A Alemanha não confirmou seu lugar na Copa do Mundo – ainda. A classificação poderia se consumar nesta segunda, dependendo de um tropeço da Irlanda do Norte, o que não aconteceu. Entretanto, o Nationalelf fez a sua parte de maneira categórica na Mercedes-Benz Arena. em Stuttgart. A equipe de Joachim Löw teve uma de suas atuações mais contundentes dos últimos anos, ao massacrar a Noruega por 6 a 0. Destaque principalmente pela maneira que os alemães construíram a goleada durante o primeiro tempo. Que a defesa norueguesa desse liberdade, isso não diminui a qualidade dos anfitriões na criação das jogadas. Deleite aos olhos, que aumenta a confiança sobre os atuais campeões mundiais.

VEJA TAMBÉM: Gol do Khedira: Volante doa 1,2 mil ingressos de jogo da seleção a crianças de Stuttgart

O momento individual de alguns destaques ofensivos da Alemanha poderia gerar ressalvas. Julian Draxler não vem jogando pelo Paris Saint-Germain, apesar da ótima participação na Copa das Confederações; Mesut Özil sucumbiu com o Arsenal nos recentes vexames do clube; Thomas Müller atravessou uma temporada muito ruim com o Bayern de Munique, mesmo dando sinais de recuperação nas últimas semanas. Do quarteto de frente, apenas Timo Werner apresenta uma situação um pouco mais estável, ascendendo com a seleção, embora sua ligação com o RB Leipzig costume gerar vaias constantes ao jovem. Independentemente de tudo, os quatro jogaram por música em Stuttgart.

A escalação da Alemanha auxiliava a ofensividade, com Joshua Kimmich e Jonas Hector nas laterais, além de Toni Kroos e Sebastian Rudy compondo a dupla de volantes. Entretanto, foi a ótima movimentação dos meias e do atacante que fez a diferença para os 20 minutos arrasadores do Nationalelf. Özil abriu o placar aos dez. Em boa troca de passes, Kroos abriu o jogo e Hector acionou o camisa 10, que bateu de primeira, no canto de Rune Jarstein. Os germânicos iam criando ocasiões e ameaçando a meta norueguesa, faltando apenas caprichar um pouco mais nos arremates. Até que Draxler ampliasse, aos 17. Lance de pura classe, com Werner ajeitando o lançamento longo, Özil passando e o ponta girando sobre a marcação, antes de bater no canto. Já aos 20, Werner deixou o seu. Em roubada de bola, Kroos avançou, Thomas Müller tocou de letra e o centroavante fuzilou de primeira.

O placar já elástico deixava a Alemanha mais leve. E os jogadores iam encadeando passes de uma maneira envolvente, colocando a Noruega na roda. A dobradinha entre Thomas Müller e Werner voltaria a se repetir aos 40, rendendo o quarto gol. O capitão cruzou com perfeição na ponta direita, para o jovem cabecear com firmeza. A goleada estava formada. E o quinto só não veio antes do intervalo porque Jarstein salvou, em toque de calcanhar de Özil para Kroos bater rasteiro.

No segundo tempo, a Alemanha diminuiu a intensidade, mas não deixou de ser superior. O quinto gol aconteceu logo nos primeiros minutos, refletindo o que se viu na Copa das Confederações. Leon Goretzka substituiu Müller e mostrou serviço rapidamente. Após boa trama pela direita, Draxler cruzou para o meio-campista completar de cabeça. A Noruega até tentou marcar o seu gol de honra, sem sucesso. Joachim Löw aproveitou as duas últimas substituições para dar espaço aos filhos ilustres de Stuttgart, Sami Khedira e Mario Gómez, formados pelo clube da casa e campeões da Bundesliga em 2006/07. Pois ambos deram nova energia ao time, querendo deixar as suas marcas. Aos 34, Khedira tocou para Kimmich e este mandou a bola na cabeça de Gómez, rumo às redes. Nos acréscimos, os noruegueses ainda mandaram uma bola na trave, com defesa de Ter Stegen. Não evitariam o “pneu”.

Invicta desde a eliminação na Euro 2016, a Alemanha conquistou uma vitória expressiva em forma e conteúdo. A Noruega ocupa a penúltima colocação do Grupo C e só ganhou de San Marino e Azerbaijão nesta campanha. De qualquer maneira, a técnica do Nationalelf para envolver e engolir os visitantes foi notável. Se ainda discute-se a perda de lideranças que o elenco sofreu ao longo dos últimos anos (especialmente pelas aposentadorias de Philipp Lahm, Miroslav Klose e Bastian Schweinsteiger), a exibição evidencia uma equipe que amadurece seu jogo. Seguem entre os principais favoritos ao título Mundial.

Estraga-prazeres dos alemães, ao evitar a classificação antecipada, a Irlanda do Norte precisará de um milagre para alcançar a primeira colocação da chave nas duas rodadas finais. Os britânicos aparecem cinco pontos atrás da Alemanha, ainda fazendo o confronto direto, em Belfast, na próxima rodada. De qualquer forma, a equipe de Michael O’Neill tem um motivo a comemorar. A vitória por 2 a 0 sobre a República Tcheca nesta segunda garante o país ao menos na segunda posição do Grupo C. Difícil vai ser vencer os alemães em outubro para seguir sonhando com a vaga direta. Até pela bola redonda vista em Stuttgart, o Nationalelf deverá entrar em campo babando para carimbar seu passaporte.