Não deve aplacar a insatisfação dos torcedores e nem mudar nada no cotidiano do Manchester United, mas morreu, nesta quarta-feira, o controverso e ausente empresário americano Malcolm Glazer, que se tornou dono do clube em 2005 e nunca sequer visitou Old Trafford. Morador de Palm Beach, na Flórida, ele também era proprietário do Tamba Bay Bucaneers, campeão do Super Bowl de 2002.

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Glazer foi muito mais presente no time de futebol americano, que adquiriu em 1995 e transformou em campeão, do que no Manchester United. Talvez nem tanto pela sua vontade ou afinidade com o esporte. Em 2006, pouco depois de comprar os Red Devils, sofreu um derrame que o debilitou bastante. Embora tenha continuado como presidente, o dia a dia era e continuará sendo tocado pelos filhos Joel e Avram.

Mas foi Malcolm quem arquitetou a tomada do Manchester United. Comprou as primeiras ações em 2003 e foi pouco a pouco adquirindo o restante. Em maio de 2005, tornou-se proprietário do clube. O problema é que usou dinheiro de empréstimos para bancar a aquisição, deixou o clube com uma dívida de £ 500 milhões (hoje na casa das £ 350 milhões) e a torcida bastante irritada. A lógica é que o clube passou a gastar o dinheiro que poderia ser usado em contratações para pagar os débitos.

Alguns torcedores chegaram ao ponto de formar um novo clube, o United of Manchester, um jeito de resgatar as raízes e a tradição que eles temiam serem dilaceradas pelos novos donos americanos. Entraram na liga regional do noroeste da Inglaterra e conseguiram três acessos seguidos. Hoje em dia, estão na Northern Premier League, equivalente à sétima divisão do futebol inglês. O clube é totalmente democrático: cada torcedor tem direito a voto para todas as decisões.

Beckham pegou o cachecol do chão e colocou no pescoço (Foto: AP)

Beckham pegou o cachecol do chão e colocou no pescoço (Foto: AP)

Em 2010, houve protestos mais intensos contra os Glazers nas arquibancadas de Old Trafford. Gritos de “Fora Glazers” e cachecóis dourados e verdes, as primeiras cores do uniforme, não eram raros. David Beckham, em seu retorno ao estádio defendendo o Milan, pegou um desses cachecóis no chão e colocou em torno do pescoço. A torcida vibrou e acreditou que havia conseguido um rosto famoso e emblemático para apoiar a sua causa. Mas o meia inglês depois negou que estivesse tomando partido e disse que apenas pegou o objeto do chão para agradecer os aplausos dos torcedores.

Na mesma época, Alex Ferguson foi especulado como um dos endinheirados torcedores do Manchester United que estavam planejando tirar o clube das mãos dos Glazers com uma proposta de £ 1 bilhão. O escocês também negou seu envolvimento, e a empreitada do grupo denominado Red Knights não foi em frente. Não conseguiu convencer os americanos a se desfazerem de um dos times de futebol mais ricos do mundo.

A favor dos Glazers, nunca faltou dinheiro para Ferguson quando contratações foram necessárias, nem para David Moyes, que bateu o recorde de transferência com a compra de Juan Mata, no último mês de janeiro. Fora da Liga dos Campeões pela primeira vez desde 1996, o novo técnico Louis van Gaal terá um orçamento de £ 200 milhões para reforçar o time.

Malcolm Glazer já estava muito afastado do clube inglês para que sua morte cause efeitos práticos na direção do Manchester United, mas  levanta alguns questionamentos. Será que era ele que impedia a venda para outro proprietário? Os Bucaneers publicaram em seu site um memorial extenso, com fotos e tudo mais. O United, uma nota de três parágrafos. Provavelmente não significa nada, mas Malcolm certamente era muito mais amado nos Estados Unidos do que na Inglaterra.

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