O governo peruano tem tratado a campanha da seleção nas Eliminatórias como assunto de interesse nacional. O dia do jogo decisivo contra a Nova Zelândia ainda nem tinha chegado, mas o Ministério do Trabalho já anunciou de antemão o possível feriado na quinta-feira, em caso de classificação à Copa do Mundo. Pois o New Zealand Herald, jornal de maior circulação no país oceânico, faz uma acusação além. Segundo o jornalista Michael Burgess, a Força Aérea Peruana enviou caças para sobrevoar o hotel onde os All Whites estão hospedados e incomodar o descanso dos jogadores nesta manhã, horas antes do duelo decisivo no Estádio Nacional de Lima.

A madrugada esteve longe de ser tranquila para a seleção da Nova Zelândia. Em cena que se repete tantas vezes na Copa Libertadores, os torcedores peruanos estouraram dezenas de fogos de artifício nos arredores do hotel – o que, obviamente, já atrapalhou o sono dos atletas. Já nesta manhã, três caças fizeram manobras nos céus de Lima para “apoiar a seleção peruana”. Sob as suas asas, os Mirage 2000 levavam a mensagem ‘Vamos, Peru’, com as cores da bandeira do país. Além disso, os pilotos vestiam camisas da Blanquirroja. Durante a tarde, também ocorreram exibições sobre o Estádio Nacional, com outras aeronaves e helicópteros.

O que a imprensa peruana chama de “saudação” e “apoio”, no entanto, foi tratado como afronta pelo New Zealand Herald. “Três jatos militares conduziram uma manobra espetacular voando baixo sobre o hotel dos All Whites em Lima, nesta manhã. Esta é uma aparente continuação da intimidação, que teve foguetes estourando os ouvidos às três da manhã, do lado de fora do hotel. A seleção neozelandesa está hospedada no hotel JW Marriott, em uma das áreas mais abastadas na costa da capital. Os jogadores estavam relaxando e se preparando para a partida, e certamente ouviram os sons estrondosos dos jatos voando, em barulho ensurdecedor. […] Parece que o nível de intimidação chegou a outro nível, com constantes lembretes que os All Whites estão no caminho dos sonhos da nação. As coisas podem estar ficando sérias”, escreveu Burgess.

Além disso, o New Zealand Herald coloca sob suspeitas outros eventos ocorridos com a seleção neozelandesa durante sua jornada para este jogo de volta. Primeiro, um atraso de cerca de três horas no voo que trazia os jogadores a Lima. Depois, os trajetos extremamente demorados feitos pelo ônibus dos All Whites rumo ao Estádio Nacional e ao hotel. É o que o jornal chama de “guerra psicológica”.

Obviamente, há um claro exagero na afirmação do New Zealand Herald sobre os caças. É difícil imaginar que os aviões, sobrevoando uma grande área de Lima em velocidade altíssima, direcionassem as manobras justamente para o hotel dos All Whites. Porém, é fato que o exercício se concentrava justamente Costa Verde, onde os jogadores estão hospedados – mas que também é uma das principais regiões turísticas da capital peruana e, nos últimos anos, palco de outras exibições da Força Aérea. Se foi mera coincidência ou se houve alguma intenção, nunca saberemos. Mas o episódio certamente entra para o folclore das Eliminatórias.