No intervalo de Estados Unidos e Gana, John Anthony Brooks teve que entrar para substituir o lesionado Matt Besler e toda a torcida americana ligou o botão de pânico, já que era a primeira partida competitiva do zagueiro pelo USMNT e os africanos pressionavam. Mas no final, foi o próprio homem dividido entre Illinois e Berlim que salvou os americanos.

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Brooks é mais um dos jogadores trazidos por Jurgen Klinsmann que nasceram na Alemanha porque o pai era um militar americano em serviço no país. Desde cedo, atua pelo Hertha Berlin e foi um dos titulares da equipe que colocou o time da capital nacional de volta à Bundesliga em 2013.

Após disputar partidas por seleções de base da Alemanha e dos Estados Unidos, veio o convite de Klinsmann para fazer parte da equipe que venceu a Bósnia por 4 a 3, em Sarajevo, jogo em que ele fez sua estreia pelo time adulto dos americanos.

Mas aí veio o amistoso que acabou com toda a moral de Brooks na seleção. Em marco de 2014, Klinsmann colocou o zagueiro do Hertha junto ao quase aposentado Oguchi Onyewu, que já não tem velocidade mais e foi pego mal posicionado em vários lances, atrapalhando ainda mais o desafio do primeiro jogo de Brooks como titular.

Desde então, o americano-germânico tem sido questionado e sua presença na lista de 23 no lugar de Clarence Goodson, que foi figura presente nas eliminatórias, foi algo surpreendente para os fãs americanos de futebol.

E logo no primeiro jogo da Copa, Matt Besler sente lesão no final do primeiro e Brooks recebe sua camiseta para entrar. Curiosamente, antes de Omar Gonzalez, que era o parceiro de Besler recentemente. E como os ganeses pressionavam bastante após o gol de Clint Dempsey aos 30 segundos de jogo, o pânico realmente apareceu.

Quando Brooks errou em lance e deu espaço para que o perigoso Asamoah Gyan ficasse com a bola de frente para Tim Howard, muitos corações devem ter parado. Só que o zagueiro se recuperou muito bem e forçou o atacante ganês a fazer a falta para tentar prosseguir no lance.

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Brooks teve uma atuação muito sólida no lado esquerdo da zaga durante a pressão dos africanos e pouco podia fazer para tentar ajudar no lance do gol de empate de André Ayew, que saiu quando Fabian Johnson não acompanhou o meio-campista adversário dentro da área.

Aí veio um escanteio aos 86 minutos e Graham Zusi, que havia entrado no lugar de Alejandro Bedoya, colocou a bola na cabeça de Brooks, que ficou praticamente desmarcado porque os ganeses acompanharam Geoff Cameron no primeiro poste. E ele marcou o gol que praticamente salvou a participação dos Estados Unidos na Copa, já que este era considerado um jogo de vida ou morte pelos ianques.

A atuação do meio-campo tem que melhorar quando o assunto é ataque. Bradley, Jones e Bedoya não conseguiram levar a bola com facilidade para o lado ofensivo do campo. Se a lesão de Jozy Altidore se provar muito séria, Aron Jóhannsson terá que assumir a responsabilidade mais cedo do que imaginava e tentar fazer um papel parecido ao do #17, que segura muito bem a bola no ataque para os companheiros.

Mas o que mais preocupava era o setor defensivo e, tirando algumas falhas de DaMarcus Beasley, a linha de quatro funcionou muito bem e Kyle Beckerman ajudou bastante protegendo logo a frente da linha.

Ainda há o que arrumar na equipe, mas a vitória no primeiro jogo foi extremamente importante, ainda mais com os problemas do próximo adversário, Portugal, que não contará com o zagueiro Pepe e talvez com o lateral esquerdo Fábio Coentrão no embate do próximo domingo (22). E ela veio da cabeça daquele que talvez fosse a mais improvável das armas, JA Brooks.