É isso aí, Giroud, tem que ter cabeça (AP Photo/Scott Heppell)

Líder, Arsenal tem grande mérito de conhecer as próprias limitações

Nos últimos anos, o Arsenal se caracterizou por ser um time de excelente toque de bola, mas inconsistente. Era o time que perdia pontos ridículos para times que brigam com o rebaixamento. Em casa. Não desta vez. O Arsenal da atual temporada é consistente e tem uma qualidade que em outros anos não se via tão evidente: a consciência das suas limitações. Essa é uma qualidade que é chave para um time como o dos Gunners.

Os 11 titulares do Arsenal são um bom time, capaz de fazer jogos duros com qualquer um dos principais times ingleses, como o Manchester City e o Chelsea, por exemplo. O problema, em relação a esses adversários, são as limitações do seu elenco. Os reservas não mantêm o mesmo nível. Não há, por exemplo, um reserva de qualidade para Giroud. Nem para Özil. Cazorla é ótimo jogador, mas longe da visão e da qualidade de passe do alemão. O time não tem laterais confiáveis no banco. Não há alguém com o mesmo talento de Wilshere para substituí-lo sem prejuízo ao time.

Mesmo assim, o Arsenal segue sendo muito eficaz. Perde poucos pontos no campeonato, o que é fundamental para manter o time na briga pelo título. Se faltam opções no banco como Manchester City e Chelsea, sobra a consciência que o time precisa lutar mais do que os outros para conseguir seus resultados. E o jogo contra o Newcastle neste domingo mostrou isso. O time de Alan Pardew é bem montado e, em casa, é um adversário duro de se enfrentar.

O Arsenal conseguiu uma vitória muito por entender que é preciso se esforçar muito para conseguir vitórias duríssimas. O 1 a 0 em St. James’ Park só veio graças à humildade do Arsenal, que soube se defender quando precisou. Poderia ter tomado o gol de empate, é verdade, e esse é um risco que todo time que resolve se defender mais tem que correr. Mas o time sabia que precisava correr muito sem a bola. Cazorla pode não ter o talento de Özil, mas se esforçou muito, voltou marcando. Não só ele, o time todo. Até Giroud ajudou.

Aliás, Giroud vem sendo uma peça muito importante para o Arsenal. Mais do que poderia se imaginar no início da temporada. O centroavante foi trazido na temporada passada, mas nessa ele se tornou titular e vem fazendo gols importantes. Até aqui, foram oito gols em 18 partidas, além de cinco assistências na Premier League. Sim, o centroavante canhoto e grandalhão (tem 1,92 metro) tem sido muito, mas muito útil. A ponto de não ter substituto.

O esforço do Arsenal não tem sido em vão. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Newcastle em St. James’ Park faz os Gunners terminarem 2013 como líderes da Premier League. O que não é pouco. São 42 pontos, um à frente do Manchester City. Chelsea e Liverpool não podem alcançar essa pontuação, mesmo que vençam na rodada. Nas últimas cinco temporadas, o líder nessa primeira metade do campeonato terminou com a taça. Falta ao Arsenal vencer jogos grandes, é verdade. Mas enquanto estiver com um excelente aproveitando nos outros jogos, estará na briga por título. Como diziam os gregos, “conhece-te a ti mesmo”. Diziam essa frase para dizer que as pessoas precisavam se conhecer para não achar que são mais do que são. O Arsenal, até aqui, mostra que conhece bem a si mesmo.