplomática, e assim ajudar a China a se tornar melhor no futebol, local e internacionalmente. Em clubes isso já se vê, com dois títulos do Guangzhou Evergrande nos últimos anos, em 2013 e 2015.

Mais do que diplomacia, o Japão vê com bons olhos, do ponto de vista esportivo, o crescimento da China. “Se a China se tornar forte e Japão e China tiverem uma boa rivalidade um com o outro, isso irá fortalecer a seleção do Japão”, afirmou o presidente da JFA, Kozo Kashima.

A empolgação é tão grande que se planeja até um amistoso entre políticos. O grupo parlamentar bipartidário para promover o futebol, liderado por Seishiro Eto, do Partido Liberal Democrático, quer jogar uma partida com os principais membros do Congresso Chinês.