Ao longo dos últimos anos, a Copa Sul-Americana demorava a pegar fogo. As fases “internas”, apenas com clubes brasileiros se enfrentando, quase sempre se arrastavam e demoravam para gerar interesse geral. Uma exceção ou outra, como a Chapecoense, a mobilização ao redor da disputa só começava quando um time ia chegando às etapas mais avançadas – quase que por inércia. Por mais que fosse um título reconhecidamente importante, não aparecia entre as listas de prioridades imediatas, ainda mais ocorrendo concomitantemente com a hora da verdade no Campeonato Brasileiro. Uma percepção que se transforma com o novo formato da Sul-Americana e o novo calendário do futebol brasileiro nas competições continentais.

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Ainda que sejam as fases iniciais, a sensação é outra diante do compromisso internacional. Quem quer buscar a taça já teve um batismo além das fronteiras, algo importantíssimo para entrar no clima do campeonato. Assim, os brasileiros enfrentaram (e enfrentarão) diferentes desafios nesta semana. Com diferentes níveis de êxito, que referendam dentro do torneio e também deixam alguns avisos para a sequência do ano, sobretudo no Campeonato Brasileiro. Afinal, se os estaduais não são exatamente a melhor prova competitiva durante a maior parte do tempo, não se pode negar o peso de um confronto que reúne outras preocupações além do mero vexame de sucumbir para um adversário menor, como quase sempre de janeiro até maio pelo Brasil.

Dentre os brasileiros que já concluíram sua participação nesta fase, ninguém merece mais elogios do que o Corinthians. Na teoria, os alvinegros teriam a missão mais árdua, contra um clube de peso como a Universidad de Chile. Não foi o que se viu. Tudo bem, é preciso levar em consideração que a fase de La U passa distante de outros anos. De qualquer maneira, os corintianos colocaram os azules no bolso. Duas vitórias sem quaisquer sobressaltos, com o time de Fabio Carille reforçando alguns dos predicados já demonstrados durante o Paulista, sobretudo a organização tática e a entrega. Se a falta de gols gerava desconfiança em outros momentos, a crítica se dilui, especialmente pela contribuição dos meias. Nesta quarta, Rodriguinho e Jadson definiram a vitória por 2 a 1.

Na terça, a Ponte Preta também ganhou uma injeção de ânimo. Depois da dura derrota na decisão do estadual, a Macaca se refez ao buscar a classificação contra o Gimnasia de La Plata na Argentina. O empate por 1 a 1 já foi suficiente, depois do placar zerado no Moisés Lucarelli. E, aos dois paulistas, se junta o Fluminense na próxima etapa, com uma pitada de vacilação. O time de Abel Braga tinha construído o resultado de maneira inquestionável no Rio de Janeiro, com a vitória por 2 a 0 sobre o Liverpool. Todavia, a visita ao Uruguai logo após o vice para o Flamengo não contou com os tricolores em uma boa noite. A derrota por 1 a 0 não valeu a eliminação, mas acendeu o sinal amarelo. Não à toa, o treinador discutiu bastante a postura de seus jogadores durante a coletiva de imprensa. Algo a se corrigir nas próximas semanas.

Por fim, a decepção desta quarta ficou por conta do Cruzeiro. A Raposa possui um dos elencos mais qualificados do país neste momento. Só que não rende o esperado. A derrota para o Atlético na final do Mineiro foi um duro golpe. Antes da queda ao Nacional do Paraguai na viagem até o Defensores del Chaco. Aproveitando os erros da defesa celeste, os tricolores buscaram a virada por 2 a 1, que forçou a disputa por pênaltis. E, na marca da cal, foram mais competentes que os cruzeirenses. Mano Menezes, que não vinha agradando uma parcela da torcida, ganha mais um motivo contra si. A resposta precisa vir no Campeonato Brasileiro, quando as cobranças pela continuidade de seu trabalho serão mais pertinentes, nesta edição com tempo para fazer um planejamento ao seu modo.

Nesta quinta, quem tenta sacudir a poeira é o São Paulo, sem empolgar muito nos últimos tempos, inclusive no empate sem gols contra o Defensa y Justicia na visita à Argentina. Uma vitória contundente no Morumbi pode ter efeito positivo, pensando na sequência da competição e no início do Brasileirão. Já o Sport, depois do triunfo massivo na Ilha do Retiro contra o Danubio, precisa apenas segurar a vantagem de três gols na visita ao Uruguai. É um dos representantes brasileiros a se prestar atenção, até pela postura avassaladora na estreia. E esse tipo de compreensão do novo calendário demonstrada pelos rubro-negros que pode ser útil ao brasileiros, em um torneio no qual sempre tiveram condições de fazer mais.