A fase de grupos da maior competição do continente asiático terminou na última quarta-feira, com 16 times classificados para as oitavas de final – e que ainda sonham com o título e consequente vaga no Mundial de Clubes da Fifa 2014.

Algumas equipes fizeram valer a superioridade teórica e avançaram, mas outras não conseguiram provar-se dentro de campo e acabaram eliminadas precocemente – destaque negativo para o time de Vágner Love, Cuca e Montillo. Veja um resumo da fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia.

>>>> Cuca começou mal seu objetivo (esportivo) na China

Grupo A

Times: Al Shabab (Arábia Saudita), Al Jazira (Emirados Árabes), Esteghlal (Irã) e Al Rayyan (Catar)

Favorito: O Al Shabab está em sua 11ª participação no torneio e já foi vice-campeão, em 1993. Há três edições que a equipe da Arábia Saudita não é eliminada na fase de grupos, sendo a última vez em 2007. Os 15 pontos em 2014 comprovam a superioridade do time, que atingiu a liderança da chave com certa facilidade.

Surpresa: O Al Jazira não tem muita tradição na Liga dos Campeões. A primeira participação foi em 2009 e desde então o time emiriano se faz presente. Porém, o Al Jazira só havia passado uma vez de fase, em 2012. A classificação no Grupo A, com dez pontos, foi aquém da campanha de dois anos atrás.

Decepção: Em 2013, o Esteghlal foi longe na LC da Ásia, parando apenas nas semifinais, ao perder para o FC Seoul. Portanto, esperava-se boa campanha dos iranianos, mas a temporada não foi boa. Além do quinto lugar na liga local, fora da edição 2015, o Esteghlal decepcionou ao somar apenas sete pontos em seis jogos. Pouco para quem já esteve sete vezes entre os quatro melhores do torneio, com dois títulos (1970 e 1991).

Grupo B
Chimba, atacante do Foolad (vermelho), tem quatro gols na LC da Ásia e é o brasileiro mais perto de Asamoah Gyan, artilheiro com sete gols

Chimba, atacante do Foolad (vermelho), tem quatro gols na LC da Ásia e é o brasileiro mais perto de Asamoah Gyan, artilheiro com sete gols

Times: Foolad (Irã), El Jaish (Catar), Bunyodkor (Uzbequistão) e Al Fateh (Arábia Saudita)

Surpresa 1: a fase atual do Foolad é simplesmente perfeita. Além do título iraniano numa temporada altamente disputada, a equipe sobrou em sua chave na Liga dos Campeões. Foram 14 pontos, nenhuma derrota e apenas três gols sofridos. Antes de 2014, o Foolad havia jogado o torneio em 2006, quando foi lanterna. É bom ficar de olho nos iranianos.

Surpresa 2: clube mais experiente da chave na competição, o Bunydkor está na sétima participação e nunca ficou na fase de grupos – foi às semifinais duas vezes. Mesmo assim, o time não era favorito e custou a se classificar. A diferença para o El Jaish foi nos gols-pró (7 contra 6). Não deixa de ser surpresa um time do Uzbequistão nas oitavas de final.

Grupo C

Times: Al Ain (Emirados Árabes), Al Ittihad (Arábia Saudita), Tractor Sazi (Irã) e Lekhwiya (Catar)

Favorito: bicampeão da LC da Ásia (2004 e 2005), o Al Ittihad vem de duas eliminações nas semifinais em suas últimas participações. O melhor currículo da chave fazia do Al Ittihad, time de Jóbson e Leandro Bonfim, um dos favoritos. A equipe não ficou na liderança por um ponto, mas segue adiante.

Surpresa: o Al Ain tinha tudo para se classificar às oitavas de final, mas o time emiriano surpreendeu ao ficar no topo da tabela. Campeão em 2003 e finalista dois anos depois, a equipe contou com os sete gols de Asamoah Gyan, que só não marcou na última rodada – é o artilheiro da competição até aqui. Vamos ver o que o Al Ain aprontará no mata-mata.

Grupo D
Raúl González é uma das esperanças do Al Sadd nas oitavas de final da LC da Ásia. Assim como Nilmar e Rodrigo Tabata

Raúl González é uma das esperanças do Al Sadd nas oitavas de final da LC da Ásia. Assim como Nilmar e Rodrigo Tabata

Times: Al Ahli (Emirados Árabes), Sepahan (Irã), Al Hilal (Arábia Saudita) e Al Sadd (Catar)

Favorito 1: campeão e vice duas vezes, o gigante Al Hilal joga a LC da Ásia ininterruptamente desde 2009, ano da última eliminação na fase de grupos. Numa chave bastante disputada, os sauditas foram líderes com nove pontos, dois a mais que o lanterna Sepahan. Os cinco gols do desconhecido Nasser Al-Shamrani (atual vice-artilheiro) foram fundamentais.

Favorito 2: apesar de apenas 11 participações e de não ser considerado um gigante na Ásia, o Al Sadd impõe respeito no grupo por ser duas vezes campeão continental (1989 e 2011). Mesmo com quatro eliminações na fase de grupos nas últimas cinco edições, o Al Sadd superou as campanhas precoces e somou oito pontos. O time de Raúl, Rodrigo Tabata e Nadir Belhadj precisará de força extra para superar também as oitavas de final.

Decepção: a trajetória do Sepahan na Liga dos Campeões não é muito bonita. Tem um vice-campeonato é verdade (2007), mas sete eliminações na fase de grupos, incluindo 2014. A decepção fica por conta do time iraniano ter sido lanterna da chave pela primeira vez na história. Pior é que  o Sepahan não conseguiu vaga na edição 2015.

