A saída do Reino Unido da União Europeia ainda rende discussões, mesmo dentro do futebol. O técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, comentou o assunto ao ser perguntado pelo jornal Guardian. E mostrou ser claramente contra a decisão que foi tomada pelos britânicos. Para ele, houve difusão de muitas informações incorretas na época do referendo e as pessoas deveriam poder votar novamente. Na entrevista, o treinador ainda ressaltou o núcleo inglês do Liverpool, que é líder do grupo.

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“Quando o senhor [David] Cameron teve a ideia [do referendo], você pensa: ‘Isso não é algo que as pessoas deveriam decidir em um momento’. Nós todos somos influenciados pelo modo como apenas alguns argumentos são dados e uma vez que a decisão está tomada, ninguém dá uma chance real para mudar isso de novo. A escolha foi ou ficar na Europa, que não é perfeita, ou ir para algo que ninguém tem ideia de como vai funcionar”, argumentou o treinador do Liverpool.

“Então você dá as pessoas a chance para tomar essas grandes decisões. E aí é uma votação com 51% a 49% [precisamente, 41,9% a 48,1%] e você está pensando: ‘Uau, 49% não estão felizes com essa decisão que irá mudar o país’. Para os 51%, eu tenho certeza que eles perceberam rapidamente depois de votar: ‘O que nós fizemos?’”, continuou o treinador.

“Os dois líderes da campanha a favor do Brexit então saíram de cena. Foi um puro sinal que eles mesmos ficaram surpresos pelos votos. Ok, isso pode acontecer. Mas então, vamos lá, vamos sentar juntos novamente. Vamos pensar sobre isso de novo e vamos votar de novo com as informações certas – não com as informações que você tinha na campanha do Brexit. Elas obviamente não estavam corretos, não todas elas. Não faz sentido algum”, afirmou o alemão.

O futebol é uma das áreas que os estrangeiros ocupam muito espaço, o que é motivo de debate justamente porque muitos jogadores ingleses perdem espaço vindo da base. O Liverpool de Klopp, porém, tem uma base inglesa sólida e, segundo Klopp, eles são os líderes do elenco. “Os ingleses lideram o grupo. Tottenham e nós somos basicamente a seleção inglesa e eu gosto disso”, afirmou o treinador.

“Quando eu falo com as pessoas, eles dizem ‘Eu quero continuar [na Europa], mas eu não quero falar disso porque eu não sinto ainda como pessoa’. Eu sinto isso constantemente porque desde que eu vim para cá, a Libra caiu. As pessoas saem de férias e dizem: ‘A Espanha está muito cara!”. Mas é apenas porque a Libre não é tão forte mais. A União Europeia não é perfeita, mas é a melhor ideia que temos. A história mostrou que quando ficamos juntos, nós podemos resolver problemas. Quando nós separamos, começamos a brigar. Não houve uma vez na história quando a divisão criou sucesso. Então, para mim, o Brexit não faz sentido”, disse.

Alemão, Klopp mostrou admiração pela chanceler do seu país, Angela Merkel. “Ela está fazendo um trabalho inacreditável”, disse. Na Alemanha, Klopp é apontando como um potencial futuro político. O treinador, porém, não parece muito disposto. “Angela Merkel tem duas semanas de folga por ano. Isso é menos férias que eu tenho, o que significa que absolutamente não é o meu objetivo”.

Com o Brexit, os jogadores nascidos em países da União Europeia serão considerados estrangeiros. As regras ainda não estão definidas completamente e estrangeiros que já possuem contratos com os times ingleses continuarão com permissão de trabalho até que precisem renovar o contrato. Segundo levantamento feito pela Four Four Two, se as regras atuais de permissão de trabalho para estrangeiros valessem para aqueles que são da União Europeia atualmente na Premier League, cerca de 75% deles teriam seus vistos negados. A discussão sobre isso, porém, ainda deve fazer com que as regras sejam menos rígidas.

Segundo pesquisa da ICM, em um projeto do Guardian, 47% das pessoas ouvidas são a favor de um novo referendo sobre o assuntos e outros enquanto 34% é contra ter uma nova votação. Os outros 19% consultados na pesquisa não tiveram opinião sobre o assunto. As negociações entre o Reino Unido e a União Europeia têm sido duras e há uma certa desconfiança em como elas terminarão, o que, segundo o próprio Guardian, tem influenciado na pesquisa que mostra uma maior quantidade de pessoas a favor de novo referendo.