José Maria Marín é mais velho vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Nessa condição, é o sucessor imediato do atual presidente. Ele foi também personagem de um episódio que seria cômico se não fosse trágico (ou vice-versa), quando entregava as medalhas de campeões aos garotos do Corinthians, no dia 25 de janeiro deste ano, após a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O jogo acabou 3 a 1, os jogadores recebiam as medalhas das mãos de Marin, que, lá pelas tantas, colocou uma delas no bolso. A Federação Paulista de Futebol (com a qual Marin tem ligação, como se verá a seguir) abafou o caso, dizendo que estava prevista uma medalha como homenagem ao dirigente. Ninguém explicou porque o goleiro do Corinthians ficou sem medalha,.

Só que Marin tem muito mais a ser falado. Nascido em 6 de maio de 1932, tem atualmente 79 anos – completará 80 em menos de três meses. É lembrado por ter sido governador de São Paulo entre 14 de maio de 1982 e 15 de março de 1983, mas sua ligação com o esporte é bem anterior a isso.

José Maria Marin é filho de Joaquín Marín y Umañes, espanhol de origem galega e responsável por trazer o pugilismo ao Brasil. Como muitos políticos brasileiros, se formou em direito pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo, em 1955. Para custear a vida universitária, teve uma atuação profissional que o liga ao esporte até hoje: foi jogador do São Paulo Futebol Clube entre 1950 e 1952.

Por sinal, Marin esteve em campo em um jogo histórico do clube. Em 3 de dezembro de 1950, o São Paulo do técnico Vicente Feola venceu o Olimpia por 2 a 1 na casa do adversário, gols de Augusto e Leopoldo. O que torna esse jogo importante foi que Leônidas da Silva, o Diamante Negro, fez seu último jogo pelo tricolor paulista. Marin, que era ponta esquerda, entrou no lugar de Dido naquela partida.

Como jogador do São Paulo, Marín, usualmente reserva, fez 20 partidas, das quais 12 vitórias, quatro empates e quatro derrotas, marcando cinco gols. Foi discreto nos campos de futebol, mas sua atuação no campo político teria mais história.

Marin entrou para a carreira política nos anos 1960. Foi vereador em São Paulo, filiado ao Partida da Representação Popular (PRP) e acabou presidindo a Câmara dos Vereadores de São Paulo em 1969. Nos anos 1970, Marin conseguiu se eleger deputado estadual pela ARENA, partido ligado à ditadura militar.

Muito ligado ao malufismo na política, foi vice-governador quando Paulo Maluf exerceu o cargo de governador, entre 15 de março de 1979 e 14 de maio de 1982. Como Maluf disputaria o cargo de deputado federal, teve que renunciar ao cargo e Marin assumiu o posto até 1983, sucedido por Franco Montoro, eleito no ano anterior.

Com a perda da força do regime militar nos anos 1980, Marin perdeu força política. Apesar disso, foi o articulador da campanha que elegeu Jânio Quadros prefeito de São Paulo em 1985. No ano seguinte, foi candidato a senador por São Paulo pelo PFL, mas acabou derrotado na eleição para nomes como Hélio Bicudo, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso – todos, na época, considerados mais à esquerda, em termos políticos.

Continuou muito ligado ao malufismo, exercendo um papel secundário, criticando candidatos para deixar Maluf em uma situação mais confortável. Foi candidato a prefeito em 2000, ligado ao PSC, mas não conseguiu mais do que 9.691 votos, ou 0,18% do total. Em 2002, tentou ser senador novamente e teve 63.641 votos, 0,2% do total.

Em 2004, foi novamente candidato a prefeito de São Paulo, com mais uma derrota nada surpreendente, mas exercendo seu papel de críticas aos demais candidatos, especialmente à Marta Suplicy, principal adversária de Maluf para chegar ao segundo turno. A estratégia não deu certo, mas Marta acabou derrotada por José Serra no segundo turno daquela eleição. Filiou-se ao PTB em 2007.

No esporte, ainda foi presidente da Federação Paulista de Futebol duas vezes entre 1982 e 1986. Foi um dos chefes de delegação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do México, em 1986. Passou a exercer o cargo de vice-presidente da CBF, representando a região Sudeste. Por ser o mais velho entre os vice-presidentes, tem a prerrogativa de assumir o cargo caso Ricardo Teixeira saia.