Depois da Roma, na terça-feira, eliminando o Barcelona contra todas as probabilidades, a Juventus seguiu erguendo a cabeça do futebol italiano no Santiago Bernabéu, nesta quarta. Ficou próxima do milagre ao abrir 3 a 0 e carregar o placar até os últimos segundos do duelo. A prorrogação já seria um feito incrível, fora de casa, contra o Real Madrid, atual bicampeão europeu. Mas o árbitro Michael Oliver marcou pênalti de Benatia em Lucas Vázques, nos acréscimos do segundo tempo, e Cristiano Ronaldo não decepcionou: 3 a 1 e vaga na semi para os espanhóis.

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Foi um jogaço, infelizmente decidido pela arbitragem, independente da sua interpretação do lance. Porque foi um pênalti bastante duvidoso, aberto a todos os gostos. Em certos ângulos, Benatia atropela Lucas Vázquez. Em outros, o toque do zagueiro da Juventus não parece ser suficiente para o espanhol desabar da maneira como desabou. E há quem acredite que, naquela situação, em que um pênalti na prática definiria a eliminatória, deveria ser uma falta muito mais clara e definitiva para ser marcada.

A reclamação italiana também recai na exagerada expulsão de Buffon, com cartão vermelho direto por reclamação, após a marcação do pênalti. O goleiro italiano foi, de fato, agressivamente para cima do árbitro. Mas, naquela situação, quem pode culpá-lo? A penalidade e a expulsão provavelmente encerram a carreira da lenda na Champions League. Não dava para esperar que ele acatasse a decisão de cabeça baixa e sangue frio.

A Juventus mais uma vez mostrou um caráter impecável nesta partida, como na fase anterior, contra o Tottenham. Ignorou as porcentagens e as dificuldades e acreditou novamente que poderia se classificar. Marcou cedo. O cronômetro nem havia chegado ao segundo minuto quando Douglas Costa roubou a bola no meio-campo, abriu com Khedira, que cruzou perfeitamente para Mandzukic, na segunda trave, cabecear para as redes.

Logo na sequência, Higuaín quase ampliou. Douglas Costa, de novo ele, cruzou rasteiro da direita. Navas deu rebote e Higuaín carimbou o goleiro costarriquenho. Depois do susto inicial, o Real Madrid conseguiu se assentar na partida e criou oportunidades. Foi quando apareceu Buffon e seu cartel de defesas: bloqueou Bale e Isco no mano a mano e também defendeu tentativa de Cristiano Ronaldo. Isco conseguiu furar a muralha, mas o gol foi anulado pelo árbitro, embora o meia espanhol estivesse em posição aparentemente legal.

Em jogada quase idêntica à do primeiro gol, a Juventus ampliou. Desta vez foi Lichtsteiner pela direita cruzando para a segunda trave. Mandzukic mais uma vez apareceu para completar. Varane encerrou o primeiro tempo com uma cabeçada no travessão. Não era uma partida perfeita da Juventus, mas sólida e precisa nas poucas oportunidades que apareceram. Zidane movimentou-se no intervalo. Tirou Casemiro e Bale para colocar os seus talismãs Asensio e Lucas Vázquez, que já resolveram a parada para ele em outras partidas.

O Real Madrid realmente melhorou. Mas quem marcou foi a Juventus. Douglas Costa cruzou, novamente pela direita, onde deitou em cima de Marcelo, lateral esquerdo titular da seleção brasileira, na sua cruzada em busca de confirmar vaga na Copa do Mundo. Navas tentou agarrar, mas não encaixou direito. Matuidi passou roubando a bola e fez 3 a 0.

A pressão era toda do Real Madrid. Varane, mais uma vez aparecendo bem no ataque, quase marcou, ao dominar dentro da área e girar batendo com perigo. Já nos acréscimos, Cristiano Ronaldo ganhou de cabeça pela direita e mandou para Vázquez, que sofreu o pênalti de Benatia. Ronaldo tinha a classificação em seus pés e não sentiu nem um pouco o momento. Mandou a bola no ângulo e colocou o Real Madrid mais uma vez nas semifinais, encerrando, com boa dose de crueldade, a candidatura da Juventus a uma remontada histórica.