A primeira memória que muita gente tem de Magrão está lá, na marca da cal. O goleiro que chegara ao Sport dois anos antes foi confrontado por Romário, em São Januário. E não conseguiu evitar que o Baixinho anotasse o seu gol de número mil em 2007. No entanto, o rótulo de “goleiro que levou o milésimo gol de Romário” é muito pequeno ao camisa 1. É insuficiente, sobretudo, ao sentimento do torcedor do Sport por um dos maiores ídolos de sua história. O arqueiro protagonizou tantos momentos inesquecíveis, acompanhou o Leão em tantas jornadas, carregou o time. Mesmo aos 40 anos, ainda carrega. O herói proporcionou outra noite épica lá, na marca da cal, no que se tornou uma de suas especialidades. Pegou (e como pegou) dois pênaltis no mítico Estádio Centenário para colocar os pernambucanos na próxima fase da Copa Sul-Americana.

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O elogio a Magrão, de qualquer maneira, não deve ocultar a incompetência do Sport. Depois de amassar o Danubio na Ilha do Retiro por 3 a 0, os rubro-negros decepcionaram na visita a Montevidéu. Especialmente porque sua defesa, sem alguns titulares, fez partida terrível. Magrão operou milagre logo nos primeiros minutos, mas não evitou que Jonathan dos Santos abrisse o placar aos 14. Oito minutos depois, em pênalti infantil, Lucas Olaza ampliou. E o terceiro só não veio antes do intervalo pela falta de pontaria dos uruguaios. Esperaram pouco na segunda etapa: em mais uma penalidade, Olaza reverteu o placar da ida. Nem a expulsão de Damián Malrechauffe, após marcar um gol com a mão, ajudou o Leão. A vaga na próxima fase seria resolvida nos pênaltis.

Embora não tenha conseguido fazer muito nas duas cobranças do tempo normal, Magrão voou na disputa decisiva. Parecia uma ocasião forjada para que o ídolo recebesse as devidas reverências. No Centenário quase vazio, os gritos dos torcedores do Sport atrás da meta ecoavam pelas arquibancadas lendárias. O veterano era exaltado. E correspondeu. Gonzalo González bateu forte e no canto, mas o camisa 1 conseguiu buscar para uma defesaça. Já no último tiro, Marcelo Tabárez não economizou na força, por mais que tenha batido um pouco mais no meio. De novo o arqueiro esticou o braço para pegar e ser celebrado. Por 4 a 2, o Sport avançou.

Por aquilo que demonstrou na estreia, o Sport tem condições de fazer bonito na Copa Sul-Americana. Mas não pode sofrer tamanha queda de desempenho como a desta quinta. É preciso ponderar que a lista de desfalques era imensa, incluindo muitos dos protagonistas rubro-negros, especialmente Diego Souza e Rithely. Só que a falta de firmeza do mistão quase custou caríssimo. Por sorte, a torcida tem Magrão. E, com 30 pênaltis defendidos em 12 anos de clube, o goleiro oferece mais algumas memórias inoxidáveis a quem sabe reconhecer sua grandeza.