De maneira geral, os jogadores da seleção francesa tiveram um saldo positivo de suas participações na Copa do Mundo-2014. Houve algumas pequenas decepções, mas elas ficam quase despercebidas em meio a bons destaques e desempenhos bastante satisfatórios. Nada mal para quem carregava o peso de recuperar o prestígio dos Bleus e fazer esquecer as cenas horripilantes de Knysna.

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Blaise Matuidi confirmou nesta Copa do Mundo sua ascensão, já comprovada pela temporada disputada pelo Paris Saint-Germain. O meio-campista teve uma ligeira queda nos dois jogos do mata-mata, mas nada que comprometesse seu excelente nível. Incansável na parte defensiva e na pressão sobre os adversários, ele ainda forneceu cobertura constante a Evra pela esquerda, sendo seu fiel escudeiro.

Além disso, Matuidi se superou na presença ofensiva, fortalecendo seu perfil de jogador que vai de uma área a outra sem cerimônia e sem parecer um aventureiro de primeira viagem. Suas incursões ao ataque geralmente ofereciam boas oportunidades, ainda mais porque o meio-campista aprimorou sua pontaria e sempre ofereceu uma opção segura para variação de jogadas.

Quem também sai da Copa com um balanço dos mais positivos é Mathieu Valbuena. Embora seu desempenho pelo Olympique de Marselha em 2013/14 não tenha enchido os olhos, ele se mostrou indispensável para a fluidez do jogo dos Bleus no Mundial. O meio-campista se transforma quando veste a camisa azul. Sua importância para o bom funcionamento d ataque francês se traduz no empate sem gols contra o Equador, quando o meio-campista esteve ausente.

Se a França sofreu apenas três gols em seus quatro jogos na Copa, deve muito a Hugo Lloris. O goleiro transmitiu a tranquilidade necessária aos seus companheiros e exibiu reflexos em dia e muita serenidade para fazer defesas complicadas. Sem culpa nos tentos sofridos pelos Bleus, Lloris ainda exerceu a função de capitão com soberania, com papel fundamental na orientação de posicionamento do setor defensivo.

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Yohan Cabaye foi muito bem em sua função de proteger a defesa. Seu bom senso de colocação em campo e sua leitura de jogos lhe permitiram roubar diversas bolas. Ele, porém, poderia ter caprichado um pouco mais nos passes longos, o que o faria atingir o mesmo nível apresentado por Matuidi.

Nas laterais, Patrice Evra e Mathieu Debuchy fizeram atuações corretas, com poucas falhas e confiáveis no ponto de vista defensivo. Já o apoio ao ataque ficou aquém do esperado. O problema nem foi a timidez nas subidas (algo que quase não existiu), mas a imprecisão nos cruzamentos. Já os reservas Laurent Koscielny e Moussa Sissoko atenderam às expectativas de Didier Deschamps e, quando utilizados, mantiveram o nível dos titulares Raphaël Varane e Paul Pogba.

Esperanças e leves decepções

Por falar em Pogba, o meio-campista foi eleito o melhor jogador jovem da Copa, mas isso não significa dizer que seu comportamento foi irrepreensível. Aos 21 anos, ele demonstrou algum nervosismo e até mesmo irritação desnecessária, traduzida em faltas e discussões que poderiam lhe render tranquilamente um cartão vermelho. O jovem, de 21 anos, precisa controlar melhor a adrenalina se quiser realmente provar ser um dos melhores jogadores de sua geração nos Bleus.

Karim Benzema começou a Copa voando. Nas duas primeiras partidas da França, o atacante marcou três gols, deu duas assistências e deu a impressão de que brigaria pela artilharia do torneio. Após as boas exibições contra Honduras e Suíça, ele foi discreto contra o Equador – algo natural, já que não havia a necessidade de um grande esforço. Quando chegou o mata-mata, Benzema não teve recompensado todo o seu esforço.

Diante da Nigéria, nas oitavas, o problema foi seu posicionamento em campo durante quase uma hora. O esquema inicialmente planejado por Deschamps deixou Benzema distante da área, ocupada por um Olivier Giroud apagado. O jogador do Real Madrid só cresceu quando deixou de ocupar uma das faixas laterais do campo e ficou mais centralizado, por conta da entrada de Antoine Griezmann. Diante da Alemanha, Benzema sofreu com a forte marcação, mas ainda assim lutou demais e foi um dos jogadores mais ativos dos Bleus.

Quando um jogador é mais lembrado por sua beleza do que pelo futebol, algo indica que as coisas andam mal. Este foi o caso de Giroud. Durante a preparação francesa, ele deu sinais de que entraria atropelando no Mundial. Quando teve chances entre os titulares, porém, decepcionou. O atacante ficou longe de ser a referência ofensiva da equipe e, quando recuou para buscar jogo e tentar armar alguma coisa, invariavelmente perdia a bola ou a jogada morria nele. Sem dúvida, foi quem mais perdeu pontos para o futuro.

Já de olho na Eurocopa-2016, o miolo da zaga deixou uma impressão das mais positivas. Antes da Copa-2014, questionou-se se a pouca experiência de Varane (21 anos) e Mamadou Sakho (24) não seria um risco excessivo. A dupla calou os desconfiados e se complementaram de forma harmoniosa. Sakho levou a melhor no lado físico, enquanto Varane apresentou uma leitura de jogo adequada. Pode-se questionar se o zagueiro do Real Madrid falhou no lance do gol da vitória alemã nas quartas, mas jamais se pode crucificá-lo pelo lance.

Griezmann deixou o Mundial como um ponto de interrogação. Quando começou no banco e entrou no decorrer da partida, mudou o panorama e foi essencial para a equipe evoluir. Ao convencer Deschamps de que merecia um espaço como titular, ele foi apenas mediano quando começou entre os onze. Pelo menos, Griezmann mostrou capacidade de atuar em espaços reduzidos e, com mais experiência, desponta como opção natural para substituir Franck Ribéry de igual para igual.

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