Kaká: o mais regular de uma geração de craques que não atingiu seu potencial

O quarteto mágico original era formado por Ronaldo, Adriano, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Com exceção do Fenômeno, um pouco mais velho, nasceram entre 1980 e 1982. E deveriam ter sido os líderes técnicos de toda uma geração. O que chegou mais próximo disso foi Kaká, que anunciou sua aposentadoria, aos 35 anos, neste domingo, em entrevista à Rede Globo.

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Embora também tenha tido os seus problemas, no âmbito físico, Kaká foi o mais regular desses grandes jogadores que o Brasil produziu na última década, que deveriam ter estado presentes na Copa do Mundo de 2014 para ajudar na transição para a próxima geração, liderada por Neymar. Por diferentes motivos, mesmo com idade para disputar o torneio, nenhum estava no grupo para, por exemplo, impedir que o Brasil se abalasse pela lesão do seu craque ou perdesse totalmente a concentração na semifinal contra a Alemanha.

Robinho passou por altos e baixos e escolhas equivocadas na carreira. Ronaldinho Gaúcho basicamente desencanou depois de 2006. Teve lapsos nos anos seguintes, como o título da Libertadores do Atlético Mineiro, mas nunca mais foi o mesmo jogador. E Adriano, além de uma certa falta de profissionalismo, teve problemas pessoais e de saúde que o impediram de atuar em alto nível durante muito tempo.

Kaká teve problemas físicos. Foi operado no joelho, depois da Copa da África do Sul, e passou quase uma temporada inteira no estaleiro. Nas seguintes, alternou demais entre o banco de reservas e o time titular para um jogador consagrado, caro e com sua qualidade técnica. Não conseguiu liderar o projeto galáctico do Real Madrid junto com Cristiano Ronaldo, nem voltar a ser o mesmo jogador de antes da lesão.

O grande segredo do estilo de Kaká, o que o fez se tornar um dos primeiros protótipos do jogador de futebol moderno, era sua capacidade de combinar o físico e a técnica. Além de ser muito bom de bola, era forte como um touro e rápido como uma gazela. Não é coincidência que sua marca registrada eram as arrancadas e o que o seu desempenho sofreu uma vez que o seu corpo começou a gritar. Antes disso, porém, Kaká teve uma carreira exemplar. Tanto em conquistas e números, quanto na postura como atleta profissional, o que algumas vezes faltou para os seus colegas de geração. Sempre atuou em altíssimo nível.

Pelo São Paulo, que lhe valeu convocação para a Copa do Mundo de 2002 e que posteriormente liderou na ótima campanha da primeira fase do Brasileirão de 2002. Pelo Milan, que recebeu 104 gols em 307 partidas do brasileiro e, em troca, lhe deu títulos do italiano, europeu e mundial. Foi com a camisa vermelha e preta que Kaká se tornou o último brasileiro e o último no geral a ser eleito melhor jogador do mundo antes da era de Messi e Cristiano Ronaldo.

E pela seleção brasileira. Se decepcionou na Alemanha, Kaká foi o líder do ciclo comandado por Dunga, com exibições devastadoras, golaços contra a Argentina e arrancadas memoráveis. Seu estilo de jogo casava muito bem com a proposta do treinador, de ter uma boa defesa e agredir na bola parada e nos contra-ataques. Não foi campeão mundial pela segunda vez, mas teve a Copa como protagonista que Ronaldinho Gaúcho e Adriano não conseguiram ter.

Após a saída do Real Madrid, Kaká fez o circuito de volta para casa com uma temporada no Milan e seis meses no São Paulo. Contribuiu com a última grande campanha tricolor no Brasileirão, o vice-campeonato de 2014, sem brilhar demais, mas sendo uma engrenagem importantíssima daquela equipe, sacrificando-se para o funcionamento coletivo em vez de apenas buscar os grandes lances.

Mostrou o futebol que se esperava dele no Orlando City, claramente alguns patamares acima dos companheiros de time e de Major League Soccer, e foi importante para o clube se firmar na liga americana. Vendeu muita camisa, ajudou no relacionamento com a comunidade local, foi capitão das estrelas da MLS e liderou duas brigas por vaga nos playoffs em três anos, o que é um feito bem razoável para uma equipe novata.

As possibilidades reais para Kaká seriam mais um retorno ao São Paulo ou buscar mais alguns dólares, se ainda couberem na sua conta, no futebol chinês. Decidiu, porém, que era a hora de fechar a cortina da sua carreira, cheia de glórias, consagrações e muito profissionalismo. Agora, estudará para ser dirigente, e é difícil duvidar que também pode ter sucesso nessa nova profissão.

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