Foram necessárias 18 temporadas e 36 torneios disputados para que, enfim, um clube mexicano conquistasse tanto o torneio Apertura quanto o Clausura para alcançar a inédita dobradinha no futebol azteca. Coube ao León, um clube tradicional que permaneceu dez desses 18 anos longe da elite, obter o feito. Com uma boa dose de emoção, os Verdes deram a volta por cima para alcançar seu sétimo título da Liga MX.

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Diferente da supremacia imposta no Apertura, quando permaneceu durante todo o campeonato brigando pela liderança e obteve triunfos categóricos sobre os adversários no mata-mata para conquistar o título máximo do circuito azteca, a campanha atual primou pela emoção e por pitadas de superação.

Ocupando a 14ª posição a apenas duas rodadas do fim da primeira fase, e sem muitas expectativas de brigar por um lugar na pós-temporada, o clube conquistou triunfos incontestáveis sobre Tigres (3×0 no Nou Camp) e Tijuana (2×1 no Caliente) nas últimas duas partidas da primeira fase para ficar com a oitava vaga, desbancando Chiapas e Monterrey somente pelo saldo de gols.

Nos playoffs, nada de muito brilho nas exibições. O fator casa, muito bem explorado na primeira parte da temporada, também pouco apareceu, restando aos comandados de Gustavo Matosas bater os adversários na casa do inimigo. Nas quartas, contra um favorito, “Superlíder” e campeão continental Cruz Azul, um empate em Guanajuato obrigou La Fiera a buscar a vaga na capital. E mesmo saindo em desvantagem de dois gols, os Panzas Verdes coseguiram o empate e avançaram pelo número de gols fora. Contra o Toluca, partidas acirradas e duas vitórias mínimas para alcançar a decisão.

E mesmo na final faltou um grande futebol. Surpreendido em casa pelo jovem time do Pachuca, o León foi buscar a virada em Hidalgo. Mais experiente, dosou a ansiedade e o ímpeto de partir para cima desde o início, obteve o gol da vitória na segunda etapa e contou com uma cabeçada providencial do zagueiro Ignacio González a menos de dez minutos do fim da prorrogação para levantar a taça.

Uma campanha longe de ser brilhante, mas suficiente para garantir o inédito bicampeonato dentro da mesma temporada (o Pumas levou Clausura e Apertura em 2004, mas não na temporada completa, que leva em consideração o calendário europeu), repetindo o bi nacional de 65 anos atrás, nos primórdios do profissionalismo do futebol mexicano.

Uma conquista que coroa ainda mais o excelente trabalho do jovem técnico uruguaio Gustavo Matosas. Segundo treinador com mais tempo de permanência entre os clubes da elite (atrás apenas do brasileiro Ricardo Ferretti, que segue no Tigres), o ex-meia de nível mediano com passagens por São Paulo, Atlético-PR e Goiás assumiu os Esmeraldas em 2012, obteve o acesso no ano seguinte e precisou de apenas um ano para dominar a temporada azteca.

Um trabalho calcado principalmente em um elenco de jovens atletas sem espaço em outros grandes do futebol local, mas com grande potencial. Um dos principais responsáveis pela permanência dos nomes que se destacaram na conquista da Liga de Ascenso, fator primordial para valorizar o trabalho e conquistar o grupo no retorno à elite, o treinador percebeu logo na primeira temporada a necessidade de adicionar experiência na dose e no momento certo para chegar ao título.

A boa recuperação de Rafa Márquez, capitão e líder do time, o bom momento do argentino Mauro Boselli e os gols oportunos do veterano Miguel Sabah entram na conta do uruguaio. Estrangeiros, aliás, não se tornaram as principais apostas em Guanajuato. São apenas cinco (quatro no setor ofensivo e um no meio-campo), o que ressalta ainda mais o bom trabalho com jovens no clube, sejam revelações da base, sejam jogadores sem lugar nos rivais. Edwin Hernández e Carlos Peña, por exemplo, dois dos destaques do time na conquista, são revelações da base do Pachuca que, sem espaço em Hidalgo, desenvolveram seu potencial em León, ambos com convocações à seleção.

