Aclamado pela excelente temporada que atravessa com o Napoli, Jorginho se tornou motivo de um entrave entre as seleções brasileira e italiana. O catarinense chegou à Itália na adolescência e, em outras ocasiões, manifestou abertamente o seu desejo de vestir a camisa azzurra. Não vinha sendo chamado por Gian Piero Ventura e, como havia disputado apenas amistosos pela Nazionale, voltou a entrar na pauta do Brasil. Seu empresário sinalizou a abertura e Tite considerou a possibilidade. Mas, no fim das contas, as raízes italianas criadas pelo meio-campista irão prevalecer. Neste sábado, ele integrou a convocação dos azzurri para os jogos da repescagem contra a Suécia. Uma escolha que praticamente define o futuro do jogador de 25 anos.

Mesmo com o chamado, ainda existe a possibilidade de Jorginho atuar pela seleção brasileira. Caso ele não entre em campo diante dos suecos, a brecha permanece aberta. De qualquer maneira, a aparição no elenco da Itália acaba sendo um indicativo inegável do que o volante deseja. Certamente muitas conversas aconteceram nos bastidores, entre as diferentes partes, e ele manifestou sua vontade. O motor do Napoli permanece representando o país que defendeu ainda nas categorias de base, que integrou em amistosos contra a Espanha e a Escócia, jogando por 24 minutos, e com o qual se preparou rumo à Euro 2016, apesar do corte na lista final elaborada por Antonio Conte.

Em julho de 2014, Jorginho tinha deixado bem claras as suas intenções. “Eu posso dizer que a camisa azzurra está no topo das minhas preferências. Eu não tenho dúvidas, poderia aceitar imediatamente o chamado de Coverciano. Eu só não fiz uma escolha até agora porque não recebi qualquer oferta”, declarou à Gazzetta dello Sport. O atual cenário, às vésperas da Copa do Mundo, pode ter balançado o catarinense, como seu empresário indicou no início de outubro. Mas a palavra do próprio atleta ganha muito mais peso diante da convocação de Ventura.

Não há dúvidas que Jorginho pode agregar à seleção italiana. É um meio-campista de qualidade técnica, que ajuda bastante na fluidez do jogo e sabe ditar o ritmo do time. O trabalho ao lado de Maurizio Sarri no Napoli escancara suas virtudes, embora o catarinense tenha passado por altos e baixos nas últimas temporadas, apresentando certas dificuldades para manter a regularidade durante os 90 minutos. Mas, nos últimos tempos, os ventos se tornaram favoráveis ao camisa 8.

A princípio, Jorginho deve ser reserva. Não costuma jogar em uma linha com quatro no meio, como Ventura vem escalando a equipe – até pela concorrência com Daniele De Rossi e Marco Verratti, os potenciais titulares. Já em uma formação diferente, com um volante mais recuado distribuindo o jogo (o chamado ‘regista’, tão comum no futebol italiano, e como atua no Napoli), o catarinense tende a disputar posição com Verratti, mais qualificado para a função. Independentemente disso, não perde sua utilidade dentro do grupo ou para possíveis variações.

Integrar o grupo neste momento tão importante para a Itália, em que se joga a vida rumo à Copa do Mundo, já serve demais para Jorginho. É a oportunidade de mostrar sua capacidade a Ventura, provando ao comandante que ele estava errado na relutância ao convocá-lo. E com as possibilidades mais abertas. A Itália possui os seus homens de confiança no meio além dos supracitados, como também Marco Parolo e o ascendente Roberto Gagliardini. Ainda assim, sugere um cenário mais aberto do que o camisa 8 teria com no Brasil, buscando espaço entre Casemiro e Fernandinho. E, acima disso, ao que tudo indica, é a vontade do meio-campista prevalece, defendendo o país no qual cresceu, se firmou e com o qual mais se identifica futebolisticamente. Merece toda a sorte em seu futuro.

Abaixo, a lista completa da Itália. Além de Jorginho, outras novidades são o retorno de Simone Zaza, voando no Valencia, que não era chamado desde dezembro de 2016; e de Alessandro Florenzi, recuperado da séria lesão que sofreu no joelho, custando meses no estaleiro.