O Celtic já estava no divã, falando para o seu terapeuta o quanto doeu a eliminação na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões para o Legia Varsóvia, da Polônia. O placar agregado de 6 a 1 (4 a 1 fora de casa e 2 a 0 em casa) varreu o time escocês da principal competição europeia. Só que, do dia para a noite, o time voltou à vida e se classificou. A razão? O Legia Varsóvia escalou um jogador irregular no segundo jogo contra os escoceses e, assim, foi considerado perdedor do jogo por 3 a 0. O placar eliminou o time polonês.

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A derrota veio porque Bartosz Bereszynski entrou no segundo tempo do jogo contra o Celtic, mas estava suspenso no entendimento da Uefa. O jogador foi expulso no último jogo do Legia Varsóvia na temporada passada, contra o Apollon Limassol, do Chipre. Ele foi suspenso por três partidas. A suspensão teria que ser cumprida na primeira competição europeia subsequente. Por isso, ele ficou fora dos dois jogos contra o St. Patrick’s Athletic, da Irlanda.

O Legia empatou o primeiro jogo por 1 a 1 e goleou no segundo jogo por 5 a 0. Na fase seguinte, o jogador ficou fora do primeiro jogo contra o Celtic, a vitória por 4 a 1 em casa do Legia. E entrou no segundo jogo, já com 41 minutos do segundo tempo, quando o placar já estava em 2 a 0 (e 6 a 1 no agregado). Parecia tudo certo mesmo e a bola só foi levantada no dia seguinte. A Uefa considera que o jogador estava suspenso. E ela tem razão. Explicamos.

Como não poderia jogar os dois jogos contra o St. Patrick’s Athletic, o Legia não inscreveu Bereszynski nos dois jogos. Só o inscreveu para o confronto com o Celtic. Nas fases preliminares, os times podem inscrever jogadores a cada nova fase – até porque a primeira fase preliminar acontece no início de julho e os times podem perder, ou contratar, jogador nesse período. Vale o mesmo quando o time vai da fase playoff, a última preliminar, para a fase de grupos e, depois, da fase de grupos para o mata-mata. E com tudo isso, o jogador não pode cumprir a suspensão se não estiver inscrito no campeonato.

Como escalou um jogador suspenso, o Legia perdeu o jogo para o Celtic por 3 a 0, que é a punição prevista no regulamento. Com o placar, o agregado ficou em 4 a 4, mas o Celtic avançou nos gols fora de casa. E é o time escocês que vai jogar com o Maribor, da Eslovênia, na última fase preliminar da Liga dos Campeões. O Legia vai para a Liga Europa.

“Isso é injusto e completamente desproporcional. Houve casos similares no passado que não foram punidos desta forma. Foi um erro humano básico”, disse Dominik Ebebenge, dirigente do Legia Varsóvia. “Nós passamos oito anos trabalhando nisso e agora foi tirado de nós. Financeiramente, é inimaginável e os jogadores estão arrasados”, continuou.

O técnico do Celtic pareceu um pouco constrangido. “É muito estranho, eu tenho que dizer”, disse Ronny Deila, que é norueguês, assim como o técnico do Legia, Henning Berg. “Antes de mais nada, eu sinto muito pelo Legia e meus amigos da Noruega lá. É duro pensar nisso e que agora nós estamos na Liga dos Campeões.O Legia jogou bem contra nós, eles tiveram bons desempenhos e isso não tem nada a ver com o Celtic. A questão é a Uefa”, disse.

O caso é mais simples do que parece e é daqueles casos que é esportivamente absurdo, porque em campo é evidente que o Legia Varsóvia mereceu a classificação. Só que há de se considerar o que foi o erro. Um erro brutal do Legia, mas também da organização, que é da Uefa. É muito parecido com o que aconteceu no fim de 2013 no Brasil, quando a Portuguesa enfrentou o Grêmio e escalou Heverton, que estava suspenso. A Portuguesa perdeu os pontos e acabou rebaixada. O Fluminense, que tinha sido rebaixado, se beneficiou e continuou na primeira divisão.

Se o organizador não zelar pelo campeonato, a imagem que fica é essa, de uma punição que soa injusta ao Legia, ainda que seja rigorosamente o que previa o campeonato. O erro administrativo do Legia é inacreditável e não dá para não punir o time. Ao mesmo tempo, a Uefa tem que começar a pensar se não poderia ter um representante no jogo – como tem sempre – para impedir que o jogador suspenso entre em campo e gere uma situação como essa, que é constrangedora também para ela. É, não é só no Brasil…