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Khedira e Kroos foram os tratores que esmagaram o Brasil

A Alemanha havia feito o seu melhor jogo da Copa contra a França. Joachim Löw sabia como o time de Didier Deschamps jogaria. E, por isso mesmo, montou uma equipe para anular o meio-campo dos Bleus, seu setor mais forte. Sem Neymar, os alemães até poderiam não saber como o Brasil jogaria. Mas o Nationalelf manteve a escalação. Desta vez não só venceu, como também massacrou. Graças à intensidade de seu meio-campo. Com Khedira e Kroos, a Alemanha esmagou o Brasil em apenas 30 minutos.

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Assim como já tinha sido contra a França, Löw poupou Schweinsteiger do trabalho mais duro. O craque do meio-campo jogou como primeiro volante. Uma versão alemã de Andrea Pirlo, pronto para ditar o ritmo de trás e sem ser tão exigido no trabalho de marcação. Uma escolha inteligente, ainda mais para um jogador que perdeu o início da Copa justamente por lesão. A barreira que não deixava o Brasil passar do meio-campo era formada logo à frente do camisa 7. Sem a bola, o 4-3-3 se transformava em 4-1-4-1. A chave para a goleada alemã.

Porque Thomas Müller e Mesut Özil faziam grande trabalho pelos lados de campo. Os dois homens mais abertos do ataque anulavam os laterais como opções de passe. Miroslav Klose, por mais que não tenha tanta mobilidade, atrapalhava o passe a partir dos zagueiros. E, no confronto com Luiz Gustavo e Fernandinho, Kroos e Khedira jogaram o Brasil contra a parede.

khedira kroos

O mapa de calor de Khedira e Kroos na partida

Os dois meio-campistas não são tão rápidos, mas possuem uma consistência enorme na marcação. Isso foi fundamental para bloquear a saída de jogo do Brasil, até porque a ligação no meio-campo do Brasil era outra vez precária. A pressão de Khedira e Kroos servia para que a Alemanha roubasse a bola no campo ofensivo e iniciasse as jogadas logo ali, com a dupla em tarde inspiradíssima. Não à toa, tiveram participação direta em quatro dos cinco primeiros gols da Alemanha.

Toni Kroos, que teve muitas atuações burocráticas neste Mundial, foi bem mais vertical em suas ações. Partindo para cima da desmontada cabeça de área brasileira, o jogador do Bayern de Munique tirou proveito de sua qualidade nos passes e na definição. Bateu o escanteio para Thomas Müller abrir o placar, arriscou de fora da área no terceiro tento, tabelou com Khedira e com Özil no quarto e no quinto. Sua liberdade foi imprescindível.

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Ainda assim, ninguém impressionou mais do que Khedira. Para um volante que costuma ser mais defensivo e que vinha de lesão, o camisa 6 demonstrou uma energia gigantesca. Foi excelente na pressão a Luiz Gustavo e na ocupação de espaços. Um tanque com habilidade para trocar passes em velocidade, o que desnorteou a Seleção. Deu o passe para o quarto gol e ainda foi premiado com o quinto, para que sua excelente atuação ficasse ainda mais destacada.

No final, com o Brasil morto, a Alemanha ainda marcou mais dois gols. O placar de 7 a 1 deixou a derrota ainda mais vexatória. O atropelamento, de qualquer forma, já tinha se dado quando Khedira e Kroos mais jogaram bola. Joachim Löw sofreu muitas críticas depois dos quatro primeiros jogos da Alemanha, mas também merece os créditos pela forma como reinventou o Nationalelf durante o Mundial. Deixou de lado o futebol de toque de bola para ser muito mais incisivo. Para conquistar um dos maiores resultados da história das Copas.