O Basel possui um histórico de respeito contra os clubes ingleses na Liga dos Campeões. Entre as vítimas recentes, estão Manchester United, Liverpool e Chelsea – além do Tottenham na Liga Europa. Nesta temporada, os suíços chegaram a vencer um dos jogos contra os Red Devils. E se existia algum motivo para acreditar na surpresa contra o Manchester City nesta terça, era preciso se agarrar aos números. As esperanças, porém, nem de longe se concretizaram. O time de Pep Guardiola adicionou mais uma goleada ao seu cartel, sem tomar conhecimento dos anfitriões no St. Jakob Park. Em placar construído muito graças à eficiência dos Citizens no primeiro tempo, os visitantes anotaram 4 a 0 e viajam à Inglaterra com a classificação às quartas de final da Champions praticamente assegurada. O reencontro no Estádio Etihad acontece em 7 de março.

Em sua escalação, o Basel contou com os vários reforços trazidos nesta janela de transferências – suprindo também perdas importantes, como Manuel Akanji e Renato Steffen. Fabian Frei e Valentin Stocker voltaram ao clube, enquanto Léo Lacroix veio por empréstimo. Todos apareceram no 11 inicial de Raphaël Wicky, que confiou em uma formação com três zagueiros, tentando explorar a velocidade dos contra-ataques. Já no Manchester City, Fabian Delph retornou à lateral esquerda e Vincent Kompany voltou a ser titular na Champions após quase dois anos. Já do meio para frente, apesar da disponibilidade de David Silva e Leroy Sané, ambos permaneceram no banco. Destaque para as escolhas de Ilkay Gündogan e Bernardo Silva, que puderam mostrar serviço a partir dos primeiros minutos.

Após o apito inicial, o Basel deixou bem claro qual era o seu plano de jogo. Atacou nos primeiros instantes, mas logo se resguardou na maior parte do tempo. Ficava fechado no campo de defesa, reduzindo o espaço para o controle de bola do City, enquanto arriscava um contragolpe ou outro. Depois que o goleiro Tomás Vaclik fez boa defesa em cabeçada de Gündogan, os Rot-Blau tiveram uma chance clara de abrir o placar. Dimitri Oberlin passou nas costas da zaga e partiu com o caminho livre. Aproveitou a indecisão de Ederson, que saiu fora da área, para arrematar. O problema é que o chute saiu fraco demais, permitindo que os Citizens se recuperassem. E a precisão dos ingleses no ataque faria toda a diferença.

Entre os 13 e os 24 minutos, o Manchester City finalizou três vezes. Três tiros no gol. Três bolas nas redes. Gündogan inaugurou a contagem. Em cobrança de escanteio, Kevin de Bruyne cruzou em direção ao primeiro pau e o alemão se antecipou à marcação para desviar de cabeça. O Basel deu mais um susto em contra-ataque, desta vez com Ederson bloqueando a passagem de Mohamed Elyounoussi. Contudo, os suíços não conseguiram parar fome de gols dos visitantes. Bernardo Silva ampliou aos 18. Após cruzamento de Raheem Sterling, o português aproveitou a sobra e contou com a colaboração do goleiro Vaclik para celebrar. Já o terceiro nasceria aos 23, em bela jogada de Fernandinho, arrancando no meio de três. Quando a zaga travou, o rebote ficou com Sergio Agüero, que acertou um chute cheio de efeito, de fora da área. A bola morreu no canto esquerdo de Vaclik, que sequer se mexeu.

Com a vantagem estabelecida, o City diminuiu o ritmo na metade final do primeiro tempo. Continuava com o controle da posse, mas sem precisar de uma postura tão agressiva. Além disso, sofria menos com os contra-ataques. Até criou uma chance ou outra de anotar o quarto, mas o Basel conseguiu se safar. Vaclik saiu bem em duas tentativas de bolas enfiadas, especialmente em uma intervenção nos pés de Sterling. Já De Bruyne levou perigo em arremate de fora da área, que passou por cima do travessão.

A partir do segundo tempo, o Basel tentou se impor um pouco mais no campo de ataque. E quando poderia reduzir a diferença, parou em Ederson. Elyounoussi arriscou de média distância e o goleiro voou para fazer a ponte, espalmando para escanteio. Esperanças em vão: afinal, logo aos oito minutos, o Manchester City fechou a contagem. Gündogan arrematou de fora da área e a bola mais uma vez saiu venenosa, morrendo no ângulo de Vaclik. O meio-campista oferecia um pouco mais de tranquilidade para que os Citizens voltassem a mandar na peleja.

Na sequência, as boas notícias ficaram para os retornos de Leroy Sané e David Silva, que entraram em campo com a camisa celeste, substituindo Sterling e De Bruyne. O Manchester City, de qualquer forma, estava satisfeito. Recuou um pouco mais e mantinha a segurança na partida.  O Basel chegou algumas vezes, especialmente com Oberlin, mas não conseguiu superar Ederson. Do outro lado, Gündogan seguia fazendo uma partidaça e quase completou sua tripleta, forçando belíssima intervenção de Vaclik. Nada que fizesse falta. A vivacidade dos Citizens a cada dividida até o apito final, aliás, merece o devido reconhecimento.

Diante do resultado protocolar, o Manchester City pode voltar a pensar nos torneios domésticos. Pega Wigan e Arsenal pelas copas nacionais, além de encarar uma sequência dura na Premier League, se reencontrando com os Gunners após a final da Copa da Liga e também recebendo o Chelsea. O reencontro com o Basel oferecerá um certo alívio no calendário. Já os Rot-Blau, depois do bom papel feito na fase de grupos, miram a guinada no Campeonato Suíço. A equipe se recuperou do mau início e segue na perseguição ao Young Boys, que lidera a competição com cinco pontos de vantagem. O clube da Basileia busca o nono título consecutivo. Alcançar os mata-matas da Champions é a certeza de que mais alguns milhões entrarão na conta para manter a hegemonia local e, assim, o bom trabalho na prospecção de talentos continuará. Imaginar um sucesso maior do que isso, todavia, soa como incongruência. Algo que o City enfatizou nesta terça.

Ficha técnica

Basel 0x4 Manchester City

Local: St. Jakob-Park, na Basileia
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Gols: Ilkay Gündogan, aos 14’/1T e aos 8’/2T; Bernardo Silva, 18’/1T; Sergio Agüero, 23’/1T
Cartões amarelos: Taulant Xhaka e Serey Dié (Basel); Fernandinho e Ilkay Gündogan (Manchester City)
Cartões vermelhos: Nenhum

Basel
Tomás Vaclik, Taulant Xhaka,  Léo Lacroix e Marek Suchy; Michael Lang, Fabian Frei, Serey Dié e Blás Riveros; Valentin Stocker (Albian Ajeti, 26’/2T), Mohamed Elyounoussi (Kevin Bua, aos 40’/2T) e Dimitri Oberlin. Técnico: Raphaël Wicky.

Manchester City
Ederson, Kyle Walker, Nicolás Otamendi, Vincent Kompany e Fabian Delph; Fernandinho, Ilkay Gündogan e Kevin de Bruyne (David Silva, aos 18’/2T); Bernardo Silva, Sergio Agüero (Danilo, 41’/2T) e Raheem Sterling (Leroy Sané, aos 12’/2T). Técnico: Pep Guardiola.