A Primeira Liga, esvaziada, mal tratada, assistiu ao fim da sua segunda edição, na noite desta quarta-feira, cheia de problemas e precisando se reinventar. Quem não tem absolutamente nada a ver com isso é o Londrina: seis anos atrás, sofria na segunda divisão do Campeonato Paranaense, quando chegou o técnico Claudio Tencati para resgatá-lo. Agora, comemora um título que, mal ou bem, tem caráter nacional, depois de eliminar clubes do tamanho de Fluminense, Cruzeiro e Atlético Mineiro.

LEIA MAIS: O Londrina lutou muito e, com uma reviravolta impressionante, está na final da Primeira Liga

O tempo normal da final no Estádio do Café terminou 0 a 0. Mais um jogo decisivo de qualidade contestável este ano, mais uma decepção para uma temporada tenebrosa do Atlético Mineiro, que a começou cheio de esperanças, com altos investimentos e jogadores cascudos, que não conseguiram entregar o que deles se esperava.

O primeiro tempo foi um pouco mais movimentado. O Atlético Mineiro ficou com a bola e tomou a iniciativa das ações, mas Victor precisou trabalhar muito bem duas vezes, em tentativas de Rômulo e Negueba. O mais ligado do Galo era Valdivia, que bateu da entrada da área, saiu cara a cara com César e, no segundo tempo, quase marcou um gol olímpico.

Nos pênaltis, voltou a brilhar César, defendendo as cobranças de Clayton e Rafael Moura. Havia sido assim na semifinal contra o Cruzeiro, quando o goleiro interveio muito bem em três penalidades. Victor, notório milagreiro atleticano, quase defendeu duas cobranças, ao pular para o seu lado esquerdo, mas uma bateu em suas pernas e entrou, e a outra passou por baixo do seu corpo.

Tencati, técnico mais longevo do futebol brasileiro, chegou ao Londrina, seis anos atrás, e conquistou a segunda divisão do Paranaense. Em 2014, conquistou também a primeira, título que o Tubarão não vencia desde 1992. Ainda levou o clube à Série B. Vale a pena ficar de olho no jovem profissional de apenas 43 anos.

Tudo bem se você, caso não seja torcedor do Londrina, não tenha percebido que a Primeira Liga chegou ao fim. O torneio que nasceu para o ser o embrião de uma liga nacional foi teve a sua final quase escondida, um dia antes do início de uma data Fifa que deve definir vários classificados à próxima Copa do Mundo, sem grande repercussão fora dos torcedores dos clubes envolvidos nela.

Fundadores e maiores entusiastas, Flamengo e Fluminense usaram times reservas ou bastante alterados no mata-mata. A promessa de abrir mão dos estaduais, para que a Primeira Liga não se tornasse apenas mais um fardo para o calendário, não foi cumprida por ninguém. Ano que vem, com a pausa para Copa do Mundo, haverá ainda menos espaço para acomodar todos os compromissos, e sinceramente não sei onde vão encaixar a Primeira Liga. Também não sei se deveriam.