Faltaram unhas para roer na Colômbia na noite de ontem. Se aqui no Brasil já teve gente apreensiva com a possibilidade de Falcao García ficar de fora da Copa do Mundo, imagine como foi para os colombianos, que não disputam um Mundial desde 1998 e têm no centroavante sua maior esperança de fazer história neste ano. As notícias seguintes à substituição de Falcao não foram nada boas, e o jogador está fora da Copa. Apesar de parecer o fim do mundo para a Colômbia, os colombianos não precisam se desesperar tanto. Os Cafeteros ainda vêm muito fortes para o Brasil.

A ausência de Falcao será muito sentida tecnicamente, mas ainda mais simbolicamente. Embora o jogador do Monaco seja um dos melhores do mundo em sua posição, o que pega mesmo é o significado de sua lesão. De 1990 a 1998, a Colômbia teve sua melhor geração e falhou em conquistar o Mundial. Foi surpresa positiva na Itália, decepção nos Estados Unidos e só jogou a fase de grupos na França. Desde então, não foi a mais nenhuma Copa, e agora, quando finalmente tem outra geração com muita qualidade, sobretudo do meio-campo para frente, perde seu principal expoente.

Olhando do lado técnico, a Colômbia, de fato, perdeu seu melhor jogador e artilheiro. Ainda assim, os Cafeteros não foram uma seleção de um homem só nas Eliminatórias, e a base forte continua, sem falar que José Pekerman ainda terá ótimas opções para o ataque. Nenhuma delas do nível de Falcao, é verdade, mas os possíveis substitutos ainda podem ser úteis para que os colombianos façam a boa campanha que deles esperam.

O principal jogador que pode tomar para si a responsabilidade de fazer maior parte dos gols da seleção é Jackson Martínez. Assim como Falcao fez em 2009/10, Martínez chegou voando ao Porto, em 2012/13. O primeiro marcou 25 gols em 28 jogos, enquanto o segundo, em 30 partidas, fez um a mais: 26. Pela seleção, de fato, a diferença é grande. Pegando jogos de Eliminatórias como exemplo, Falcao marcou dez vezes, em 23 jogos, enquanto Martínez fez apenas dois em 11 partidas. Mas isso porque o atleta do Monaco sempre foi o protagonista e grande responsável pelos gols, e agora Martínez tem, sim, capacidade de assumir esse protagonismo.

Além do jogador do Porto, Téofilo Gutiérrez, do River Plate também tem potencial para dividir a responsabilidade dos gols, como ficou evidenciado em seus sete gols em 14 jogos de Eliminatórias. Luis Muriel, da Udinese, é outro com virtudes para amenizar a ausência de Falcao.

Perder García é um grande baque para a Colômbia, mas nada que os comandados de Pekerman não possam superar dentro de campo. Além dos bons nomes de ataque, jogadores como James Rodríguez, Fredy Guarín e Juan Cuadrado ainda estão à disposição. A zaga, que em outras oportunidades já foi problema, não é das melhores tecnicamente, mas a experiência de Mario Yepes e Luis Perea se mostrou suficiente para uma boa campanha nas Eliminatórias: 13 gols sofridos em 16 jogos, melhor desempenho defensivo de uma seleção na competição. Os Cafeteros seguem fortes e, se por um lado não irá contar com Falcao, por outro tem muitos candidatos a herói.