Gilson Kleina, ex-técnico do Palmeiras

Kleina não era o único culpado, mas o Palmeiras precisava começar por alguma coisa

Tudo a seguir aconteceu em um espaço de pouco mais de um mês: o Palmeiras foi eliminado pelo Ituano na semifinal do Campeonato Paulista; perdeu o principal jogador para o São Paulo; foi derrotado em duas das três primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro; o goleiro e líder do elenco machucou-se e vai ficar três meses fora; a referência técnica do time sofreu outra lesão, embora não seja tão grave; e levou uma virada do Sampaio Corrêa na Copa do Brasil.

>>>> O que Paulo Nobre pode aprender com o Football Manager
>>>> Quando tudo parecia caminhar bem, a turbulência volta ao Palmeiras

O palmeirense não teve um segundo para respirar. A sua confiança, já muito abalada pela década de poucas conquistas e muitas humilhações, foi destruída por um combo de golpes rápidos e certeiros. Assustou-se com essas cenas, tão semelhantes a outros momentos da história recente, como os rebaixamentos de 2002 e 2012. O Palmeiras começou a percorrer um trajeto familiar demais rumo ao fundo do poço e precisava mudar de direção, não importa para que lado. A única coisa imediata a se fazer era trocar o técnico. E por isso Gilson Kleina foi demitido.

Seu trabalho teve bons e maus momentos. Os melhores foram no começo dos dois Campeonatos Paulistas. Chegou a dar alguma esperança para o torcedor, mas as eliminações foram implacáveis: para Santos de Neymar, nos pênaltis depois de jogar melhor na Vila Belmiro, e Ituano, em casa. Fez uma Libertadores decente e subiu com sobras para a primeira divisão, obrigação para um clube com orçamento tão grande em relação aos adversários.

O problema é que esses bons momentos não tiveram continuidade, e ainda esconderam alguns problemas que o time não conseguia resolver. Em 2013, contra times de Série B e com Henrique em campo, a defesa do Palmeiras sofria. O ataque resolvia na frente, mas era evidente que a retaguarda precisaria mudar muito quando o Alviverde retornasse à elite. Não montar um sistema defensivo confiável foi um dos principais pecados de Kleina. A impressão da passagem dele é que o time chegava a certo ponto e não conseguia ultrapassá-lo, por limitação do treinador ou do próprio elenco.

Provavelmente, um pouco dos dois. Kleina, dentro desse ambiente conturbado e com tantas saídas de jogadores, não pode ser apontado como o principal responsável de jeito nenhum. Isso é praticamente irrelevante, porém. O presidente Paulo Nobre também não é o único culpado. Pegou o clube após uma sequência de administrações desastrosas e está apenas mantendo o nível dos antecessores, com pequenas variáveis. Demitir o treinador não é a solução para os problemas do Palmeiras: é a única coisa que pode ser feita neste momento.

>>>> Palmeiras subiu, mas não tem tanto a comemorar

E o futuro é obscuro. Depois de tanta pressão em cima de Kleina, Nobre deve buscar um nome forte para ter alguém com quem dividir responsabilidades e a pressão de torcedores e imprensa. Não vai apostar. Só que ir atrás de uma grife, neste momento, é tão perigoso quanto dirigir na Marginal Tietê de olhos vendados. No mercado, estão disponíveis Émerson Leão, Paulo Autuori e Vanderlei Luxemburgo, treinadores com as costas do tamanho que o presidente precisa para compartilhar a responsabilidade, mas tão longe dos seus auges que mal conseguem avistá-los.

A melhor opção para o Palmeiras seria Tite, praticamente impossível pela relação recente com o Corinthians e porque tem nome forte o suficiente no mercado para esperar um convite de peso depois da Copa do Mundo. Felipão? Caro, nunca aceitaria e o clube não pode esperar o fim do Mundial. Precisa usar a folga para formar um time. O ex-lateral Arce, Ney Franco ou Enderson Moreira estão empregados, mas seriam acessíveis. Dorival Junior, sobrinho de Dudu e desempregado, pode ser uma alternativa.

Mas nenhuma das opções realistas passa a confiança de que as coisas finalmente vão mudar de vez e para melhor. A morte do torcedor é quando ele não se dá mais ao direito de sonhar, e o palmeirense está começando a passar por isso.

Você também pode se interessar por:

>>>> 15 momentos históricos do Corinthians no Pacaembu
>>>> Esqueça o fim da carreira, Rivaldo foi um craque e merece ser reverenciado
>>>> Palmeiras promove o clube da melhor forma possível: usando os ídolos da sua história