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A Juventus tricampeã italiana deve muito à insaciável dupla que tornou seu time completo

Nenhum time é tricampeão italiano apenas por demérito dos outros. A Juventus se consagrou com seu terceiro título seguido na Serie A com sobras. E não porque Milan, Napoli e Roma, cada um em seu ano, não desafiaram os bianconeri na luta pela liderança. Mas porque o time de Antonio Conte foi muito superior do que qualquer concorrente que aparecesse por seu caminho, mesmo tendo sido colocado em xeque depois das primeiras rodadas desta campanha.

Nas duas primeiras temporadas, o clube acumulou incríveis 49 partidas sem perder, segunda maior marca da história na Itália. Desta vez, são 30 vitórias em 35 partidas, com o melhor aproveitamento entre as grandes ligas europeias, maior até que o do Bayern de Munique ou o do Paris Saint-Germain. Depois da vexatória derrota da Roma para o lanterna Catania, os juventinos puderam comemorar sem nem precisar jogar. A terceira estrela poderá finalmente ser bordada no peito com o 30º título oficial do clube – ainda que, para boa parte da torcida, são 32, considerando também os dois anulados por causa do Calciopoli.

Lógico que a crise econômica e o enfraquecimento de alguns gigantes, como Internazionale e Milan, facilitaram os trabalhos da Juve. Porém, não é apenas isso que explica o tricampeonato que acontece apenas pela terceira vez durante os últimos 65 anos da Serie A e que não é alcançado pela Vecchia Signora desde a década de 1930. O time que começou a campanha fraquejando, dando brechas a Roma e Napoli, conseguiu se reinventar. A partir de outubro, emendou 22 rodadas de invencibilidade, com 20 vitórias. O suficiente para disparar na ponta e assegurar a taça com duas rodadas de antecedência.

Conte durante jogo na Arena Juventus: nem ele escapou das brincadeiras do elenco após o título

Duas bases da Juventus campeã são evidentes desde 2010/11. O trabalho de Antonio Conte à frente do time, criando um padrão e sabendo balancear os talentos que tem à disposição. E também o Juventus Stadium, que complementou a renda dos bianconeri e ainda criou um caldeirão onde é dificílimo de bater os anfitriões – nesta campanha, são 17 vitórias em 17 jogos até o momento, com 43 gols marcados e apenas nove sofridos. Junto à fortaleza e ao comandante, um terceiro elemento pode ser acrescentado como tripé da equipe tricampeã italiana: a forma como o elenco evoluiu nestes três anos.

A grande capacidade defensiva foi o principal pilar dos bianconeri que venceram a Serie A de maneira invicta em 2011/12, com Buffon liderando a ótima linha de zaga formada por Chiellini, Bonucci e Barzagli. Em 2012/13, o destaque ficou para o meio-campo. Protagonista no título da temporada anterior, Andrea Pirlo ainda era o motor do time. Contudo, acompanhado de maneira bem mais marcante por Arturo Vidal, Paul Pogba e Claudio Marchisio. O chileno, inclusive, foi mais decisivo que o maestro italiano. Já desta vez, o crescimento do time se tornou completo graças ao salto de qualidade no ataque. Um equilíbrio completo de um time fortíssimo.

Carlos Tevez e Fernando Llorente acrescentaram muito à Juventus. Um atacante de raça, para buscar o jogo fora da área e com talento inigualável para carregar o time. Um centroavante de presença física, para abrir espaços para as subidas constantes dos companheiros e aumentar o potencial do jogo aéreo. Dois reforços que se completaram e encerraram os questionamentos que se mantiveram por tanto tempo sobre o ataque, com Vucinic, Matri, Giovinco, Quagliarella e quem mais tenha passado pelo setor nestes últimos três anos.

A Juventus já marcou 75 gols nesta temporada, mais do que nas duas anteriores, mesmo ainda tendo mais três partidas a fazer. Juntos, Tevez e Llorente balançaram as redes 34 vezes, os dois artilheiros da equipe, além de terem ajudado com 12 assistências. Nos anos anteriores, a dupla de ataque mais frequente entre os titulares não passou de 19 gols. Aumento da produtividade evidente, que só impulsionou a Velha Senhora a mais uma taça.

A maior questão agora é sobre o que a Juve pode fazer fora da Itália. Apesar do crescimento de Roma, Napoli e Fiorentina nesta temporada, dá para manter a hegemonia doméstica por mais algum tempo. O problema é fazer esse potencial ser sentido também na Liga dos Campeões, missão na qual os bianconeri têm fracassado – neste ano, some-se a decepção de cair na semifinal da Liga Europa e perder a chance de levantar uma taça continental em Turim. Time para isso a Juventus tem. Precisa é saber com a mesma imponência que tem feito há três anos na Serie A.