O modo João Havelamge de gestão da Fifa, aprimorado por Joseph Blatter nos 17 anos que esteve no poder, se baseava muito em dar benefícios aos países pequenos. Afinal de contas, são 209 federações e todas têm o mesmo peso de voto. Então, agradar os pequenos é um bom jeito de reunir votos. Por isso, aumentar a Copa é uma ideia bem vista para quem pensa nisso. E Gianni Infantino, o candidato da Uefa, está fazendo exatamente isso com a proposta de mais seleções na Copa, mais dinheiro às federações e até uma Copa do Mundo sediada em vários países de uma região.

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A Uefa quer voltar a ter o presidente da Fifa e ter mais força. Países de outras confederações, especialmente as menores, temem que a Europa volte a dominar completamente a entidade que dirige o futebol mundial e os deixe de lado. Por isso, há uma certa desconfiança. Os países europeus sabem disso e precisam ceder. A ideia de uma Copa do Mundo maior é parte disso. Dar mais dinheiro às federações também. E principalmente, sediar a Copa em diversos países ao mesmo tempo.

“Cada confederação tem que esperar ao menos duas edições antes de poder sediar a Copa do Mundo de novo”, afirmou o dirigente da Uefa. “Isso irá garantir uma rotação mais equitativa, além de dar a toda confederação a organidade de organizar um evento único. Além disso, a Fifa deveria investigar a possibilidade de organizar não apenas em dois países, mas em toda uma região, permitindo que diversos países possam aproveitar a honra e os benefícios de sediar a Copa do Mundo”, continuou ainda o dirigente.

Só uma Copa do Mundo até hoje teve mais de um país como sede: 2002, quando Japão e Coreia do Sul dividiram a sede daquele Mundial, o primeiro disputado na Ásia. Desde então, tivemos a Copa do Mundo de 2010, a primeira na África, e em 2014 vimos a Copa voltar à América do Sul, no Brasil. Em 2010, a Uefa definiu que a Eurocopa será dividida em vários países do continente. Uma forma de dividir custos também, claro, em um momento que poucos países poderiam sediar por causa da crise. Acima de tudo, porém, é uma medida que agrada a países que dificilmente receberiam um jogo deste tipo se não fosse por este modelo, como o Azerbaijão, por exemplo. Depois da eleição da Fifa, a próxima escolha de sede da Copa do Mundo será para 2026.

Além disso, Infantino quer aumentar o valor que cada federação recebe. O candidato quer garantir ao menos US$ 5 milhões por cada ciclo de Copa do Mundo para cada uma das 209 federações. Só para se ter uma ideia, as federações recebiam cerca de US$ 1 milhão pelo ciclo da Copa do Mundo, além de bônus pelo lucro que a entidade tem com a Copa, que ficou em US$ 1,05 milhão.

 

Pensando na lógica global da Fifa, isso poderia permitir que uma Copa do Mundo seja disputada, por exemplo, em diversos países pequenos de uma mesma região, como o Caribe. Ou mesmo em países do leste europeu, também pensando na candidatura conjunta como Ucrânia e Polônia na Eurocopa de 2012. Uma medida que gera muitas dúvidas em relação a benefícios de fato à Copa, mas que dá muito poder de barganha política. Justamente o que Infantino quer para angariar mais votos entre os 209 que elegerão o próximo presidente da Fifa em 26 de fevereiro.

Infantino disputa a presidência com outros quatro candidatos: Salman bin Ebrahim Al Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), príncipe Ali Bin Al Hussein, da Jordânia, Tokyo Sexwale, da África do Sul, e Jerome Champagne, ex-secretário-geral da Fifa. A eleição ocorre no dia 26 de janeiro em congresso extraordinário da Fifa.