Apenas um dia depois da arbitragem controversa de Las Palmas e Barcelona, o Campeonato Espanhol alinha a adoção do vídeo-árbitro em sua primeira divisão. Os dirigentes espanhóis já vinham sinalizando a abertura. Já nesta sexta, em reunião que coincidiu com a atuação bastante criticada de Mateu Lahoz nas Ilhas Canárias, La Liga e a federação espanhola entraram em acordo para a instauração do VAR a partir de 2018/19. As duas entidades ainda aguardam a aprovação da International Board, o que não deve ser empecilho para a novidade.

As duas entidades designaram uma equipe de trabalho para liderar a implantação, com a participação de dois árbitros recém-aposentados: Carlos Velasco Carballo e Carlos Clos Gómez. Ambos farão a instrução dos seus pares, na primeira fase de formação. As lições serão oferecidas já a partir desta sexta, estudando o protocolo do VAR, praticando em simuladores e realizando treinamentos em “partidas offline”.

O Centro de Operações de Vídeo, que concentrará as tarefas referentes ao VAR, será instalado na Ciudad de Fútbol de Las Rozas, o complexo esportivo que serve de centro de treinamentos para a seleção espanhola. Além disso, a liga e a federação também escolheram a empresa Mediapro como a responsável por prover os esquipamentos. A companhia já tinha vencido a licitação para realizar o mesmo trabalho na Conmebol.

A implantação do VAR na Espanha demorou a acontecer, sobretudo, por rixas internas. Apesar das solicitações da Liga para adotar a tecnologia, a federação espanhola mantinha certa resistência. Segundo Javier Tebas, presidente da Liga, foram dez ofícios endereçados à federação, sem receber respostas. O cenário mudou a partir da saída de Ángel María Vilar do comando da federação, preso por envolvimento em caso de corrupção. Nesta sexta-feira, enfim, houve o aperto de mãos entre ambas as partes rumo a mudança.

O vídeo-árbitro não é garantia de acertos sempre – porque, afinal, também depende da competência dos responsáveis por operá-lo. Em alguns dos países que adotaram, há episódios que geram questionamentos pertinentes. Entretanto, a diminuição na incidência de erros é notável, como demonstra balanço recente divulgado pela Itália. Resta saber como será a experiência na Espanha, onde as arbitragens costumam ser ainda mais questionadas. Em um país no qual os grandes são frequentemente beneficiados, a interrogação sobre os operadores do sistema tende a ser mais latente. Em Portugal, por exemplo, a tecnologia não exime a competição de acusações ferrenhas.