Há seleções que disputam competições oficiais da Uefa que não têm a menor chance de se classificar para alguma coisa. Estão sempre nas últimas posições, colecionando mais goleadas do que pontos. Por que insistem? Insistem porque o futebol permite que haja dias como este domingo, quando Luxemburgo foi a Toulouse encarar a França, uma das favoritas ao título mundial ano que vem, e saiu de campo com um 0 a 0 que entra para a eternidade. Um ponto que vale como um título para o pequeno país de 500 mil habitantes.

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É difícil identificar melhoras em uma equipe que ainda perde a maioria de suas partidas. Mas Luxemburgo tem realmente sido um osso mais duro de roer. Nesta campanha por vaga na Copa do Mundo da Rússia, foi goleada apenas uma vez, pela Holanda. Esteve no lado derrotado de um vibrante 4 a 3 contra a Bulgária e perdeu, em casa, para a França, por apenas 3 a 1 no primeiro turno. E somou quatro pontos contra Belarus.

O desenvolvimento de Luxemburgo já estava claro na Eliminatória para a Eurocopa da França, quando suas piores derrotas foram dois 4 a 0 para a Espanha. O último placar de hóquei foi o 6 a 0 para Israel, em 2012. Claro que ainda não é um time relevante, capaz de brigar por vagas e vitórias consistentemente. Mas deixou de ser um saco de pancadas tão grande assim – 29 derrotas seguidas entre 2003 e 2006, por exemplo.

Luxemburgo pode ter a melhor geração da sua história que ainda precisaria combinar um grande jogo com uma exibição fraca da França para não sair de campo derrotado – havia visitado os franceses sete vezes, com sete derrotas. O time de Didier Deschamps não fez um grande jogo. Afobado desde o primeiro minuto, ignorou a qualidade de seus jogadores com a bola no chão e a fez voar mais do que deveria.

Claro que isso gerou chances. Griezmann e Pogba acertaram o travessão. Foram 24 finalizações francesas, embora apenas oito no alvo, contra duas do adversário. Mas Luxemburgo também acertou a trave, em uma grande jogada individual de Gerson Rodrigues pela esquerda, que entrou na área em velocidade e tocou na saída de Lloris. O mesmo Rodrigues escapou em contra-ataque e chegou a driblar o goleiro do Tottenham, mas a jogada foi interrompida por impedimento. No entanto, o jogador de Luxemburgo estava em posição legal.

Claro que houve muita comemoração de Luxemburgo com o apito final. Foi a primeira vez desde 1914 que a seleção não perde da França. E ainda teve chances claras de vencer. O resultado também tem repercussões na ponta do grupo. Os franceses já contavam com os pontos para abrir três em relação à Suécia, segunda colocada. Agora, a briga está aberta. A França tem apenas um ponto de vantagem e jogos contra Bulgária e Belarus. A tendência ainda é que vença ambas e se classifique sem passar pela repescagem. Mas a tendência também era vencer Luxemburgo.

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