Drible, velocidade, força física. Quem olhasse para Jobson de Oliveira em 2007, com a camisa amarela do Brasiliense, não seria taxado de louco ao profetizar que o jovem atleta, então com 20 anos, poderia sonhar com carreira em grandes clubes, ou até seleção brasileira, mas as drogas e a indisciplina foram obstáculos muito difíceis de superar. Agora, na Arábia Saudita, parece que o paraense de Conceição do Araguaia colocou a cabeça no lugar.

Em agosto de 2013, o Botafogo anunciou o quinto empréstimo de Jobson, que foi para o Al Ittihad, da Arábia Saudita. O contrato é de um ano e o clube carioca não receberá nada pela transferência, mas fixou o valor de compra do atleta. Seria natural desconfiar do sucesso dele no mundo árabe, conhecido pelas regras rígidas, que incluem a restrição de bebidas.

Tudo parecia jogar contra, mas Jobson vem conseguindo se destacar no Campeonato Saudita, a um ano do fim de seu contrato com o Botafogo, em 2015. Nas duas primeiras rodadas da temporada, em meados de agosto, o atleta brasileiro não chegou a ser escalado pelo técnico espanhol Beñat San José.

Na terceira partida, Jobson foi titular e ficou 87 minutos em campo, o suficiente para marcar dois gols e contribuir para a vitória de 4 a 2 do Al Ittihad sobre o Al Fateh, atual campeão nacional. No jogo seguinte, mais uma bola na rede em 90 minutos. Jobson acabou virando titular e, quando ficou de fora, o Al Ittihad venceu apenas uma vez em três jogos.

Aos poucos, ele voltou a ser titular e não demorou a marcar mais um gol, o primeiro da goleada sobre o Al Raed por 4 a 1, após seis rodadas (dois meses) de jejum. Sua última bola nas redes adversárias foi na 13ª rodada, contra o Najran, na vitória de 3 a 2 – é o vice-artilheiro do time, atrás dos 12 gols de Mukhtar Fallatah. Dos 17 jogos do Al Ittihad na Saudi Pro League, Jobson participou de 12, tendo começado entre os titulares em oito.

Destas, o brasileiro foi substituído em cinco oportunidades, atuando por 694 minutos. Ele ainda perdeu um pênalti e deu uma assistência, levando apenas dois cartões amarelos. É verdade que a campanha do Al Ittihad não ajuda muito. Apenas o sexto lugar, com 22 pontos (6v, 7e, 5d), a 23 do líder Al Nassr e cinco atrás do Al Ahli, terceiro colocado, que fecha a zona de classificação para a Liga dos Campeões da Ásia. É o típico desempenho de time no meio da tabela, que não flerta com o rebaixamento e nem com o título.

Com quase metade do tempo de contrato cumprido, Jobson terá mais desafios até o fim do Campeonato Saudita. Beñat San José foi demitido após os maus resultados do time e o uruguaio Juan Verzeri, 50 anos, veio para o seu lugar. Com experiência nas seleções de base do país natal, Verzeri treinou o Al Ittihad em um jogo, empate de 2 a 2 com o Al Hilal.

Jobson entrou na metade do segundo tempo e terá de convencer o novo chefe de que merece mais chances no time titular. Se continuar no caminho certo, talvez o brasileiro até seja contratado em definitivo pelo Al Ittihad, em sua última chance no futebol profissional. Será que agora vai?

Curiosidades

O início da passagem de Jobson na Arábia Saudita rendeu bons frutos. Em razão do bom desempenho, o presidente do Al Ittihad, Adel Jamjom, presenteou o atacante com uma Ferrari novinha. Já no empate por 4 a 4 contra o lanterna Al Nahdha, o brasileiro recebeu os aplausos da torcida e dos atletas por razões que não têm nada a ver com o futebol.

No segundo tempo, o goleiro adversário tinha a bola nas mãos e a chuteira desamarrada, precisando soltar a bola. Jobson se aproximou e todos pensaram que ele mandaria a bola às redes, mas o brasileiro se abaixou e amarrou as chuteiras. E não é que o árbitro deu tiro livre indireto em razão da regra dos seis segundos?

Curtas

- Jobson não é o único brasileiro no Al Ittihad. O meia Leandro Bonfim, 30, revelado no Vitória e com passagens por São Paulo, Cruzeiro e Vasco, chegou ao clube também em 2013/14 e participou de dez jogos, oito como titular, com dois gols e 687 minutos em campo. Foram duas assistências para gol e cinco jogos completos.

- Quem estava no time era o veterano Fernando Baiano, 34, aquele ex-Corinthians. Foram apenas cinco jogos e dois como titular, com um gol marcado e 139 minutos em campo. O contrato do atleta não foi renovado por opção do Al Ittihad, e Fernando Baiano vai jogar no Mogi Mirim em 2014.

Arábia Saudita

- O Al Nassr aumentou a diferença para o Al Hilal na liderança. Agora são 45 pontos somados e seis de distância, faltando nove rodadas para o fim da temporada. O Al Ahli vem muito atrás, com 27, brigando com Al Taawon (27), Al Shabab (24), Al Ittihad (24) e Al Fateh (21) pela terceira vaga na LC da Ásia 2015.

- O Al Nahdha será um dos rebaixados para a segunda divisão, pois é quase impossível retirar a diferença de dez pontos para o antepenúltimo colocado – a equipe tem seis e ainda não venceu. O Al Faisaly briga contra a degola, com 15, um a menos que o Al Orubah.

Austrália

- O Brisbane Roar mantém a ponta na A League, com 30 pontos, quatro à frente do Western Sydney. Quem vive período de queda na temporada é o Sydney, de Del Piero, que no momento está fora da zona de classificação para o mata-mata, em sétimo lugar, com 19 pontos. O veterano italiano tem cinco gols, dois a menos que James Troisi.

Irã

- No mundo persa, quem está na pior é o Persepolis, que tropeçou novamente, agora diante do Foolad (2 a 1), perdendo a terceira posição para o adversário, que tem 42 pontos, dois a mais. O Esteghlal lidera com 44 pontos.

Copa da Ásia

- Foi dado o pontapé inicial na Copa da Ásia, mas na categoria sub-22. O Japão empatou com Irã e Kuwait no Grupo C e vê a Austrália liderar e avançar para as quartas de final. A Síria domina a chave B, com quatro pontos, melhor que Emirados Árabes, Coreia do Norte e Omã. A Arábia Saudita levou de 3 a 1 do Iraque e está na lanterna do Grupo D, enquanto o adversário está garantido no mata-mata.


3 respostas para “Parece que só a Arábia Saudita para colocar a cabeça de Jóbson no lugar”

  1. Thiago disse:

    É…lá no mundo árabe, descumpriu as regras, é apedrejado em praça pública. Talvez seja uma atitude um pouco exagerada, mas no Brasil houvesse o mínimo de disciplina, se não houvesse tanta impunidade, se as pessoas pagassem por seus erros e atos ilegais, sejam elas ricas ou famosas, talvez tivessemos um grande atacante…uma pena;

Deixe uma resposta