Eric Wynalda é um jogador com a cara dos anos 1990. Com três Copas do Mundo no currículo, ele foi o melhor americano no esporte naquela década, defendendo o país em 1990, 1994 e 1998. Também foi o autor do primeiro gol da história da MLS. Atualmente comentarista, o ex-jogador fez críticas à gestão do futebol nos Estados Unidos e diz que não sabe ainda se será candidato à presidência da Federação Americana de Futebol (USSF). Mas sabe de uma coisa: quer mudanças no futebol do país.

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Em fevereiro de 2018 haverá uma nova eleição para definir quem será presidente da USSF (ou US Soccer, como também é referida). Depois de 11 anos sendo eleito sem concorrência, o cenário mudou. Gulati deve ter ao menos dois adversários na eleição e talvez até mais do que isso. Muita gente está insatisfeita com o desenvolvimento do futebol no país e quer mais mudanças.

Formado como jogador no final dos anos 1980, Wynalda foi jogar na Bundesliga no início dos anos 1990. Primeiro jogou no Saarbrücken antes de atuar pelo Bochum. Em 1996, voltou aos Estados Unidos para atuar pelo San Jose Clash e marcar o primeiro gol da liga. Se aposentou em 2002 e se tornou técnico. Aos 48 anos, Wynalda atualmente é comentarista de futebol do canal Fox Sports nos Estados Unidos.

“Fiquei de fora por duas décadas esperando que as coisas melhorassem”, afirmou Wynalda ao jornal Guardian. “O que eu percebi é que não há muitas pessoas que estão dispostas ou mesmo querendo invocar mudanças. Fora da obrigação moral, eu acho que estou finalmente no ponto que estou me perguntando: ‘O que eu posso fazer para ajudar?’ Eu não quero publicar algo no Twitter ou escrever um artigo ou começar uma briga. Eu quero arregaçar as mangas”, disse.

“Recebi ao emnos 50 ligações de pessoas me encorajando a concorrer”, contou Wynalda. “Não apenas pessoas no Twitter que querem acesso e descenso e querem que a casa de cartas [USSF] caia. Eu ouvi de pessoas de querem saber como fazer o futebol melhor nesta país”, afirmou, já em um discurso que parece de candidato.

“Só porque as massas estão jogando o esporte, eles acham que o sucesso irá acontecer magicamente em algum dia por acidente”, disse o atacante. “Às vezes acontece, um Clint Dempsey, Landon Donovan ou Christian Pulisic acontecem, mas isso não é bom o bastante. Ficar em 18º em uma Copa do Mundo não é uma história de sucesso”, analisou Wynalda.

Wynalda pode não saber se vai concorrer ou não, mas já há um candidato declarado ao posto de Gulati. Steve Gans, advogado de Boston, afirmou que o estado do futebol nos Estados Unidos “parece mais como 1989 ou 90”. Outro candidato é Paul Lapointe, ex-dono de um time de indoor soccer – uma modalidade um pouco diferente de futebol que foi muito popular nos Estados Unidos anos 1970 e 1980. John Motta, membro da diretoria da US Soccer, também está considerando concorrer ao cargo.

Eric Wynalda em atuação pela seleção dos Estados Unidos em 1996 (Foto: Jamie Squire /Allsport)

Eric Wynalda em atuação pela seleção dos Estados Unidos em 1996 (Foto: Jamie Squire /Allsport)

O próprio Gulati não declarou oficialmente que irá concorrer a mais uma eleição, mas o atual momento da US Soccer indica que o cargo será muito interessante. Os Estados Unidos lideram a candidatura para sediar a Copa do Mundo de 2026 em conjunto com Canadá e México. Gulati se tornou membro do Conselho da Fifa e tem para como mérito a boa situação financeira da USSF. Há quem acredite que Carlos Lodeiro, um dos seus vice-presidentes, pode ser o candidato da situação.

A concorrência forte definitivamente acaba com o período que Gulati se elegia sem concorrência. E a briga pode fazer com que seja necessário um debate maior sobre o futebol nos Estados Unidos. “Eu não acho que é saudável [ter alguém no cargo por 11 anos], a não ser que haja uma visão clara ou um plano”, criticou Wynalda.

“Neste momento, é apenas um cara que não apenas diz que é o mais esperto na sala e tem uma resposta para cada pergunta que você faz a ele, mas ele também tem uma agenda e isso é a causa de muita gente estar dizendo que já é suficiente. A agenda dele é ficar no poder e é isso”, continuou o atacante.

Para o ex-jogador, a situação do futebol dos Estados Unidos mudou muito e é preciso dar mais passos adiante. “As pessoas não estão mais interessadas ou curiosas em relação ao futebol nos Estados Unidos. Elas são apaixonadas. Este é o momento de dar a essas pessoas que estão apaixonadas com o jogo um produto melhor”, disse Wynalda.

A MLS é um ponto positivo no futebol dos EUA, ainda que o seu crescimento seja mais lento do que se imaginava. Isso, porém, não é responsabilidade direta da USSF. A seleção americana é. E a escolha de Jürgen Klinsmann e a volta, muito debatida, de Bruce Arena ao cargo, somado ao desempenho pouco satisfatório da seleção em competições internacionais – incluindo a campanha ruim nas Eliminatórias da Copa para 2018 – colocam um holofote mais forte no trabalho de Sunil Gulati sobre o planejamento.

Um dos pontos mais importantes é justamente a formação de jogadores. O trabalho para isso ainda é longo e parece pouco para um país com tantos praticantes de futebol. Ainda parece haver um imenso abismo entre o futebol praticado nas escolas por milhões de crianças ao esporte de alto nível que se espera que o país pratique.

Este, talvez, seja o principal ponto de discussão sobre o futebol no país. E com tanta concorrência ao cargo. Gulati terá que se virar para mostrar o que está sendo feito para isso. Com uma liga tão organizada e com tantos recursos em caixa, o que é um mérito de Gulati se torna um problema se o futebol do país não se desenvolve. O principal, pessoas praticando, já existe. Falta dar um passo a mais.