Luis Suárez quis sair do Liverpool em 2014. Philippe Coutinho quis sair em 2017 e saiu no começo de 2018. Nas duas vezes, a perda da principal estrela suscitou um debate na Inglaterra: o Liverpool se tornou um clube vendedor? Jürgen Klopp, técnico do Liverpool, espera fazer com que o clube seja atraente o suficiente para que os jogadores não queiram sair.

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Grandes clubes europeus, como o Liverpool, não estão acostumados a perder jogadores pelos jogadores quererem a glória. Sim, vai além do dinheiro: é a chance de títulos dos maiores possíveis. A diferença, especialmente econômica, entre os times do topo cresceu. Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique, outros com muita grana no bolso, como Paris Saint-Germain e Manchester City parecem monopolizar as contratações, seja por prestígio, seja por dinheiro.  Então, o que fazer?

“Há outros lugares com clubes de futebol. Os jogadores podem querer sair. Isso pode e provavelmente ainda vai acontecer no futuro”, declarou o treinador. “Não é um grande problema, mas não podemos deixar isso acontecer com frequência. Me deixe dizer isso desta forma. Nós temos que dificultar para que eles saiam daqui. Nós temos que criar uma situação em que os jogadores queiram ficar”.

Um dos jogadores que se especula que irá sair é o meio-campista Emre Can. O alemão só tem contrato até junho e é abertamente desejado pela Juventus. Apesar da incerteza sobre a sua permanência, Klopp não tem qualquer intenção de tirá-lo do time. “Emre está aqui no momento e isso é a coisa mais importante”, afirmou Klopp.

“Se ele continuar jogando como está no momento, especialmente com a lesão de Hendo [Jordan Henderson], jogando praticamente o tempo todo, o que é difícil”.

“Por 60, 70 minutos ele foi fora de série contra o Manchester City. Impressionante e coisas assim. Nós iremos ver o que acontece. Nesta idade, nem todos eles são jogadores de um clube só”, afirmou o jogador.

Podemos dizer que o Liverpool já tem dificultado a vida dos johadores para deixar o clube. Coutinho só saiu de Anfield depois de uma proposta assustadora do Barcelona, € 120 milhões (e mais € 40 milhões em bônus), algo que deu fôlego para o time buscar o que queria. Como por exemplo o zagueiro Virgil Van Dijk, que custou € 78,8 milhões. Ainda há possibilidade do clube contratar outro jogador para o lugar de Coutinho, mas é possível que vejamos o time de Klopp guardando suas fichas para o final da temporada.

O Liverpool é enorme e isso não precisa ser explicado para ninguém. O canto da sereia para os jogadores atuais é jogar em um dos super times que se formam na Europa, esses que entram na Champions League como favorito. Por consequência, são também favoritos nos seus países.

O Liverpool não está entre eles e, para chegar nesse nível, é preciso constância. Participações consecutivas na Champions League, com boas campanhas e, claro, especialmente ganhar títulos. Os títulos fazem diferença na forma como o clube é visto. Se Klopp quer que o Liverpool seja um destino desejado, e não um patamar de crescimento, é preciso fazer com que o clube esteja entre os que disputam e conquistam. É esse o passo que falta ao Liverpool para evitar novos casos como o de Coutinho.