Some um país que reestrutura seus impostos para acertar as contas públicas com um clube que tem sede em um paraíso fiscal e recebeu injeção de um bilionário russo e o resultado é: muita gente reclamando de condições injustas. O Monaco sempre foi favorecido pelo fato de estrangeiros não-franceses morarem no principado sem pagar impostos, mas essa diferença aumentou quando o presidente francês François Hollande resolveu aumentar a taxação sobre grandes fortunas. Ainda mais porque coincidiu com o período em que o russo Dmitry Rybolovlev comprou o clube monegasco.

Criou-se um impasse. Clubes com sede na França pedindo a criação de mecanismos que igualassem as condições do Monaco, e o time monegasco querendo fazer a lei de seu país e o acordo de décadas com a Ligue 1 prevalecer. Nesta sexta chegou-se a um consenso: uma solução para inglês ver, e empurrar o problema com a barriga.

O clube de Rybolovlev pagará € 50 milhões à liga. É um dinheiro considerável, mas será só isso, e ainda parcelado em diversas vezes. Para o curto e médio prazo não há problema. O montante pode ser visto como uma compensação proporcional às vantagens que o Monaco tem em relação a Paris Saint-Germain, Olympique de Marseille, Lyon, Nice, Evian, Montceau, Carquefou, Créteil-Lusitanos e qualquer clube com sede na França. Mas o acordo é grande a ponto de dar compensação eterna?

Monaco e Ligue 1 acertaram o pagamento dos € 50 milhões e só. Como se fosse uma multa. Mas, em 10, 15 ou 20 anos, o impacto desse pagamento que o ASM faz agora será nulo. E é bem fácil imaginar os clubes franceses chiando quando esse momento chegar.

Muito melhor seria definir um valor permanente que os monegascos teriam de pagar, como renúncia de parte de sua cota de TV ou doar o equivalente ao imposto francês a instituições de caridade. Mas daria muito trabalho. Preferiram empurrar o impasse com a barriga.