Maradona, fugindo de zagueiros (Foto: AP)

Liderados por Maradona, os 10 melhores meio-campistas da história das Copas

Há diferentes tipos de meio-campistas. Os rápidos e habilidosos, que tratam os marcadores como cones, ziguezagueando até parar dentro do gol ou deixar o companheiro em boa posição para finalizar; os que controlam a partida com passes sempre precisos, domam a bola como se ela fosse um dócil poodle e justificam a metáfora que os chama de maestros; e também os que não deixam ninguém passar, começam a armar o ataque a partir da cabeça de área e ainda têm folego suficiente para chegar à frente.

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A lista de melhores meias das Copas do Mundo deixou ainda mais gente boa de fora que as outras. Jogadores do calibre de Rivellino, de Hagi, de Neeskens ou de Gérson. Nem Zizinho, herói de Pelé, conseguiu vencer os dez craques que escolhemos para representar o setor que talvez seja o mais importante em um jogo de futebol. Veja o nosso ranking e cornete sem moderação:

1º – Diego Maradona

Argentina
Quatro mundiais (1982, 1986, 1990 e 1994)
21 jogos, 8 gols

Sem as atuações em Copas do Mundo, a lenda de Diego Maradona seria muito menor. As arrancadas inacreditáveis e lances improváveis, de técnica e genialidade, foram mais frequentes pelos clubes, mas também foram apresentados ao mundo no principal torneio de futebol. Especialmente em 1986, quando liderou a Argentina ao título, marcando cinco dos seus oito gols em Mundiais. Dois deles naquela partida histórica de quartas de final contra a Inglaterra.

Maradona estreou na seleção em 1977, mas Cesar Luis Menotti o preteriu para a Copa do Mundo que a Argentina venceu em casa. Sua estreia em Mundiais foi apenas em 1982, mas o time sul-americano foi eliminado no triangular quartas de final, atrás de Brasil e Itália. Em 1990, deu aquela arrancada contra a seleção brasileira antes de deixar Caniggia na cara do gol, voltou a liderar os companheiros à decisão contra a Alemanha e, pela segunda vez seguida, figurou no time dos melhores da competição.

Sua trajetória internacional terminou de forma melancólica, nos Estados Unidos, ao ser pego no exame antidoping e excluído do torneio de 1994, mas Maradona já havia feito mais do que o suficiente para escrever o seu nome na história das Copas do Mundo como poucos.

2º – Zinedine Zidane

França
Três mundiais (1998, 2002 e 2006)
12 jogos, cinco gols

O cocuruto meio calvo de Zinedine Zidane empurrou duas bolas para as redes de Taffarel em 1998 e entrou para o hall de carrascos da seleção brasileira. Naquela Copa, foi um gigante, apesar de ter perdido a partida final da fase de grupos e as oitavas de final por suspensão. Já era destaque da Juventus e tinha uma boa Eurocopa nas costas, mas não era tão famoso, conhecido e respeitado quanto em 2002. Chegou à Ásia como o melhor do mundo, mas uma lesão o impediu de evitar o fracasso da França, eliminada na primeira fase.

Em 2006, transformou a Copa do Mundo no canto do cisne da sua carreira, que ainda duraria exatamente o mesmo que a campanha da seleção francesa. Foram seis jogos para deixar saudades nos amantes do futebol. Um golaço na Espanha, uma atuação divina contra o Brasil, com chapéu, pedaladas e domínios humilhantes, o gol que classificou a França à final, uma cavadinha diante de Gianluigi Buffon e a fatídica cabeçada no peito de Materazzi para defender a honra da sua família porque, apesar de parecer um Deus com a bola nos pés, Yazid Zidane nunca deixou de ser humano.

