O movimento era esperado e a Corte Constitucional Francesa aprovou uma medida criada pelo governo para aumentar a arrecadação taxando mais os ricos. O superimposto de 75% vai afetar quem recebe salários anuais acima de € 1 milhão, o que significa boa parte dos grandes times do país que disputam a Ligue 1, o Campeonato Francês.

Já falamos sobre isso aqui na Trivela. Em abril, falamos sobre a reação dos clubes sobre o superimposto. Em julho, falamos do dilema que essa supertaxação cria no futebol francês. Em outubro, falamos sobre a reação dos jogadores, muito negativa, ameaçando até mesmo uma greve.

A proposta do governo criou muita controvérsia na França e foi acusada de ser inconstitucional. Por isso foi parar na Corte Constitucional do país, que acabou por aprovar a medida. Desta vez, o presidente da Ligue 1, Frederic Thiriez, reclamou do que ele chamou de uma “decisão lamentável” da corte constitucional. Serão € 220 milhões a mais nos cofres do governo francês, sendo € 44 milhões dos clubes de futebol.

“Todo mundo sabe que o imposto de 75% é um absurdo economicamente, ineficiente fiscalmente e socialmente injusta”, reclamou o dirigente da liga francesa. “As consequências serão muito grandes para os nossos clubes nos anos que virão”. Um imposto desse tamanho sempre assusta, e a medida estudada foi não usá-la no futebol, que trataria os clubes como pequenas ou médias empresas. Só que a medida não foi tomada. Seria complicado explicar para outros setores porque eles são taxados e o futebol não é.

Como dissemos nos textos anteriores, será uma medida que, sem dúvida, irá afetar a competitividade da liga francesa. E levanta novamente a discussão sobre o Monaco, que está em um paraíso fiscal e não seria afetado pela medida. Isso tudo é justo? É uma discussão muito válida e difícil de responder.