A Copa Libertadores já coroou 54 campeões. Ou seja, 54 vezes um jogador teve a honra de anotar o gol do título continental. Entretanto, apenas um pode encher a boca para dizer que anotou o primeiro tento da história do torneio. Ou melhor, podia. Autor do gol que abriu a vitória do Peñarol sobre o Jorge Wilstermann no dia 19 de abril de 1960, Carlos Ariel Borges (na foto, o último agachado) faleceu nesta quarta-feira, aos 82 anos. Além da façanha única, também eternizou uma história rica com os Carboneros.

Borges já era um jogador tarimbado quando se tornou pioneiro na Libertadores. O ponta esquerda estreou na equipe principal quando tinha apenas 14 anos. Atuando ao lado de Obdulio Varela, o garoto amadureceu rapidamente e se tornou peça importante no elenco do Peñarol, conquistando sete Campeonatos Uruguaios em sua passagem pelo clube. Além disso, tornou-se nome frequente na seleção uruguaia, presente na Copa de 1954 e campeão da Copa América em 1956.

O grande feito de Borges, porém, aconteceria mesmo na Libertadores. Mais do que anotar o primeiro gol, também ajudou o Peñarol a conquistar o primeiro título. Não teve a importância de Carlos Spencer ou Luis Cubilla, mas era titular absoluto com o técnico Roberto Scarone. “Tenho a honra de ter convertido aquele primeiro gol. Aquilo me arrepiou a pele. É um orgulho pessoal para que meus netos saibam quem eu fui”, afirmou Borges, em entrevista ao livro ‘Pionero de América’, de César Groba. “Hohberg deu um grande passe a Cubilla, que avançou e chutou na trave. A bola sobrou e eu peguei forte o rebote. Um jogador boliviano salvou e eu a agarrei pela segunda vez, para fazer o gol. Para mim é um orgulho esse significado especial”.

No ano seguinte, Borges deixaria o Peñarol. Passou dois anos no Racing, pelo qual foi campeão argentino. Já em 1963, voltou aos aurinegros para uma rápida despedida. Naquele ano, quase morreu em um acidente de barco na Bacia do Prata, conseguindo se salvar e também ajudando uma criança. Era o ponto final. Anos depois, ‘el Lucho’ seguiu recebendo as homenagens por seus feitos em campo. E, nesta quarta-feira, o mínimo tributo é o minuto de silêncio nas partidas daquele campeonato que Borges inaugurou há 54 anos.

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