3º – Obdulio Varela

Uruguai
Dois mundiais (1950 e 1954)
7 jogos, dois gols

Quantos jogadores de futebol podem dizer que nunca perderam uma partida de Copa do Mundo? E quantos, além disso, ainda foram campeões mundiais na casa do adversário da decisão? Obdulio Varela, capitão da seleção uruguaia, faz parte desse grupo restrito. Depois de enterrar a autoestima do futebol brasileiro no gramado do Maracanã, sua liderança impulsionou os companheiros a outra campanha brilhante na Suíça. Levou o Uruguai até a semifinal, mas, lesionado, não enfrentou a Hungria de Ferénc Puskas. A ausência, de efeito técnico e emocional imensurável nos uruguaios, impediu-o de se eternizar ainda mais na história das Copas depois que os sul-americanos foram eliminados.

4 º – Lothar Matthäus

Alemanha
Cinco mundiais (1982, 1986, 1990, 1994 e 1998)
25 jogos, 6 gols

Ninguém jogou tantas partidas de Copa do Mundo quanto Lothar Matthäus e nenhum jogador de linha disputou tantos mundiais quanto ele. Durante últimas duas décadas do século passado, o alemão esteve presente em todos as Copas organizadas pela Fifa e foi duas vezes vice-campeão antes de se consagrar na Itália, com o tricampeonato da Alemanha.

Aos 21 anos, fez parte da campanha de 1982, mas jogou apenas na fase de grupos. Quatro anos depois, enfrentou a Argentina na decisão e foi derrotado. O estigma de vice evaporou apenas em 1990, na vingança alemã contra os argentinos. Nos dois mundiais seguintes, recuou de posição, para líbero, ao mesmo tempo em que a geração alemã recuou de talento e nunca mais passou das quartas de final. Como se ele precisasse de mais honras para ser um dos gigantes da história das Copas.

5º – Didi

Brasil
Três mundiais (1954, 1958 e 1962)
15 jogos, três gols

A derrota para o Uruguai ainda pesava nas costas dos brasileiros quando o sueco Nils Liedholm abriu o placar para os donos da casa na final da Copa do Mundo de 1958. Alguns dos atletas vestidos de azul, craques históricos como Pelé e Garrincha, mas ainda inexperientes, olharam para Didi, um dos poucos remanescentes – ao lado de Djalma e Nilton Santos – da derrota para a Hungria na Batalha de Berna do Mundial passado.

E Didi não fugiu da responsabilidade de liderar aqueles talentos. Pegou a bola debaixo do braço, acalmou os companheiros, recebeu a saída e emendou um lançamento de 50 metros na ponta direita para Garrincha acertar a trave. Não permitiu que o fogo da seleção brasileira apagasse e terminou o Mundial da Suécia como o melhor jogador da competição.

O ídolo do Botafogo, que se notabilizou por cobranças de falta e passes longos espetaculares, ainda atuou em todas as partidas do Brasil na Copa de 1962 e foi bicampeão mundial, talvez apenas para esbanjar um pouco, porque o seu lugar no hall de craques do Mundial já estava garantido.

6º – Rivaldo

Brasil
Dois mundiais (1998 e 2002)
14 partidas, oito gols

A torcida brasileira se fez de difícil. Não amo Rivaldo à primeira vista, apesar de tudo que ele fez por ela na Copa do Mundo de 1998. Especialmente a destruição da Dinamarca nas quartas de final. Precisou de mais uma série de atuações espetaculares e do título mundial de 2002 para, enfim, se apaixonar pelo tímido canhoto revelado pelo Santa Cruz.

Rivaldo não sabe o que é jogar uma Copa do Mundo e não chegar à final. Foi o coadjuvante perfeito – para muitos, o protagonista – de Ronaldo em 1998 e 2002. O Fenômeno deu o toque que fez aquelas duas bolas vencerem Oliver Kahn na decisão contra a Alemanha, no Japão, mas o meia-atacante esteve envolvido em ambas as jogadas, com um corta-luz de extrema inteligência e um venenoso chute de fora da área que o melhor goleiro daquele mundial espalmou.