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A conquista também aumenta um pouco mais a responsabilidade do grupo, que entra na próxima temporada com o peso do favoritismo e a cobrança por uma boa performance em competições continentais, principalmente após o fiasco de ser eliminado pelo Bolívar (BOL) na Libertadores desse ano. Classificado para a Concachampions depois de 20 anos de ausência, o clube sonha ao menos repetir sua última campanha, quando ficou com o vice-campeonato da Copa dos Campeões em 1993. Á julgar pelo bom momento vivido pelos Esmeraldas, contudo, sonhar com um inédito título continental e uma possível participação no Mundial deixou de ser algo distante.

Curtas

El Salvador

- Um empate sem gols fora de casa eliminou o líder da primeira fase FAS e colocou o Dragón na final da Primera División. Bicampeão nacional, “El Monstruo Verde” tentará por fim a uma fila de 60 anos contra o atual campeão Isidro Metapán, que bateu o Juventud Independiente e segue em busca de sua nona taça da Liga Mayor;

Guatemala

- Com dois triunfos mínimos sobre o arquirrival Municipal, o Comunicaciones sagrou-se tetracampeão consecutivo e alcançou sua 28ª taça da Liga Nacional, apenas uma a menos que os rojos, maiores vencedores do torneio. Terceiro colocado na fase regular, os Cremas não deram chances aos adversários no mata-mata, vencendo todos os seis duelos dos playoffs para ficar com o título;

Panamá

- Um gol solitário de Sergio Moreno já nos acréscimos da segunda etapa garantiu o bicampeonato da Liga Panamenha ao Chorrillo. A vitória dos chorrilleros impediu também a inédita conquista nacional do modesto Río Abajo, que já está matematicamente rebaixado para a próxima temporada, mesmo alcançando a decisão;

Nicarágua

- Com um empate sem gols no duelo da volta contra o Diriangén, o Real Estelí confirmou o favoritismo, levou o torneio Clausura e alcançou seu 14º título da Liga Nacional, já que conquistou também o Apertura. A oitava taça consecutiva também reafirmou o domínio do clube a nível nacional: foi a 20ª final disputada pelo time desde o início do formato em torneios curtos em 22 edições, com 17 triunfos e apenas 3 derrotas;

Jamaica

- Após eliminar o Arnett Gardens com um triunfo fora de casa, o líder da primeira fase Waterhouse fará a decisão da National Premier League contra o Montego Bay, que superou o atual campeão Harbour View. Os dois finalistas somam duas conquistas cada e tentarão o tricampeonato da Red Stripe Premier League;

Trinidad & Tobago

- Mesmo ficando apenas no empate frente ao Caledonia, o W Connection manteve a ponta da TT Pro League, com 50 pontos em 24 jogos, já que o atual campeão Defence Force foi derrotado pelo vice-lanterna San Juan Jabloteh e foi alcançado em pontos pelo Central, que bateu o St. Ann’s Rangers e chegou aos 45 pontos;

Cuba

- Com uma vitória sobre o Sancti Spíritus, o Ciego de Ávila alcançou 35 pontos em 15 rodadas no Campeonato Nacional e manteve a vantagem de quatro pontos na liderança para o atual campeão Villa Clara, que goleou o La Habana por 6×2 fora de casa, com três gols de Yoandir Puga. Já o tradicional Pinar del Río segue em má fase, perdendo em casa para o Guantánamo e ostentando a lanterna, com apenas 7 pontos;

Haiti

- Um empate frente ao Cavaly não foi suficiente para tirar o America des Cayes do topo da Digicel Première Division, com 21 pontos em 10 partidas. Isso por que o vice-líder Baltimore foi derrotado pelo Aigle Noir e estacionou nos 16, mesma pontuação do Tempête, que bateu o Violette no fim de semana. Atual campeão, o Mirebalais é o nono, com 11 pontos.

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