A fase principal da maior competição da Oceania vai começar no próximo dia 7 de abril. São três grupos de quatro times, com o primeiro de cada chave mais o melhor segundo colocado se garantindo nas semifinais. O campeão será conhecido em 10/11 de maio, e além do título a equipe irá representar o continente no Mundial de Clubes da Fifa no fim de 2014.

Logicamente, os gigantes – para os padrões da Oceania – Auckland City e Waitakere United, ambos da Nova Zelândia, são os grandes favoritos para ficar com o troféu. O Hekari United (Papua Nova Guiné), vencedor de 2009/10, tenta repetir a façanha. O restante das equipes deve entrar para fazer figuração, mas uma se destaca: o desconhecido Nadi FC, de Fiji.

Aposta tupiniquim

Segundo maior campeão nacional, com oito troféus, contra 19 do Ba, que também está na Liga dos Campeões da Oceania, o Nadi não vence a liga de Fiji desde 2000, quando perdeu apenas um dos 18 jogos e somou 51 pontos, contra 38 do rival.

O time do interior também é inexperiente em se tratando de competições internacionais. O Nadi só jogou a Liga dos Campeões da Oceania uma vez antes de 2013/14. Em 1999, participou do Grupo B, ficando no segundo lugar, atrás do Venus (Taiti) e à frente do Kiwi (Samoa Ocidental), com quatro pontos em dois jogos.

Nas semifinais, o Nadi superou o Central United (Nova Zelândia) por 1 a 0, mas sucumbiu na decisão do título por 5 a 1, diante do South Melbourne (Austrália). 15 anos depois, o Nadi chega ao torneio com a expectativa de pelo menos repetir a campanha. E para isso a equipe surpreendeu com a contratação de um jogador brasileiro.

Dhani Cerra tem 25 anos e começou a carreira na base do Nacional de São Paulo. Logo teve uma chance no time B do Marítimo (Portugal), em razão do passaporte italiano. Pena que a documentação demorou a sair e ele acabou apenas treinando e disputando amistosos pelo clube, pois perdeu o prazo de transferências internacionais.

Dhani Cerra também teve experiências na quarta divisão de São Paulo e na Série A2, quando defendeu o Taquaritinga. O meia também jogou no desconhecido Boca Pietri Carpi, que foi comandado em 1987/88 por Alberto Zaccheroni, técnico do Japão no Mundial 2014, quando o clube tinha outro nome. Antes de assinar com o Nadi, Dhani Cerra teve experiência terrível:

“O início da minha passagem em Malta foi triste, mas graças a Deus deu tudo certo no fim. Após rescindir com o Taquaritinga, um empresário italiano me convidou para ir a Malta, junto de seis jogadores. Chegamos num fim de semana, visitamos praias, estádios, enfim, as belezas naturais do país. Mas o mais importante não vinha: treinos, assinatura de contrato…”, explica em entrevista exclusiva à coluna.

Com o tempo, Dhani Cerra percebeu que os empresários não tinham oferta nenhuma para os jogadores. “Nem testes eles arrumaram. Por sorte, e eu mais dois jogadores conseguimos entrar em contato com alguns clubes via e-mail e telefone que encontramos no site da federação de Malta e explicamos a situação”, contou.

Dhani Cerra conseguiu contrato no Mgarr United, da terceira divisão, que havia acabado de subir da quarta – acabou rebaixado de volta à última divisão nacional ao fim da temporada. Agora no Nadi, Dhani Cerra ainda precisa viajar para Fiji a fim de conhecer o clube e a cidade. “A única coisa que sei sobre o pais é que Fiji possui lugares maravilhosos e paradisíacos. Praias com águas cristalinas onde muitas pessoas viajam para comemorar a lua de mel. Sobre a cidade de Nadi ainda não tive tempo de pesquisar”, disse.

Ele conseguiu contrato com o clube fijiano por meio de um grupo de atletas e empresários do qual faz parte. Dhani Cerra e outros dois brasileiros disputaram uma vaga e ele foi o escolhido depois de a diretoria ter visto o DVD e feito pesquisas sobre sua carreira. O contrato de Dhani Cerra será de apenas dois meses e é este tempo que o brasileiro terá para mostrar qualidade e ganhar visibilidade, podendo jogar o Mundial de Clubes da Fifa, caso o Nadi seja campeão. Afinal, sonhar é de graça, não é mesmo?

Uma das vantagens que o Nadi teria na primeira fase era jogar em casa, já que a fase de grupos será disputada em Fiji. Entretanto, o estádio de Nadi não passou na inspeção da confederação da Oceania, que escolheu a cidade de Lautoka, a 31 km de Nadi. O time não terá vida fácil, pois caiu no Grupo B, ao lado de Auckland City, Amicale (Vanuatu) e AS Dragon (Taiti). A estreia é justamente contra os neozelandeses, bastante acostumados com a competição. “Vai ser um jogo muito difícil e chave para nossa classificação. Fisicamente, creio que me encontro em totais condições de fazer um ótimo trabalho e ajudar o Nadi a vencer o jogo”, declarou. Dhani Cerra embarca para Fiji em 4 de abril (amanhã, sexta-feira), três dias antes da estreia.

As chaves

Grupo A: Waitakere United (Nova Zelândia), Kiwi (Samoa Ocidental), Solomon Warriors (Ilhas Salomão) e AS Pirae (Taiti)

Grupo B: AS Dragon (Taiti), Amicale (Vanuatu), Auckland City (Nova Zelândia) e Nadi (Fiji)

Grupo C: Hekari United (Papua Nova Guiné), Tafea (Vanuatu), Magenta (Nova Caledônia) e Ba (Fiji)

Os favoritos

Nesta primeira fase, Waitakere United e Auckland City devem dominar seus grupos e ficar na primeira posição. Na Chave C, o Ba é favorito para o primeiro lugar, ainda mais jogando em casa. O Hekari United corre por fora e ambos se enfrentam na última rodada.

O saco de pancadas

O único candidato a perder todos os jogos e levar um caminhão de gols é o Kiwi. A equipe disputa a fase principal da LC da Oceania por ter sido campeã da fase preliminar. Ao lado de Tupapa Maraerenga (Ilhas Cook), Lotoha’apai United (Tonga) e Pago Youth (Samoa Americana), o Kiwi somou nove pontos em três jogos, marcou 12 gols e sofreu apenas três. A estreia do time é justamente contra o Waitakere United.

Sonho distante

Além do Nadi, outros quatro clubes já tiveram o gostinho de ser vice-campeões do torneio. Em 2004/05, o Magenta perdeu o título para o Sydney (Austrália) por 2 a 0, e no ano seguinte foi a vez de o Pirae levar de 3 a 1 do Auckland City na final. Em 2007, o Ba sucumbiu diante do Waitakere United nos gols marcados fora de casa, e em 2010/11 o Amicale levou de 6 a 1 do Auckland City. Nenhum deles parece ter condições de repetir a façanha.