Santos Laguna na Concachampions de 2013 (AP Photo/Ted S. Warren)

[Libertadores] Grupo 8: Três times para duas vagas

Arsenal-ARG – Deportivo Anzoátegui – Peñarol – Santos Laguna

Um dos grupos mais intrigantes da Libertadores 2014. Tire o Anzoátegui da equação. Ainda sobram três equipes das quais se pode esperar qualquer coisa. O Arsenal é tecnicamente limitado, mas tem mostrado bom nível de competitividade contra times maiores. O Peñarol tem uma camisa pesada e uma torcida fanática, mas jogou muito peso em veteranos. O Santos Laguna tem força no papel, mas equipes mexicanas sempre merecem alguma desconfiança.

O FAVORITO

O Santos Laguna é o time mais forte na teoria. Tem um elenco com bons jogadores nos diversos setores, como o goleiro Oswaldo Sánchez, o volante Marc Crosas (formado nas categorias de base do Barcelona) e os atacantes Peralta e Quintero. É um balanço melhor que o Peñarol, com vários veteranos que já estão bem distantes de seus melhores momentos, ainda que seja sempre difícil projetar o nível de dedicação das equipes mexicanas à Libertadores.

O JOGÃO

Santos Laguna x Peñarol
25 de março – Estádio Corona (Torreón-MEX)

Quanto Santos Laguna e Peñarol se encontrarem na penúltima rodada, em 25 de março, provavelmente terão diante de si um jogo decisivo. A tendência é que essas duas equipes e o Arsenal fiquem na disputa pela vaga, e esse confronto pode ser definitivo para assegurar a classificação de uruguaios ou mexicanos.

O CRAQUE

Gustavo Alfaro não entra em campo, mas faz a diferença dentro de sua função. Como técnico do Arsenal, levou o pequeno (e de orçamento limitadíssimo) clube de Sarandi a um título de Copa Sul-Americana, um de Campeonato Argentino e um de Copa da Argentina. Tudo com base em grupos sem estrelas, mas com jogo coletivo, futebol objetivo e muita entrega, ainda que falte talento em alguns momentos.

SEÑOR LIBERTADORES

Sergio Órteman até hoje vive do rótulo de “jogador bom de Libertadores”. Ele disputou o torneio por Olimpia, Boca Juniors, Grêmio e Peñarol, conquistando o título pelos dois primeiros. Pelo Olimpia, inclusive, foi eleito o melhor jogador das finais de 2002, quando o time paraguaio foi campeão em cima do São Caetano.

FATOR CAMPO

O estádio Julio Grondona não é o maior alçapão da Argentina, até porque a pequena torcida do Arsenal raramente lota suas arquibancadas. Ainda assim, suas dimensões pequenas e iluminação acanhada são muito bem aproveitadas pelo time argentino, que costuma conseguir os pontos que precisa em seus domínios. Isso pode ser decisivo contra dois times que já chegarão a Sarandi cansados de longas viagens, como Santos e Deportivo Anzoátegui.

O CLICHÊ

O futebol não é o esporte mais popular da Venezuela. E, no caso do Deportivo Anzoátegui, há uma boa chance de esse fato ficar evidente. O time é bem mais fraco que os oponentes, o que deve motivar menos ainda a torcida. E, considerando que o estádio de Puerto La Cruz tem 40 mil lugares (dimensão fora da realidade, motivada pelos exageros da Copa América de 2007) e a cidade não é da região mais boleira da Venezuela, devemos ver arquibancadas bastante vazias.

FIQUE DE OLHO

O Peñarol tem muitos veteranos já conhecidos do público, como o goleiro Castillo (35 anos), o defensor Darío Rodríguez (39), os meio-campistas Órteman (35) e Pacheco (37) e os atacantes Estoyanoff (31) e Zalayeta (35). Jorge Fossati certamente terá de colocar alguns deles como opções no banco (essa gente toda ao mesmo tempo em campo só em torneio de masters), e podem aparecer como alternativas para jogos complicados.

CURIOSIDADE

Peñarol e Arsenal vão viajar mais de 8 mil km para enfrentar o Santos Laguna em Torreón. E o time mexicano, óbvio, percorrerá a mesma distância quando forem ao Rio da Prata. Apenas dois duelos de ida e volta de Libertadores tiveram viagens mais longas: Tijuana x Corinthians e Tijuana x Palmeiras, ambas em 2013. Para se ter uma ideia, a distância de Torreón para Buenos Aires e Montevidéu é maior que a existente entre Lisboa, ponto mais ocidental do continente europeu, e Nova Délhi, na Índia.