Oliver Kahn é uma bandeira do Bayern de Munique. Não fosse um tal de Sepp Maier (e, ao final da carreira, Manuel Neuer também deve ser incluído nesta discussão), o vice-campeão do mundo em 2002 poderia ser considerado o melhor goleiro da história dos bávaros. Se não foi tão brilhante quanto o seu mestre, ao menos possui a honra de ter se tornado o grande protagonista na reconquista da Liga dos Campeões após 25 anos, quando fechou o gol contra o Valencia em 2001. A percepção sobre Kahn na Baviera, todavia, poderia ser diferente. Nesta quinta, em entrevista ao Sport Bild, ele revelou que quase se transferiu ao Manchester United em meados da década passada.

“Alex Ferguson ainda fica maluco comigo hoje em dia. Ele realmente acreditou que eu poderia me transferir ao Manchester United em 2003 e 2004. Mas, naquele momento, estabelecer uma era em Munique parecia mais importante para mim. Olhando para trás, eu acho que eu deveria ter aceitado a proposta. Seria um belo desafio”, afirmou o veterano.

Naquele momento, embora permanecesse absoluto na meta do Bayern de Munique, Kahn começava a viver o declínio de sua carreira. Entre 34 e 35 anos de idade, conquistou a Bundesliga mais três vezes depois disso. Contudo, as falhas se tornavam um pouco mais frequentes e ele perderia a titularidade na seleção para Jens Lehmann, voando com o Arsenal. O Manchester United, por sua vez, sofria com a inconstância em sua meta. Fabien Barthez foi bastante contestado em Old Trafford, enquanto Tim Howard se tornou uma aposta que não se concretizou. Além deles, Roy Carroll também esteve entre os titulares, sem emplacar. Ferguson só encontraria o verdadeiro dono de sua meta em 2005, quando buscou Edwin van der Sar no Fulham. Então, teve um digno herdeiro a Peter Schmeichel e um dos melhores goleiros da história dos Red Devils.

Permanecendo no Bayern, Kahn conseguiu construir alguns recordes notáveis. É o goleiro com mais partidas disputadas pela Bundesliga e o terceiro jogador com mais aparições. O veterano, todavia, aponta que isso é algo secundário: “Os recordes não são a coisa mais importante para mim. Foi muito mais atrativo estabelecer uma era com o restante do time. Em 14 anos no Bayern, tive grandes companheiros. Fui capaz de chegar a estes números com a ajuda deste ambiente”. Vale lembrar que o alemão iniciou sua carreira no Karlsruher, no qual atuou profissionalmente por sete anos, até se transferir a Munique em 1994, após ser reserva na Copa do Mundo.

Por fim, a menção do Manchester United trouxe à tona outra lembrança a Oliver Kahn: a histórica final da Liga dos Campeões de 1999, em que os Red Devils viraram o placar contra o Bayern nos acréscimos do segundo tempo. “Para mim, aquele jogo ainda está guardado na memória como uma vitória. Eu deletei os dois últimos minutos da minha mente”, brinca, sobre o trauma que ficou. Se jogasse em Old Trafford, como Fergie queria, talvez esta lembrança latejasse a todo momento.