Junior de Barranquilla e Olimpia se enfrentavam pela segunda fase preliminar da Copa da Libertadores, mas fizeram confrontos dignos das etapas mais avançadas da competição. A qualidade do duelo não ficou apenas na teoria, seja pelo peso das camisas ou pelos medalhões presentes. Também se viu na prática, com duas partidas memoráveis. Em Assunção, os franjeados se deram melhor com a vitória por 1 a 0, garantida por Roque Santa Cruz. No entanto, os tiburones buscaram o resultado no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez. Foi um jogo aberto, repleto de chances para ambos os lados, no qual a classificação poderia ter ido a qualquer um. Mas no final das contas quem se deu bem mesmo foi o Junior, que anotou os dois gols que precisava no segundo tempo e celebrou bastante o triunfo por 3 a 1, suficiente para garantir a passagem à terceira etapa do torneio torneio continental.

Apesar do clima efervescente nas arquibancadas em Barranquilla, o Olimpia não se intimidou. Fazia um jogo de igual com o Junior e criou boas chances nos primeiros minutos. Contudo, logo os colombianos passaram a crescer e a dominar as ações no ataque. Yimmi Chará infernizava os marcadores, enquanto Luis Carlos Ruiz ficou muito próximo de abrir o placar, em chute de fora da área que acertou a trave. Já aos 30 minutos, a pressão surtiu efeito e os tiburones saíram na frente. Escanteio cobrado por Chará, que Yony González desviou de cabeça, após subir no segundo andar.

O Olimpia, todavia, não se escondeu. Os paraguaios confiavam em Roque Santa Cruz e jogavam em cima do erro de seus adversários. Assim, acabariam arrancando o empate pouco antes do intervalo, aos 44. Mauricio Cuero, que já tinha dado a assistência em Assunção, roubou a bola na intermediária e iniciou o contra-ataque. Passou a Nestor Camacho, que partiu para cima da marcação e, na lateral da área, soltou uma pancada rumo às redes. O goleiro Sebastián Viera não teve chances de defesa. Naquele momento, pelo gol que sofreu em casa, o Junior precisava de dois tentos para se classificar.

Apesar das necessidades, o jogaço continuou aberto no segundo tempo. O Olimpia chegava e assustava, falhando na conclusão das jogadas. Entretanto, o Junior conseguiu retomar a dianteira aos 13. Após cobrança de lateral longa, Ruiz brigou pela bola dentro da área e fuzilou quando teve espaço. A situação, ainda assim, não limitava os paraguaios à defesa. E, através das alterações, os colombianos se tornaram mais ofensivos. O gol da classificação, por fim, aconteceu aos 30. Após cruzamento da esquerda, Teo Gutiérrez apareceu. O ídolo alvirrubro tabelou de maneira linda com Ruiz e se projetou à frente. Sozinho, de frente para o crime, finalizou com extrema maestria. A bola bateu na trave antes de entrar, sem nem dar tempo para o goleiro Alfredo Aguilar reagir.

Nos minutos finais, o Olimpia se impôs no ataque e pressionou o Junior contra a sua área. Prova de fogo aos colombianos, que haviam demonstrado suas fragilidades defensivas nos últimos meses. Desta vez, ao menos, resistiram bravamente. E os tiburones até poderiam ter matado o duelo, com alguns bons contra-ataques, sobretudo puxados por Chará. Faltaram pernas e tranquilidade para arrematar da melhor maneira. Mas os desperdícios não foram problema. Ao apito final, a câmera da transmissão tremeu, diante da comemoração efusiva dos torcedores no Estádio Metropolitano. Os jogadores paraguaios caíam no gramado em exaustão, enquanto os anfitriões também desabavam em comemoração, com a mão nos rostos. Uma festa que mais parecia condizente a uma semifinal ou outra fase mais avançada. A emoção, de qualquer forma, servia para escancarar a disputa que perdurou durante os 180 minutos. A grandeza dos times. Toda a intensidade que proporcionou um épico neste nível.

O Junior de Barranquilla sai mais forte para a terceira fase preliminar. Derrubou um peso pesado da América do Sul, tricampeão continental. E que, além de sua história, conta com jogadores de qualidade. O Olimpia, porém, terá que amargar a segunda eliminação consecutiva na pré-Libertadores. Os colombianos foram mais time no somatório do confronto e dão um passo à frente. Possuem talento de sobra, sobretudo no ataque. Além disso, esperam a inserção gradual de seus novos reforços, enquanto buscam a melhor forma de suas estrelas. Guaraní, adversário na terceira fase, pode colocar as barbas de molho. E é bom os clubes do Grupo 8 – de Palmeiras, Boca Juniors e Alianza Lima – aguardarem uma pedreira, que proporcionará uma grande disputa rumo aos mata-matas.