É até desnecessário mencionar que ele também desafogou as oitavas de final com um golaço contra a Bélgica e foi eleito para a seleção do campeonato nos dois torneios para justificar a presença de Rivaldo na nossa lista.

7º – Bobby Charlton

Inglaterra
Quatro mundiais (1958, 1962, 1966 e 1970)
14 partidas, 4 gols

A melhor fase da Inglaterra em Copas do Mundo foi sob o comando e a visão de jogo de Bobby Charlton. Foi convocado para o torneio de 1958, mas não chegou a entrar em campo. Cenário bem diferente dos três mundiais seguintes, nos quais atuou em todas as partidas da seleção inglesa, nas campanhas que terminaram nas quartas de final, em 1962 e 1970, e no título de 1966, em casa. Marcado por Franz Beckenbauer, brilhou pouco na decisão, mas resolveu a difícil semifinal contra Portugal de Eusébio com dois gols. Foi o único inglês de meio-campo e ataque na seleção do torneio. E é o único da nossa lista também.

8º – Roberto Baggio

Itália
Três mundiais (1990, 1994 e 1998)
16 partidas, 9 gols

Vinte anos depois, podemos deixar para lá que Roberto Baggio perdeu aquele pênalti na final da Copa do Mundo dos Estados Unidos, certo? O camisa 10 da seleção italiana teve uma carreira de tantos dribles e gols geniais que um erro de chute, por mais importante que ele seja, é diluído como se fosse uma pitada de sal em um copo d’água.

Um jovem Baggio de 23 anos estreou em Copas apenas na última rodada da fase de grupos de 1990, fez um gol e convenceu o técnico Azeglio Vicini de que deveria continuar como titular. Continuou atuando até a derrota para a Argentina nas semifinais, nos pênaltis – desta vez, ele acertou o dele.

Em 1994, recém-eleito melhor jogador do mundo pelas atuações com a camisa da Juventus, foi a definição de um jogador decisivo. Marcou todos os gols da Itália na vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria nas oitavas, fez mais um contra a Espanha nas quartas e outro na Bulgária, na semifinal. Só não conseguiu vencer a boa defesa do Brasil de Carlos Alberto Parreira, nem levar a seleção italiana além das quartas em 1998, mas quem se preocupa com isso?

9º – Michel Platini

França
Três mundiais (1978, 1982 e 1986)
14 partidas, 5 gols

Se a primeira grande campanha da seleção francesa em Copas do Mundo teve Just Fontaine como protagonista, e as últimas duas, Zinedine Zidane, foi muito em função de Michel Platini que a França conseguiu duas semifinais seguidas, em 1982 e 1986. Foi a única vez na história que o time que canta a Marselhesa antes das partidas chegou entre os quatro primeiros do Mundial consecutivamente.

O atual presidente da Uefa já era tricampeão da Bola de Ouro, prêmio cedido ao melhor jogador europeu, quando chegou ao México para a Copa de 1986. Na hora que a França precisou, ele compareceu, abrindo o placar contra a Itália, nas oitavas, e levando as quartas de final diante do Brasil aos pênaltis. Ironicamente, desperdiçou a sua cobrança, mas Sócrates e Júlio César também, então ficou tudo bem.

10º – Falcão

Brasil
Dois mundiais (1982 e 1986)
7 jogos, 3 gols

Paulo Roberto Falcão culpa a ditadura por não ter disputado a Copa do Mundo de 1978. Por qualquer que seja o motivo escolhido por Cláudio Coutinho para deixá-lo fora lista, o fato é que o meia estreou em Mundiais apenas em 1982, já com 30 anos de idade – e não fez feio. Naquela seleção brilhante de Telê Santana, que encantou e decepcionou na mesma medida, Falcão formou o meio-campo com Toninho Cerezo, Sócrates e Zico. Fez gol na Escócia, na Nova Zelândia e na Itália, seus únicos em Copas, pois, em 1986, já não tinha mais condições físicas e técnicas para brilhar tanto.