Vincent Kompany está no Manchester City desde 2008 e é capitão da equipe. Não dá para contestar sua lealdade com o clube. Mas foi uma lealdade consciente ou resultado das circunstâncias? O zagueiro de 31 anos não se engana: para ele, em entrevista ao Daily Mail, lealdade é um tópico complicado no futebol – e relevante em uma janela de transferências com tantos jogadores forçando suas saídas para outros clubes.

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“Todo mundo quer ter lealdade, mas, na realidade, os treinadores estão pensando: ‘se eu conseguir encontrar um jogador melhor, você está fora’, e os jogadores estão pensando: ‘se eu conseguir achar um clube que vença mais jogos, eu estou fora'”, explicou. “Eu tive a sorte de estar em um clube que cresceu na medida que minha carreira se desenvolveu. Mas, algumas vezes, você tem treinadores e diretores que tomam decisões, e se você não está nos planos, você pode amar o clube o quanto quiser, mas você talvez tenha que ir embora”.

Kompany viu isso acontecer com antigos companheiros de vestiário, como Joe Hart e Pablo Zabaleta. Como capitão, tem a função de contar aos jovens que estão saindo das categorias de base tudo que esses e outros ídolos do City fizeram pelo clube. Preservar a memória. “Eu tenho tantas memórias nos vestiários. Na minha primeira temporada, os brasileiros Robinho e Elano faziam embaixadinhas com as meias, fazendo o resto se sentir como amadores”, afirmou.

“O barulho era algo chocante também, vindo do Hamburgo do futebol alemão, onde tudo era muito sério. Na Inglaterra, há muito barulho, brincadeiras. Mark Hughes gostava de colocar vídeos motivacionais de vez em quando”, acrescentou. “Normalmente, parece algo desesperado para o treinador fazer, certo? Mas funciona. Aumenta a união. Se você enfrenta um gigante, como vários clubes pareciam para o City naquela época, você o encara sem medo”.

Atrapalhado por lesões, Kompany jogou apenas 15 vezes na última temporada, a primeira de Guardiola no comando do clube. Não conseguiu entrar em campo tanto quanto queria, mas pelo menos teve tempo para se aprofundar nos ensinamentos do técnico espanhol. “Trabalhamos muito duro para chegar a este controle do jogo, abafando os adversários. Nada é deixado para a sorte. É a primeira vez na minha carreira que eu trabalho tão duro em um plano de jogo. Na segunda temporada, temos alguns novos jogadores para integrar, mas, no geral, há menos para aprender, parece mais natural”, afirmou.