O Atanásio Girardot abriu os seus portões nesta sexta-feira, mas não receberia qualquer partida. O estádio se encheu única e exclusivamente para dizer adeus a Franco Armani. O goleiro argentino se despede como um dos maiores ídolos do Atlético Nacional. Conquistou mais títulos do que qualquer outro jogador na história dos verdolagas, e foi fundamental na maioria dessas taças, especialmente a Copa Libertadores de 2016. Aos 31 anos, entretanto, o arqueiro decidiu tomar um novo rumo de sua carreira. Assediado pelo River Plate há mais de um ano, assinou com um dos maiores clubes de seu país, vislumbrando se aproximar da família e ganhar visibilidade rumo à Copa do Mundo de 2018. E não foi sua opção por sair que diminuiu o carinho da massa alviverde. Mais de 30 mil torcedores encheram as arquibancadas para prestar tributo ao veterano.

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Assim como acontecera na inesquecível noite de homenagens à Chapecoense, o Atlético Nacional deu uma enorme mostra de empatia e gratidão. As arquibancadas cantavam e exibiam faixas exaltando Armani – que, obviamente, não conteve as lágrimas. Além disso, o clube exibiu no telão mensagens de companheiros, ex-companheiros e outras pessoas ligadas aos Verdolagas, relembrando a história do camisa 1 em Medellín. Um ato relativamente simples, mas ao mesmo tempo gigante.

Entre os que mais emocionaram Armani, estava outra lenda do arco verdolaga: o folclórico René Higuita, também herói na conquista da Libertadores, em 1989, além de decisivo na campanha até a final de 1995. “Trabalhei com um profissional 100% comprometido com o futebol e com o escudo verdolaga metido no coração. Em você, Franco, sempre vi humildade, bons modos, carisma e muita valentia paisa. É uma pessoa íntegra, um exemplo a seguir. Bem dizia a minha avó: ‘As pessoas boas transmitem coisas boas’. E isso se aplica a você. Isso dá alegria. O coração do torcedor verde é para os melhores e você o ganhaste. Essa cidade encanta e te digo, com certeza, quando você voltar estes milhões de braços o receberão com ânimo. No Nacional você se fez, do Nacional você é e do Nacional serás”, apontou o veterano, que atualmente trabalha como preparador de goleiros do clube.

Além disso, um porta-voz da principal barra do Atlético Nacional, Los Del Sur, subiu ao palco e endereçou uma bonita mensagem ao goleiro, pedindo desculpas pelos momentos em que desconfiaram de seu potencial: “Querido Franco, todos recordamos do momento em que você chegou ao clube. Era um completo desconhecido. Nós, acostumados a grandes reforços, não aceitamos isso. Você usou o seu sangue argentino e começou a mostrar a que veio. Nestes momentos de crítica, que tolos fomos. Perdoe-nos, Franco. É um dos maiores ídolos, nunca negou uma foto aos torcedores. Todos vão sentir a sua falta”.

Por fim, Armani ofereceu suas últimas palavras à multidão. E assim como já tinha feito em sua carta de despedida, publicada no início da semana, prometeu que ainda voltará: “Quero agradecer a todos vocês por virem me acompanhar hoje. Muito obrigado a todos pelo apoio que me brindaram nestes sete anos no Nacional, me fizeram sentir em casa, especialmente pela força que me transmitiram em cada partida. Agradeço também por apoiarem em minha saída, para poder realizar outros sonhos. Sempre vou levá-los em meu coração. Eu me comprometo que, ao final da minha carreira, vou me aposentar no Atlético Nacional. Vocês me fizeram sentir mais um colombiano. Gratidão infinita a todos”.

O River Plate acionou a cláusula de rescisão para contratar Franco Armani, pedido pessoal do técnico Marcelo Gallardo. O goleiro chega para solucionar uma das principais lacunas dos Millonarios, visando sobretudo a campanha na Copa Libertadores. Além disso, poderá desfrutar da visibilidade que nunca teve em seu país, do qual saiu quando ainda atuava na segunda divisão. É candidato a ocupar uma das vagas na seleção, na preparação à Copa do Mundo de 2018.