Foi mais sofrido do que se esperava, mas o Liverpool vai decidir a Champions League depois de 11 anos. Avança à final depois de vencer por 5 a 2 o jogo de ida e passar por um leve sufoco no jogo de volta. Tomou 4 a 2 da Roma – dois gols bem no final do jogo – e vai decidir o título da Champions League contra o Real Madrid. Dá para dizer que o time inglês avança com todos os méritos. Também dá para dizer que o time avança com mas sorte que juízo, porque tomou pressão, viu o árbitro errar a seu favor e, por um gol, não viu o jogo ir para a prorrogação. Foi um festival de gols que deixou na Roma o gosto amargo da eliminação com o quase. O Liverpool chega à final com um time forte e perigoso.

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Precisando da vitória, o técnico Eusebio Di Francesco escalou o time de modo diferente do primeiro jogo. Em vez do 3-5-2 do primeiro jogo, um 4-3-3, com El Shaarawy e Patrik Schick junto com Edin Dzeko. Nas laterais, Florenzi na direita e Kolarov na esquerda, como na semana anterior. Dois jogadores muito ofensivos.

No Liverpool, a única mudança em relação ao time do jogo de ida foi a entrada de Georginio Wijnaldum no lugar de Alex Oxlade-Chamberlain, que se machucou gravemente e ficará fora até da Copa do Mundo. O ataque poderoso esteve em campo e causou estragos, como era de se imaginar.

Um erro da Roma permitiu que o Liverpool marcasse um gol no seu primeiro ataque. Nainggolan, pressionado no lado esquerdo do meio-campo, tentou um passe pelo meio. Errou. Roberto Firmino interceptou a bola, avançou e esperou o momento preciso para Sadio Mané no lado esquerdo. O senegalês finalizou com precisão para marcar 1 a 0, aos nove minutos. Foi o primeiro gol sofrido pela Roma em casa nesta Champions League.

A Roma arrancou o empate de maneira, digamos, insusitada. Florenzi fez o cruzamento pela direita para a segunda trave, onde estava El Shaarawy, que tocou de cabeça para o meio da área. O zagueiro Lovren tentou tirar com um chutão para frente, mas a bola explodiu na cara de Milner e entrou: 1 a 1, aos 15 minutos.

O Liverpool voltou a ficar na frente no placar em um lance bem pastelão. Milner cobrou escanteio, Alisson saiu mal do gol, Dzeko tocou mal na bola, para trás, e Wijnaldum aproveitou a confusão toda para subir de cabeça sozinho e marcar 2 a 1, aos 25 minutos. Mais uma vez, os ingleses em vantagem e deram um grande banho de água fria no time da Itália. Seria necessário um feito ainda maior desta vez em relação ao que foi feito contra o Barcelona.

Logo no início do segundo tempo, a Roma conseguiu um lance perigoso. Dzeko foi lançado nas costas da zaga, deu um toque tirando do goleiro Karius e foi derrubado. O árbitro apitou, dando a sensação de pênalti, mas marcou mesmo um impedimento. O replay mostrou que o assistente que apontou fora de jogo não existiu, por muito pouco.

Logo depois, em uma jogada de El Shaarawy, o atacante chutou, Karius defendeu, mas no rebote Dzeko marcou o gol de empate por 2 a 2, aos sete minutos. O replay mostrou que Dzeko estava impedido na hora do chute de El Shaarawy, por pouco, mas estava. Desta vez o árbitro errou para o lado contrário.

A Roma, então, precisava de mais três gols a favor e não sofrer nenhum. E o time partiu para cima. Di Francesco colocou em campo o atacante Cengiz Ünder no lugar do meio-campista Pellegrini, tentando dar ainda mais força ofensiva. E foi Ünder que quase marcou aos 15 minutos, em um cruzamento que ele se jogou na bola, mas Karius defendeu.

Aos 17 minutos, em um chute de El Shaarawy, os romanistas reclamaram de pênalti de Alexander-Arnold, que bloqueou a bola com a mão. O árbitro Damir Skomina não marcou. A jogada foi claramente mão dentro da área.

A pressão continuava. Aos 20 minutos, em uma boa jogada pela esquerda, cruzamento rasteiro que El Shaarawy não conseguiu tocar para frente e a bola foi para trás. Na continuação do lance, lançamento para Dzeko nas costas da zaga e ele girou para chutar, mas mandou para fora.

A Roma seguia tentando, mesmo com o cansaço começando a bater e a organizar se diluir em meio ao desespero que aumentava. Aos 40 minutos, em um chute de fora da área, Nainggolan acertou um belo chute, que bateu na trave e entrou, sem chance de defesa para Karius. A Roma agora vencia: 3 a 2, mas a diferença de gols era insuficiente.

Nos acréscimos, no desespero, a Roma ainda conseguiu mais um gol. Lançamento longo para Ünder, que tentou o drible de primeira sobre Klavan e a bola bateu na mão do zagueiro. Pênalti que, desta vez, o árbitro marcou. Nainggolan cobrou e marcou: 4 a 2, aos 49 minutos. O belga sequer comemorou, assim como o seu gol anterior. E o árbitro encerrou a partida logo depois, aos 50 minutos.

Jogadores do Liverpool comemoram (Photo by Julian Finney/Getty Images)

A Roma pode até lamentar, mas fez um jogo grande, foi um adversário duro e vendeu caro a classificação. Sai de campo prejudicada pela arbitragem, que complicou ainda mais uma missão que já era muito complicada. O Liverpool, por sua vez, chega à final com uma marca enorme: 40 gols marcados na Champions League (contando só a partir da fase de grupos, já que o time disputou a última fase preliminar). O time foi cardíaco: viveu muitas emoções – e muitos riscos – para decidir o título.

O Liverpool vai mais uma vez à final da Champions League e terá pela frente o poderoso Real Madrid, atual bicampeão do mundo. Tem tudo para ser um jogo muito interessante na decisão no dia 26 de maio, em Kiev.

Ficha técnica

Roma 4×2 Liverpool

Local: Estádio Olímpico, em Roma (ITA)
Árbitro: Damir Skomina (ESL)
Gols: James Milner contra aos 15’/1T, Dzeko aos 7’/2T, Nainggolan aos 41’/2T e aos 48’/2T (Roma), Mané aos 9’/1T, Wijnaldum aos 25’/1T (Liverpool)
Cartões amarelos: Florenzi, Manolas (Roma), Robertson, Solanke (Liverpool)
Cartões vermelhos:
nenhum

Roma

Alisson; Alessandro Florenzi, Kostas Manolas, Federico Fazio e Aleksandar Kolarov; Daniele De Rossi (Maxime Gonalons aos 25’/2T), Lorenzo Pellerini (Cengiz Ünder aos 7’/2T) e Radja Nainggolan; Patrik Schick, Edin Dzeko e Stephan El Shaarawy (Mirko Antonucci aos 30’/2T). Técnico: Eusebio Di Francesco

Liverpool

Lorius Karius; Trent Alexander-Arnold (Nathaniel Clyne aos 47’/2T), Dejan Lovren, Virgil Van Dijk e Andrew Robertson; Georginio WIjnaldum, Jordan Henderson e James Milner; Mohamed Salah, Roberto Firmino (Dominic Solanke aos 42’/2T) e Sadio Mané (Ragnar Klavan aos 38’/2T). Técnico: Jürgen Klopp