Competência. Talvez não haja outro termo para definir o sucesso de longo prazo da Juventus na Serie A. São sete anos consecutivos conquistando o Scudetto, em uma sequência que cada vez mais amplia o recorde do país. São sete anos consecutivos dominando o campeonato, superando as dificuldades, conquistando pontos suados, arrancando nos momentos de maior pressão. São sete anos comemorando a qualidade de um trabalho exemplar, que passou das mãos de Antonio Conte à excelência de Massimiliano Allegri. O Napoli fez uma campanha fantástica nesta temporada, independentemente de sua derrocada no final. São 88 pontos extraordinários e, ainda assim, insuficientes para interromper a supremacia da Juve, hepta ao empatar sem gols contra a Roma no Estádio Olímpico. Somam 92 pontos, a terceira melhor marca da história da Serie A.

O jogo do título para a Juventus, de verdade, tinha acontecido duas rodadas atrás. A vitória por 3 a 2 sobre a rival Internazionale é daquelas para formar caráter. Daquelas para consagrar campeões. E veio combinada com a derrocada do Napoli, que pode ter vencido o confronto direto em Turim, mas sucumbiu justo quando parecia vir mais forte. Uma força que, aliás, não fugiu da Velha Senhora, apesar de algumas vacilações neste segundo turno. Não é qualquer time que conquista 29 vitórias em 37 possíveis, com 84 gols marcados e apenas 23 sofridos.

Neste domingo, a Juventus não fez a melhor das suas exibições. A Roma começou mais agressiva diante da sua torcida e, mesmo já garantida na próxima Liga dos Campeões, buscou o ataque. A falta de pontaria nas definições impediu que os giallorossi partissem em vantagem rumo ao intervalo, com mais volume de jogo e pelo menos três ocasiões criadas. No segundo tempo, Paulo Dybala chegou a balançar as redes logo de cara, mas o árbitro anulou corretamente a jogada por impedimento. Só que o ritmo da partida diminuiu, o que significou o conforto dos juventinos. A expulsão de Radja Nainggolan a 20 minutos do fim, em uma entrada violenta, se tornou chave à tranquilidade da Velha Senhora. Foi controlar o relógio e comemorar, sem se importar com mais nada.

O Napoli, afinal, morreu como se esperava: lutando. O time de Maurizio Sarri sofreu dois tropeços bastante dolorosos nas rodadas anteriores, mas se agarrou ao fio de esperança. Ao menos voltou a apresentar um pouco mais de seu futebol, derrotando a Sampdoria por 2 a 0 no Estádio Luigi Ferraris. Arkadiusz Milik abriu o placar no segundo tempo, enquanto Raúl Albiol fechou a conta. Os 88 pontos anotados pelos celestes seriam suficientes para conquistar o Scudetto em várias outras temporadas, o que não é deméritos deles. Ficam muito mais os méritos de uma Juventus que sobra em relação à concorrência.

O que explica o sucesso da Juventus em mais uma temporada? Desta vez, não há sequer um destaque individual mais ressaltado, por mais que Paulo Dybala e Gonzalo Higuaín tenham feito diferença na frente. O Scudetto vem por uma conjunção de fatores. Pelo aproveitamento monstruoso em casa e igualmente consistente fora; pelo elenco amplo, que ofereceu ótimas opções ao longo da campanha; pelas peças que permitiram as variações de jogo, a exemplo de Douglas Costa, essencial nesta reta final; pela defesa sempre sólida, capaz de atravessar longos períodos sem buscar a bola no fundo das redes; pelo ataque, com estrela em importantes momentos. A Juve é melhor porque é mais completa. E diante do trabalho de longo prazo feito no clube, entre o fortalecimento econômico e a boa gestão esportiva, os concorrentes continuarão correndo atrás de tal nível durante um bom tempo.

Gianluigi Buffon, por fim, se torna um grande personagem na façanha. O capitão não atravessou a melhor de suas temporadas, especialmente pelas lesões sofridas, embora continuasse como um líder. A diferença que o veterano faz, contudo, é principalmente no estado de espírito. Na derrota contra o Napoli, que poderia ter causado uma reviravolta no campeonato, foi ele quem carregou a honra de um apático time bianconero e, segundo informações da imprensa italiana, cobrou uma reação de seus companheiros. Reação como se viu contra a Inter. Reação que se repetiu contra o Bologna. Reação que terminou em comemoração no Estádio Olímpico, coroando a lenda com o seu nono título nacional. Assim, torna-se o jogador com maior número de Scudetti. Se revolver ampliar sua carreira por mais um ano, e levantar a taça mais uma vez, terá uma estrela só sua.

Pela maneira como a Juventus sustenta a sua hegemonia na Itália, cobra-se mais da Velha Senhora para se eternizar. Falta um brilho maior na Liga dos Campeões, um gosto próximo que terminou em desilusão com duas finais perdidas. Não é isso, no entanto, que faz perder de vista a grandeza do que conseguem os bianconeri. E não adianta justificar que “não existiriam concorrentes”, tendo em vista o que tentou o Napoli e como incomodaram outros concorrentes no início da campanha. O fato é que as capacidades dos juventinos, por todo o contexto, são maiores. Competência que gera comemoração repetidamente a cada final de temporada. Já são sete, e contando. No próximo domingo, ela acontece em Turim, na rodada final contra o rebaixado Verona que servirá apenas à festa.