O técnico Zlatko Dalic estava seguro sobre a situação da Croácia no Grupo D da Copa do Mundo. Tanto é que rodou o time para enfrentar a Islândia e, ainda assim, garantiu a vitória por 2 a 1, confirmando a liderança com 100% de aproveitamento. E o ponto positivo na atuação dos croatas, mais do que o resultado, é a maneira como muitos dos testes deram certo. A equipe não precisou acelerar o jogo e aproveitou as brechas dos nórdicos para conquistar a vitória, é verdade. Mas viu alguns jogadores crescerem e se mostrarem úteis para a sequência da competição – até pelas variações que permitem.

O destaque óbvio é Milan Badelj. O volante foi titular da seleção croata durante grande parte do tempo no ciclo preparatório à Copa do Mundo. Participou da Euro, esteve no 11 inicial quase sempre nas Eliminatórias, teve seu espaço nos amistosos prévios. Porém, acabou preterido para um time mais ofensivo contra a Nigéria e, quando poderia ser a escolha mais natural, viu Marcelo Brozovic fazer bem seu papel na cabeça de área contra a Argentina. Por isso mesmo, o encontro com a Islândia valia demais ao camisa 19. Ele não desperdiçou.

Badelj, como é de se esperar, fez um ótimo trabalho defensivo. Deu o combate e protegeu a entrada da área, sobretudo no segundo tempo. Porém, ofensivamente é que o volante sobrou. A vitória croata está na conta dele. Logo nos primeiros minutos da etapa complementar, só não anotou um golaço porque o travessão não deixou, em bomba do meio da rua. Depois, abriria o placar, aparecendo na área como elemento surpresa e finalizando como um centroavante. Já nos minutos finais, ainda seria fundamental ao tento da vitória, roubando a bola no campo de ataque e dando o passe na medida para Ivan Perisic resolver. Não à toa, foi o melhor da noite. Em um meio-campo tão recheado, serve de alternativa, dependendo do momento. Curiosamente, o camisa 19 só havia marcado um gol em suas 38 aparições anteriores com a Croácia.

Já na meta, se Danijel Subasic não foi tão testado assim contra Nigéria e Argentina, Lovre Kalinic se tornou essencial para o triunfo. No primeiro tempo, foram duas defesaças do goleiro, em especial no chute de longe de Aron Gunnarson, que ele buscou com a ponta dos dedos. E voltou a trabalhar na etapa complementar, salvador em cabeçada de Sverrir Ingason. Até pela reputação e pela experiência, é difícil imaginar que Subasic perca a posição. Mas o reserva merece um pouco mais de consideração. Em três das últimas quatro temporadas ele ganhou o prêmio de melhor arqueiro em suas ligas nacionais, duas pelo Hajduk Split e uma pelo Gent, seu clube atual. Com enorme envergadura, passando dos dois metros de altura, pode ser uma alternativa às disputas de pênaltis – apesar do gol de Gylfi Sigurdsson na marca da cal.

Há outros que merecem menção. Apesar da idade, Vedran Corluka comandou o miolo de defesa, acompanhado pelo promissor Duje Caleta-Car. Na lateral esquerda, Josip Pivaric auxiliou na marcação e subiu bastante ao ataque. Mateo Kovacic mostrou que pode ganhar mais minutos, distribuindo o jogo no meio-campo. E na linha de frente, Kramaric não criou tantas chances, mas se movimentou bastante para abrir espaços a quem vinha de trás. Em um time que possui bons nomes, principalmente do meio para frente, é importante ter jogadores capazes de manter o nível ou substituir quem não está bem. É o caso da Croácia, mesmo após a exclusão de Nikola Kalinic. A qualidade não se nega.

Além disso, Zlatko Dalic testou novos sistemas táticos. Contra a Nigéria, usou um 4-4-2 bastante ofensivo, confiando em Luka Modric e Ivan Rakitic como volantes. Diante da Argentina, aumentou a proteção no 4-1-4-1. Já desta vez, começou com um 4-3-2-1, com pontas mais centralizados, e depois passou ao 5-4-1, testando o sistema com três zagueiros. Variações pertinentes.

Enfrentar a Dinamarca pode ser um bônus à Croácia. Provavelmente será a seleção classificada aos mata-matas com o pior futebol apresentado até o momento. Chance para os croatas apararem um pouco mais as arestas e chegarem menos desgastados aos momentos decisivos. Obviamente, nada garante a vaga nas quartas de final, e a própria Eurocopa serve de lição – quando o time voou em seu grupo e jogou mal justamente no duelo decisivo contra Portugal, despedindo-se precocemente. O Mundial oferece uma nova chance e, aparentemente, a equipe está mais amadurecida para cumprir as expectativas.