Lucas Leiva chegou à Itália nesta temporada e fez sucesso imediato. Aos 31 anos, o volante, ex-Liverpool e Grêmio, se tornou titular. Chegou ao clube por € 5,7 milhões, depois de se tornou um reserva pouco utilizado no clube de Anfield. Fez 39 jogos na temporada e tem sido um jogador muito importante, substituindo Lucas Biglia, que foi para o Milan. É o terceiro jogador com mais desarmes na Serie A, atrás do também brasileiro Allan, do Napoli, e do Uruguaio Lucas Torreira, da Sampdoria.

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Igli Tare, ex-jogador e atual diretor do clube, elogiou muito o brasileiro. “Eu já tinha entrado em contato com ele e seu empresário, nós conversamos por um longo tempo. Ele queria deixar o Liverpool e viu a Lazio como uma ótima oportunidade. Foi uma das melhores contratações que eu já fiz pela Lazio”, analisou o dirigente.

Recentemente, Lucas Leiva falou à repórter Clara Albuquerque, do Esporte Interativo, em entrevista sobre a sua nova vida na Lazio e sobre a ligação com o Liverpool.

Sentimento ao deixar o Liverpool

“O sentimento de quando eu saí do Liverpool foi parecido ou mesmo igual ao que tive do Grêmio. O sentimento de gratidão, primeiro, o que eu tenho pelo Grêmio e pelo Liverpool. O Grêmio abriu as portas no Brasil para me formar. O Liverpool na Europa. A saída tem muita coisa envolvida. Eu acho até pelo sentimento que eu tenho pelo clube, até me puxou muitas vezes. Eu sentia que eu deveria mudar, mas eu não conseguia. Teve uma hora que eu tive que olhar para a minha carreira”, contou o jogador em entrevista ao canal Esporte Interativo.

Adaptação

“Eu tive um início muito difícil de adaptação. Fisicamente eu não estava preparado para enfrentar o jogo rápido e físico da Premier League. Cada dia para mim foi uma batalha. A minha temporada 2010/11, quando estava o Kenny Dalglish, que era o meu treinador, para mim aquela foi uma temporada sensacional. Até chegar a lesão no joelho. Para mim, essa foi a minha melhor temporada”, disse.

Gerrard

Lucas conta que Steven Gerrard foi o melhor jogador com quem jogou no Liverpool. “Não só pelo jogador, mas pela pessoa também. Tudo que ele representa para o clube, da maneira como ele tentava ajudar, ser disponível. Ele é um cara bem tímido, bem inglês, reservado. Ele se esforçava muito para estar sempre aberto para dar um conselho, tentar ajudar”.

Liga dos Campeões

“Minha estreia pelo Liverpool foi na Liga dos Campeões. Então, é o que vem na minha cabeça. Quando eu estreei pelo Liverpool contra o Toulouse, da França, onde eu fiz minha primeira partida. Quando eu penso em Liga dos Campeões, eu penso em título. É um torneio diferente. É a competição mais importante na Europa”.

“Acho que todo mundo gostaria de jogar, nem que fosse algumas partidas. Eu tive oportunidade de jogar algumas. É por isso que eu quero tanto que a Lazio classifique. Eu acabei saindo do Liverpool e esse ano o time está indo muito bem na Champions League, então fica aquele sentimento de perda, vamos dizer assim. Eu vou dar o meu máximo aqui para que a Lazio possa jogar no ano que vem”.

Lazio

“Eu acho que está saindo muito melhor do que eu esperava. Foi uma decisão difícil. Sair do Liverpool para mim significava como sair da minha casa. Eu saí com 30 anos, então um terço d aminha vida eu passei em Liverpool. Meus filhos nasceram em Liverpool, eu achei lá muito jovem… Mas era necessária essa mudança. Depois de tanto tempo eu percebi que eu estava começando a perder espaço no time. Talvez sendo importante muito mais fora do campo do que dentro e eu com a minha idade eu ainda não estava preparado para assumir esse papel, somente fora de campo”.

Disputa na Serie A

“Concorrer com esses outros times é sempre mais difícil. E o time tem se mostrado muito capaz. As coisas começaram bem, o título da Supercopa deu uma confiança muito grande, os jogadores em grande forma e estamos na briga. Perdemos alguns pontos nos últimos jogos, mas ainda estamos na briga, vivos, quem sabe aí para uma classificação à Champions League, que seria como um título para nós”.

Liga Europa

“Obviamente chegando quartas de final, como agora, já começa a sonhar um pouco mais. São times favoritos que ainda estão na competição, acredito que o Atlético de Madrid seja o favorito para vencer, neste momento”.

Voltar ao Brasil

“Voltar ao Brasil para jogar é algo que eu tenho vontade, mas não é algo que eu tenha na cabeça quando. Essa temporada tem sido muito boa para mim na Lazio. Então é difícil pensar daqui a dois ou três anos. Eu quero viver o momento. Eu olho para trás e vejo que 10 anos no Liverpool passou muito rápido”.

“Então eu estou tentando desfrutar o máximo aqui. Quando eu sentir que está na hora de mudar, aí sim pensar em qual é o melhor passo. Mas com certeza o Grêmio é o time que vem na cabeça primeiro. É um time que eu tenho muita gratidão, acompanho, tenho amigos lá”.

Volta a Liverpool?

“Quem sabe no futuro eu não possa representar o Liverpool no Brasil, na América do Sul, ser um cara que ajude os brasileiros a se adaptar no clube, um diretor, treinador… Eu não tenho claro na minha cabeça em que área eu vou atuar quando eu parar de jogar. Como eu saí da forma como eu gostaria de Liverpool, eu tenho certeza que as portas estarão abertas caso eu precise de uma ajuda quando eu parar”.