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Lahm deixa a seleção para nos dar ainda mais certeza de que está na história

Ser capitão presume uma responsabilidade bem maior do que carregar a braçadeira. Liderar não é só mais uma tarefa, é uma obrigação. Ter a consciência do comando técnico e de espírito que a tarja representa, independente da forma como faça. Quem comanda dentro de campo tem que ser o primeiro a inspirar respeito. Para ter a honra de também ser o primeiro a receber a taça. Poucos tiveram o prazer capitanear uma seleção campeã do mundo, apenas 20 em toda a história. Lendas do porte de Obdulio Varela, Bellini, Beckenbauer, Maradona e Cannavaro, prontos para virar o jogo a partir de suas atitudes. Como Phillip Lahm, o último a entrar nesse panteão, e que agora é só lembranças com a camisa da seleção alemã. Aos 30 anos, o craque se aposenta do Nationalelf.

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Lahm é um dos maiores símbolos da revolução que o futebol alemão viveu na última década. Porque somente Klose e Schweinsteiger personificaram tão bem a seleção quanto ele. O capitão disputou três Copas do Mundo, para ser protagonista em todas elas. Nas três vezes foi eleito para a seleção do campeonato, algo que só Beckenbauer e Djalma Santos haviam conseguido antes. Nunca ficou abaixo do terceiro lugar. E, em 2014, foi um dos diferenciais para que a Alemanha, enfim, coroasse uma de suas melhores gerações. Para que Lahm encerasse sua passagem com a camisa da Alemanha no topo do mundo.

Com passagem por todas as seleções de base desde o sub-17, Lahm é o modelo ideal de desenvolvimento de jogador que a Alemanha teve logo no início de seu projeto de formação. Completo em seus fundamentos e versátil, que consegue unir habilidade e precisão – porque, afinal, é uma raridade ver o veterano errar em campo ou fazer uma partida ruim. Se Pep Guardiola o apontou como o jogador mais inteligente que já treinou, mesmo com Xavi, Iniesta e Messi em seu passado, Lahm justifica essa qualidade desde o início de sua carreira.

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Quando chegou ao Bayern, aos 11 anos, Lahm era meia. Inspirava-se em Mehmet Scholl, seu ídolo no clube. Mas logo passou a jogar na lateral e, então, repensou seus modelos. Paolo Maldini se tornou, então, sua grande referência. Para ser um defensor tão memorável quanto o gênio italiano. Porque Lahm não demorou nem um pouco para ser considerado um dos melhores do mundo em sua posição, principalmente defendendo a seleção alemã.

Lahm comemora o golaço na estreia em 2006, com Frings e Schweinsteiger

Lahm comemora o golaço na estreia em 2006, com Frings e Schweinsteiger

A primeira partida de Lahm pela seleção principal aconteceu em 2004, em um amistoso contra a Croácia. Já na estreia, foi eleito o melhor em campo pela revista Kicker. Dois anos depois, era titular do Nationalelf na Copa do Mundo. E seu cartão de visitas veio logo nos primeiros minutos da abertura do Mundial, com um golaço. O início do grande torneio que fez na lateral esquerda, parando para a Itália na semifinal. Em 2010, já do lado direito do campo, assumiu a braçadeira após o corte de Ballack. Para, aos 26 anos, ser referência em um elenco jovem, que novamente sucumbiu no fim. Neste intervalo, ainda ficou no quase em duas Eurocopas, de 2008 e 2012. A glória aconteceu, enfim, no Brasil de 2014.

Como Joachim Löw queria, Lahm foi volante no início da Copa, sua terceira posição diferente em três Mundiais. Ditava o ritmo do time, embora não fosse tão brilhante. Mas os infortúnios fizeram com que a Alemanha desse sorte, ao ser obrigada a recuar o capitão de volta à lateral. E foi a partir de então que o camisa 16 sobrou no Brasil, essencial para o Nationalelf crescer tanto na reta final da competição. Foram três ótimas partidas na posição. Equilibrou o time contra a França, ajudou a massacrar o Brasil e foi a válvula de escape na decisão ante a Argentina. Com méritos, foi apontado por muitos como o melhor lateral direito do torneio. Sobretudo, mereceu ser campeão.

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Depois de 113 partidas e uma década de uma regularidade imensa, Lahm considera que sua jornada pela seleção está completa. Aos 30 anos, ainda teria muita lenha para queimar. Preferiu se despedir com a melhor lembrança possível, a taça em suas mãos, para se dedicar somente ao Bayern. E, por mais que pudesse ir além, o veterano já está na história. Berti Vogts que nos perdoe, mas é difícil imaginar uma seleção alemã de todos os tempos que não tenha Lahm no lado direito da defesa – assim como uma seleção do mundo neste século sem o alemão. Um lateral completo, pelo qual Maldini certamente se orgulha por ter servido de inspiração.