Grupo E
Vágner Love marcou cinco gols pelo Shandong Luneng na LC da Ásia, mas nem isso foi suficiente para o time chinês avançar

Vágner Love marcou cinco gols pelo Shandong Luneng na LC da Ásia, mas nem isso foi suficiente para o time chinês avançar

Times: Pohang Steelers (Coreia do Sul), Buriram United (Tailândia), Cerezo Osaka (Japão) e Shandong Luneng (China)

Favorito: em nove participações, o Pohang Steelers terminou com o título do torneio em três oportunidades. Nas duas últimas edições, porém, a equipe saiu na fase de grupos. Apesar das dificuldades dentro de casa (nenhuma vitória), os sul-coreanos tiveram 100% fora e essa foi a diferença do Pohang para os adversários.

Decepção: elenco estrelado, com as presenças ilustres de Vágner Love, Aloísio Boi Bandido, Montillo e o técnico Cuca no banco de reservas. Todo mundo pensou que o Shandong Luneng atropelaria os adversários da chave com facilidade, mas isso nem de longe aconteceu. Com apenas uma vitória em seis jogos, os chineses sequer venceram em casa e pior ainda: terminaram na lanterna da chave. É a maior decepção da Liga dos Campeões da Ásia.

Grupo F
Rafael Costa, ex-Figueirense, ainda não marcou com a camisa do FC Seoul na Liga dos Campeões. Mas isso pode acontecer no mata-mata

Rafael Costa, ex-Figueirense, ainda não marcou com a camisa do FC Seoul na Liga dos Campeões. Mas isso pode acontecer no mata-mata

Times: Seoul (Coreia do Sul), Central Coast Mariners (Austrália), Beijing Guoan (China) e Sanfrecce Hiroshima (Japão)

Favorito: apesar da pouca experiência no torneio (quatro participações), o Seoul é o atual vice-campeão da LC da Ásia e esperava-se exatamente isso do time sul-coreano. Liderança da chave, mesmo que a classificação tenha vindo com alguns problemas.

Surpresa: o atual bicampeão japonês só jogou a competição três vezes, contando com 2014. Após duas eliminações na fase de grupos, o Sanfrecce Hiroshima superou o Beijing Guoan e passou adiante. No confronto entre japoneses e chineses houve dois empates, mas o Sanfrecce tirou mais pontos do Seoul do que o Beijing Guoan. O time não parece ter força para ir muito longe, mas já é uma surpresa.

Grupo G
Alessandro Diamanti foi para o Guangzhou Evergrande atrás de dinheiro, mas por que não um título continental?

Alessandro Diamanti foi para o Guangzhou Evergrande atrás de dinheiro, mas por que não um título continental?

Times: Guangzhou Evergrande (China), Jeonbuk Motors (Coreia do Sul), Melbourne Victory (Austrália) e Yokohama Marinos (Japão)

Favorito 1: atual campeão, o Guangzhou perdeu Conca, mas tem Alessandro Diamanti e campanha 100% dentro de casa. O único ponto nos domínios do adversário é que atrapalhou os chineses, que ainda assim ficaram na liderança, com dez pontos, três a mais que o lanterna.

Favorito 2: a primeira participação do Jeonbuk Motors na LC da Ásia foi em 2004, mas o time acumula bons resultados. Foi campeão em 2006 e vice em 2011, além de ter alcançado as semifinais logo no ano de estreia. A diferença para o Melbourne Victory foi no saldo de gols (1 contra 0), mas os oito pontos foram suficientes para levar os sul-coreanos adiante.

Surpresa: apesar da quarta eliminação em quatro participações, o Melbourne Victory pode se dar por satisfeito. Foi a melhor campanha da equipe na Liga dos Campeões. Em 2008, os australianos ficaram em segundo lugar, mas com metade dos 14 pontos do Gamba Osaka, único classificado. Em 2010 e 2011, o Melbourne Victory foi lanterna, com uma vitória apenas.

Grupo H

Times: Western Sydney (Austrália), Kawasaki Frontale (Japão), Ulsan Hyndai (Coreia do Sul) e Guizhou Renhe (China)

Favorito: O Kawasaki Frontale era um dos favoritos às oitavas de final, em sua quarta participação. Em duas delas (2007 e 2009), a equipe alcançou as quartas de final e saiu na fase de grupos em uma oportunidade (2010). Foram 12 pontos somados, cinco de vantagem para o Ulsan Hyundai, com campanha difícil no começo.

Surpresa: fundado em 2012, esta é a estreia do Western Sydney na Liga dos Campeões, e os australianos já começam a história com liderança de chave. Os 12 pontos acumulados deixam o time acima dos japoneses em razão dos 11 gols marcados e apenas cinco sofridos. Já é motivo de comemoração.

Decepção: o Ulsan Hyundai completou sua quinta participação no torneio, mas tem sua terceira eliminação na fase de grupos. O contraste fica por conta das semifinais em 2006 e do título continental em 2012. Não deixa de ser lamentável a saída tão precoce.

Curtas

Veja os confrontos das oitavas de final da Liga dos Campeões. Os jogos de ida ocorrem em 6-7 de maio, enquanto os da volta acontecem na semana seguinte.

Grupo Oeste

Al Ittihad x Al Shabab

Al Jazira x Al Ain

Al Sadd x Foolad

Bunyodkor x Al Hilal

Grupo Leste

Jeonbuk Motors x Pohang Steelers

Cerezo Osaka x Guangzhou Evergrande

Kawasaki Frontale x FC Seoul

Sanfrecce Hiroshima x Western Sydney

- A melhor campanha na primeira fase é do Al Shabab, com 15 pontos (5v, 0e, 1d). Apenas dois times estão invictos: Foolad e Pohang Steelers. A pior campanha dos 32 times foi do Al Fateh, o único que não venceu na fase de grupos. Foram dois pontos, três gols anotados e 11 sofridos.