Keylor Navas sai do gol para salvar a Costa Rica (AP Photo/Ricardo Mazalan)

Keylor Navas provou que é mesmo o herdeiro do melhor goleiro da Copa de 90

A Costa Rica disputou sua primeira Copa do Mundo em 1990. Outros tempos para os Ticos, em que a disputa por vagas na Concacaf era muito mais ferrenha. Os costarriquenhos se beneficiaram da ausência do México e ficaram com uma das duas vagas da região. E se enganou quem pensava que o estreante seria o saco de pancadas em um grupo com adversários tradicionais: a seleção da América Central vendeu caro a derrota para o Brasil, além de vencer Suécia e Escócia. O destaque era Luis Gabelo Conejo, goleiro que fechou a meta dos Ticos naqueles três jogos. Mas que não pôde enfrentar a Tchecoslováquia nas oitavas de final por causa de uma lesão. Eliminado com a goleada por 4 a 1, Conejo acabou consolado com o prêmio de melhor goleiro daquele Mundial, ao lado de Goycochea.

Costa Rica 1×1 Grécia (5×3 pen): Ticos resistem com um a menos e conquistam vaga inédita

Aquela história é parecida com a de 2014. Porém, com contornos bem mais épicos. Assim como há 24 anos, a Costa Rica deveria ser atropelada em seu grupo, o primeiro da história com três ex-campeões mundiais. Não só passou invicta, como também foi a primeira colocada da chave. Ao invés de um adversário mais duro como a Tchecoslováquia de 1990, encontraria a Grécia. E, apesar da pressão sofrida desde a metade do segundo tempo, quando os Ticos ficaram com um jogador a menos, conseguiram levar a decisão para os pênaltis e triunfar. Graças ao seu goleiro. Keylor Navas também é o grande nome costarriquenho na Copa, da mesma forma como era Conejo. Mas, apesar de sentir algumas dores durante o jogo, estava inteiro para levar o país às inéditas quartas de final.

A torcida costarriquenha tinha plenas confianças em Navas desde antes do Mundial. Afinal, ele é o herdeiro natural de Conejo, e muito mais do que por meras coincidências. O goleiro surgiu no Saprissa e foi levado à Europa graças ao antigo titular da seleção. Conejo indicou Navas ao Albacete, o clube que defendeu logo após a Copa de 1990. E o sucesso na equipe da segunda divisão espanhola atraiu o interesse do Levante, que o contratou por apenas € 150 mil em 2011/12.

Keylor Navas provou que seu valor era muito maior do que este, depois de duas temporadas como reserva. Justo no primeiro ano como titular, acabou apontado por muitos como o melhor da posição no Campeonato Espanhol – e, inclusive, por pouco não estragou a festa do Atlético de Madrid na competição. Em uma seleção que havia perdido nomes importantes, como Saborío e Oviedo, o arqueiro se tornaria uma das estrelas. Seu treinador de goleiros na equipe nacional? Justamente Conejo, para Navas cumprir todas as expectativas sobre seu futebol.

Ainda que Joel Campbell e Bryan Ruiz tenham se destacado nas vitórias sobre Uruguai e Itália, Navas tinha sido igualmente decisivo. Foram duas boas defesas contra a Celeste, mais quatro contra a Azzurra. Até que o jogo contra a Grécia o consagraria. Se a Costa Rica não sucumbiu no tempo normal ou na prorrogação, foi graças ao goleiro. Foram sete defesas em toda a partida, três delas sensacionais. Sofreu o gol aos 47 do segundo tempo quando já estava batido por outra boa intervenção. E, nos pênaltis, se afirmou ao espalmar a cobrança de Theofanis Gekas. O herói da classificação.

Navas não é um goleiro muito alto. Compensa pelo ótimo senso de posicionamento, que faz a diferença. Também tem boa elasticidade e impulsão. E passa muita segurança à defesa. Algo que foi essencial em jogos tão difíceis para a Costa Rica e que, mais uma vez, o desafiará contra a Holanda. Porque, até o momento, o camisa 1 não encarou finalizadores tão qualificados quanto Van Persie, Robben e Sneijder juntos.

Como Conejo teve a honra, Navas se encaminha para ser apontado como o melhor goleiro da Copa. Uma disputa dura contra Júlio César, Ochoa, Enyeama, Courtois. Se o goleiro dos Ticos não vencer o prêmio ou mesmo se não conseguir levar a seleção às semifinais é o de menos. Desde já, Keylor Navas já é um dos maiores heróis nacionais, tanto quanto o seu mentor.