Frank Lampard, maior artilheiro da história do Chelsea (Foto: AP)

Lampard despede-se do Chelsea com um legado de honras e muitos gols

Quando Frank Lampard foi contratado, em 2001, o Chelsea era um clube médio do oeste de Londres, com um título do Campeonato Inglês, nos anos 1950, algumas Copas, e uma torcida cheia de paixão e fama de violência. Nem imaginava que o dinheiro de Roman Abramovich estava chegando. Esteve presente em todas as etapas do processo que fez do clube uma das potências da Europa e paralelamente o transformou em uma lenda de Stamford Bridge e do futebol inglês.

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Nesta segunda-feira, anunciou que sua passagem pelo Chelsea chegou ao fim, após 13 anos de muita dedicação, gols e títulos. O futuro dele foi colocado em dúvida em outras temporadas, houve especulações de um interesse da Internazionale, por exemplo, mas desta vez ele decidiu que realmente chegou a hora de seguir em frente, ciente de que cumpriu a sua missão e deixou o clube com um tamanho muito maior que o encontrado quando chegou do West Ham.

Às vezes os números mentem, mas, no caso de Lampard, significam muito. O camisa 8 não é atacante, alguns até o consideram volante, mas o meia é o maior artilheiro da história do Chelsea. Fez 211 gols em 648 partidas ao longo de 13 anos. Média de um a cada três jogos, aproximadamente, altíssima para alguém que atua tão longe da meta adversária. Passou a marca de Bobby Tambling ano passado ao vazar a defesa do Aston Villa duas vezes. A idolatria da torcida por ele é tamanha que vários dos espectadores das primeiras fileiras de Stamford Bridge invadiram o gramado para abraçá-lo, mesmo sabendo que provavelmente seriam presos.

Talvez até mais que os passes longos e os chutes de média distância, a sua especialidade sejam os pênaltis. Errou apenas nove chutes da marca do cal e acertou 49 defendendo o Chelsea. Como em 2008, quando marcou contra o Liverpool e caiu em lágrimas porque dedicou o gol à Pat Lampard, sua mãe, que havia acabado de morrer. Ou quatro anos depois, ao converter a sua cobrança na final da Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique e encaminhar a conquista da taça mais importante que teve a honra de levantar com a braçadeira de capitão em volta do braço.

Aquela Champions League está longe de ser o seu único título. Também estava lá no tricampeonato inglês, no tetra da Copa da Inglaterra e nas campanhas vitoriosas na Liga Europa, na Supercopa da Inglaterra e na Copa da Liga. Ganhou tudo que poderia pelo Chelsea e agora, aos 35 anos, deve ceder a sua técnica para o New York City, da Major League Soccer. “Eu acredito que os torcedores do Chelsea são os maiores do futebol no mundo. Qualquer que seja o próximo desafio, sempre estarei ao lado de vocês e tenho o Chelsea no meu coração. Agradeço pelas memórias, Chelsea, e continue fazendo história”, afirmou.

Lampard decidiu que era a hora de respirar outros ares, mas o Chelsea também percebeu que não depende mais tanto de um dos principais jogadores da sua história e não forçou uma renovação de contrato. Sabe que nos últimos anos formou uma base sólida para que consiga continuar na elite do futebol europeu com outros protagonistas, mais jovens e mais famintos por sucessos. A provável saída de Ashley Cole também sinaliza isso. Mas ninguém que um dia gritou o nome de Super Frank vai esquecer os títulos e os pênaltis, os gols e os passes, a vibração e os beijos na aliança que fazem parte do legado de Lampard.

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