Vencer um clássico é sempre uma forma de mostrar força sobre um rival, mas o que a Juventus fez contra a Inter neste domingo foi um pouco além disso. A vitória foi de um time muito melhor sobre outro, algo que é comum quando a Juventus enfrenta Chievo ou Bologna, mas não deveria ser quando enfrenta a Inter. Mas é. Só nas escalações, já dava para ver que a vida seria difícil para o time de Milão. Como futebol é imprevisível, nunca se sabe. Na temporada passada, a Inter venceu. Desta vez, a Juventus nem precisou de um jogo brilhante. Venceu sem sofrer por 3 a 1. E poderia ter sido mais.

Ricky Álvarez era um dos poucos homens criativos da Inter em campo. Os dois times jogaram com três zagueiros, mas os alas da Inter pareciam tímidos para descer ao ataque. Enquanto isso, a defesa do time falhava contra um time que tem a precisão como um dos trunfos. Foi com essa precisão que Pirlo achou Lichsteiner e a Juventus fez 1 a 0. O começo do segundo tempo já mostrou uma lambança sensacional da defesa interista que permitiu Chiellini marcar em um rebote. Antes dos 15 minutos, Vidal aproveitou outra lambança defensiva do time de Mazzarri e fez 3 a 0. Não fosse pelos uniformes, pareceria um jogo qualquer do futebol italiano com a Juventus passando por cima de um rival, como um Chievo, Bologna, ou Cagliari.

Com o placar construído e a vitória praticamente garantida, até porque a Inter não ameaçava nada, a Juventus tirou o pé do acelerador. O carro já estava na descida, foi só controlar pisando no freio para garantir que chegaria à vitória. Entraram Milito, o estreante D’Ambrosio e Botta, mas não adiantou muito. Veio um gol, com Rolando, quando a Juventus já estava mais preocupada com o jantar depois do jogo. O gol foi quase por acaso, em um rebote perdido dentro da área.

Com nove pontos de vantagem na tabela, a Juventus tem uma vida tranquila pela frente para a conquista do tricampeonato. Entre os adversários mais qualificados, a Juve ainda tem pela frente o Milan, que assim como a Inter, é mais uma camisa pesada do que um bom time, a Fiorentina, quarta colocada, o Napoli, terceiro, e a Roma, na penúltima rodada. Seria mais possível uma reviravolta se um time mostrasse força. Não parece ser o caso. Nem Roma, nem Fiorentina, nem Napoli, nem Inter, nem Milan parecem ser capazes de mostrar a mesma consistência do time de Conte.

À Inter, resta tentar se arrumar. O técnico Walter Mazzarri terá trabalho. Precisa mudar o esquema de três zagueiros, que funcionou bem no Napoli, mas que na Inter não tem sido bom o suficiente. A sexta posição, 26 pontos atrás da Juventus, mostra com boa dose de verdade a diferença entre os dois times atualmente.