Riyad Mahrez pensou em ir embora depois do título inglês do Leicester. Foi convencido por Claudio Ranieri a ficar e disputar a Champions League. No começo da temporada passada, disse publicamente que buscava uma transferência. Chegou a abandonar a concentração da seleção argelina para procurar um negócio de última hora, no dia do fechamento da janela. Nada apareceu e ele, novamente, permaneceu. No mercado do último janeiro, foi cortejado pelo Manchester City, prestes a ser campeão. A negociação travou pela pedida financeira estratosférica das Raposas, e Mahrez, pela última vez, não conseguiu sair. Insatisfeito, chegou a faltar em treinamentos. Imagina o alívio do jogador de 27 anos ao, na última terça-feira, finalmente assinar contrato com o Manchester City.

Mahrez foi um grande servidor do Leicester. O melhor jogador do título inglês ao lado de Kanté e também importante nas duas temporadas seguintes, quando as Raposas voltaram à realidade do meio da tabela. Fez 48 gols, muitos deles mágicos, em 179 partidas. Era compreensível sua vontade de subir um degrau na carreira, assim como era a estratégia do Leicester de tentar segurá-lo o máximo possível e arrancar o quanto pudesse da taxa de transferência. O clube percebeu que a relação chegou a esse limite, inclusive pelos atos de indisciplina de Mahrez quando uma transferência lhe era negada.

Em janeiro, o Leicester pedia algo entre £ 80 milhões e £ 90 milhões por Mahrez. O Manchester City recusou-se a pagar tanto por uma peça de rotação para o seu elenco. Daria no máximo £ 60 milhões, que acabou sendo mesmo o preço pago pelo argelino, a maior contratação da história do clube. O lucro ainda foi exorbitante para a Raposa, que contratou Mahrez, em janeiro de 2014, por £ 450 mil, do Le Havre, da França.

“Ver o City jogar de longe foi um prazer. Guardiola está comprometido com um futebol ofensivo, que é perfeito para mim, e o desempenho do City na última temporada foi excelente. Eles estão redefinindo o futebol inglês e eu quero fazer parte disso. Acho que podemos ter sucesso nos próximos anos e eu acredito que o meu próprio jogo pode ser desenvolvido pela administração do Guardiola”, comemorou Mahrez.

O meia-atacante ainda tem apenas 27 anos e várias temporadas de alto nível pela frente. Suas características permitem que Guardiola utilize-o em mais de uma função. O argelino pode ser um dos atacantes pelos lados, onde está mais acostumado a jogar, ou ser trabalhado para atuar como armador pelo meio-campo. Tem a técnica e a habilidade necessárias para isso. De qualquer maneira, o Manchester City aprofunda o seu elenco com um jogador talentoso e experiente em Premier League, depois de uma temporada em que o gás terminou cedo demais para as pretensões europeias do clube.

Agora, Guardiola tem seis jogadores para as três posições do ataque: Gabriel Jesus, Agüero, Sterling, Sané, Bernardo Silva e Mahrez. E ainda pode colocar o argelino no meio-campo de vez em quando, caso não consiga contratar o jogador da posição que está buscando. Jorginho, do Napoli, parecia próximo, mas as últimas informações apontam para uma reunião do brasileiro com Maurizio Sarri, no Chelsea. O City ganha mais qualidade na rotação do time titular, o que foi um ponto fraco na última temporada magistral dos Citizens, campeões ingleses com sobras e louvor, mas eliminados precocemente na Champions.

Diretor de futebol, Txiki Bergiristain afirmou que, com Mahrez, o time recebe um jogador que “vence defensores e cria espaço”. Números da BBC apontam que, desde a estreia de Mahrez, em 2014, apenas oito jogadores participaram de mais gols da Premier League do que o argelino: Hazard, Diego Costa, Eriksen, Vardy, Alexis Sánchez, Lukaku, Agüero e Kane. Ele também foi o terceiro que mais driblou da última temporada da liga inglesa e foi o quarto em assistências (10), empatado com Salah, Eriksen, Alli e Pogba, e atrás de David Silva (11), Sterling (11), Sané (15) e De Bruyne (16).

O casamento é interessante. Mahrez tem capacidade para florescer dentro do estilo de jogo do Manchester City, e um talento bruto que poder ser mais lapidado por Guardiola. No entanto, ele tem que se preparar para brigar por uma posição no time titular. Enquanto no Leicester era um dos donos do time, no Etihad Stadium será apenas mais um jogador do elenco. Mas não dá para reclamar: foi isso que ele buscou incessantemente nos últimos dois anos. E buscou muito.