No retorno das atividades da Ligue 1, o Lille desperdiçou a chance de assumir a vice-liderança e começou 2014 com o pé esquerdo. O empate por 1 a 1 do Monaco com o Montpellier abriu a brecha para o LOSC subir um degrau no pódio, mas a letargia tomou conta da equipe durante a partida contra o Stade Reims. A derrota por 2 a 1 em casa, a segunda nesta temporada, serve como um alerta para o técnico René Girard.

O desempenho do Lille no fim de 2013 sugeria um ano novo repleto de boas novas. Dono da melhor defesa da Ligue 1 e de uma confortável vantagem de nove pontos para o Bordeaux, quarto colocado, o LOSC levou um golpe do Stade Reims decisivo para se aprumar. O revés logo na primeira rodada do returno chacoalhou o time, para lembrá-lo de que deveria manter seu foco e evitar subir no salto da soberba.

A excelente atuação no empate por 2 a 2 com o Paris Saint-Germain no Parc des Princes, na última rodada do primeiro turno, contrastou com a indolência exibida pelo Lille diante do Stade Reims. Os visitantes, por outro lado, confirmam sua fama de estragar a festa dos pesos pesados da Ligue 1. O SR já havia triunfado sobre o Lyon (1 a 0 em Gerland) e Olympique de Marselha (3 a 2 no Vélodrome).

Em quase três quartos de jogo, poucas ações foram dignas de nota. Bem agrupado em sua defesa, o Stade Reims nitidamente estava sem vontade de atacar. Sua única preocupação era evitar os avanços do Lille, que ficou preso na marcação e sem um plano B para fugir deste estilo de jogo truncado. Diante de um adversário completamente fechado, os Dogues tentaram uma insípda tática de buscar o contra-ataque.

O erro estratégico de Girard foi achar que o Stade Reims se adiantaria e abriria espaços para, enfim, o LOSC se infiltrar. Ledo engano. Os visitantes nem se incomodaram quando viram os anfitriões tocarem a bola com liberdade entre seu campo de defesa e a intermediária. Em suas raras incursões no ataque, o SR se deu bem ao aproveitar momentos de desatenção da defesa dos Dogues. Fortes e Krychowiak tiveram o oportunismo e a qualidade técnica que faltaram ao Lille, algo imprescindível para quem deseja se manter no topo sem ser incomodado.

Embora ainda tenha uma vantagem sossegada de seis pontos para o quarto colocado, o Lille pode elevar um pouco seu nível de preocupação. O Saint-Étienne pode se tornar uma ameaça real aos Dogues, ainda mais com o bom momento de Romain Hamouma. Autor de sete gols (um deles na vitória por 1 a 0 sobre o Évian em partida atrasada) e de quatro assistências, o meia tem sido o grande nome dos Verdes.

PSG em águas calmas

Enquanto Monaco e Lille amargaram tropeços, o Paris Saint-Germain riu à toa na 20ª rodada da Ligue 1. O time da capital enfim tirou o espinho chamado Ajaccio de sua garganta e venceu por 2 a 1 na Córsega. Parece conto da carochinha, mas esta é a primeira vez na qual os parisienses ganham do ACA como visitantes desde que os qatarianos assumiram o controle do clube.

O PSG fez uma partida bastante morna e encontrou dificuldades diante do lanterna do campeonato. O Ajaccio teve êxito em sua tática de partir com tudo para cima do rival logo no começo da partida e abriu o placar em sua primeira ida ao ataque. Em vantagem, o ACA se fechou com cinco homens em sua defesa.  Com a inspiração em baixa, os parisienses esbarravam em sua própria falta de criatividade e na preguiça de encontrar um meio de furar o bloqueio defensivo dos anfitriões.

Fez-se a luz graças, mais uma vez, a Zlatan Ibrahimovic. O sueco não marcou, mas foi imprescindível com duas assistências que permitiram a virada do PSG. Não menos importante foi a participação de Blaise Matuidi. O meio-campista apareceu de forma imperial no combate no meio-campo, com desarmes cirúrgicos. Além disso, ele soube atacar na medida certa e foi recompensado com o gol da vitória.

Na parte de baixo da tabela, o Évian ampliou seu flerte com a zona de rebaixamento. A equipe perdeu por 2 a 1 para o Olympique de Marselha em casa, sua quarta derrota consecutiva. O ETG passa por um de seus piores momentos na temporada, e esta série negativa veio logo após seu momento mais surpreendente. A vitória por 2 a 0 sobre o PSG (única derrota sofrida pelo líder até o momento na Ligue 1) foi um divisor de águas para o Évian, mas para o lado ruim.

De lá para cá, o ETG ganhou apenas uma partida em seis disputadas, levando-se em consideração todas as competições das quais o clube participa. O desempenho pífio já deixa o Évian muito perto da zona da degola: o time soma 20 pontos, apenas três a mais do que o Valenciennes. Irregular, o ETG tem feito exatamente o contrário de quando bateu Lyon e PSG: apostou em um infrutífero estilo de jogo baseado em bolas longas, quando se deu melhor nas vezes nas quais usou toques curtos e rápidos para envolver seus marcadores.

E é bom o Évian se cuidar, pois o Valenciennes engatou uma sequência de duas vitórias e está em alta. Primeiro time da degola, o VA ainda precisa ser mais eficiente em suas ações ofensivas. Embora tenha vencido o Bastia por 3 a 2, a equipe poderia obter uma vitória mais tranquila se confirmasse sua superioridade vista na posse de bola (54% a 46%). Mesmo assim, a boa fase de Mathieu Dossevi, autor de dois gols contra os corsos, leva a torcida a acreditar em uma reviravolta.